
Levantamento do Ministério da Saúde mostra alta de 135% nos casos de diabetes tipo 2 em 18 anos. Entenda por que a obesidade é o principal fator por trás desse avanço e o que você pode fazer agora
magine que, a cada dez brasileiros que caminham pela rua, seis estão acima do peso. Agora, considere que esse número dobou em menos de duas décadas. Além disso, no mesmo período, os casos de diabetes tipo 2 quase triplicaram. Não é coincidência. Trata-se de uma crise de saúde pública com nome e sobrenome.
Obesidade e diabetes tipo 2 caminham juntos. E os dados mais recentes do Vigitel 2025, levantamento do Ministério da Saúde analisado pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), tornam esse vínculo impossível de ignorar.
Neste 4 de março, Dia Mundial de Combate à Obesidade, o Portal Um Diabético ouviu especialistas da SBD. O objetivo foi entender o que está por trás desses números. Mais importante ainda: o que quem convive com diabetes ou está em risco pode fazer a respeito.
Os números que a SBD não consegue ignorar
Desde 2006, quando o Vigitel começou a monitorar os hábitos de saúde da população brasileira, a obesidade cresceu 118%. No mesmo intervalo, o diabetes tipo 2 avançou 135%. Portanto, os dados revelam um país que engordou e adoeceu ao mesmo tempo.
“Os últimos dados do Vigitel 2025 mostram que, desde que essa pesquisa começou a ser feita, em 2006, até a última coleta de dados, em 2024, houve um aumento de 118% na prevalência de obesidade.” Dra. Cintia Cercato — Coordenadora do Departamento de Obesidade e Síndrome Metabólica da SBD
Atualmente, 60% da população brasileira apresenta excesso de peso. Além disso, a prevalência do diabetes saltou de 5,5% para 12,9% entre 2006 e 2024. Isso representa cerca de 19,9 milhões de adultos convivendo com a doença no país.
No cenário global, o Brasil ocupa a 6ª posição no ranking mundial de prevalência de diabetes tipo 2, segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF). Enquanto isso, no mundo, cerca de 589 milhões de pessoas — uma em cada nove — já convivem com a condição.
| Indicador | Resultado (2006–2024) |
| Crescimento da obesidade no Brasil | +118% |
| Crescimento do diabetes tipo 2 no Brasil | +135% |
| Adultos com diabetes no Brasil hoje | ~19,9 milhões |
| Posição no ranking mundial de DM2 (IDF) | 6º lugar |
| Pessoas com DM2 no mundo | ~589 milhões (1 em cada 9) |
Por que a gordura corporal leva ao diabetes tipo 2
O mecanismo pelo qual a obesidade aumenta o risco de diabetes tipo 2 já está bem estabelecido pela ciência. Em primeiro lugar, o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, interfere no metabolismo da glicose. Como consequência, ocorre resistência à insulina.
Em outras palavras, as células passam a responder menos ao hormônio responsável por controlar o açúcar no sangue. É justamente esse processo que está no centro do desenvolvimento do diabetes tipo 2.
Por outro lado, quem já convive com obesidade e diabetes enfrenta risco ainda maior. A combinação das duas condições aumenta a vulnerabilidade a complicações graves. Entre elas estão doenças cardiovasculares, problemas vasculares, doença renal crônica, neuropatias que podem levar a amputações e até cegueira.
“Por isso a Sociedade Brasileira de Diabetes considera extremamente importante discutir a obesidade como uma doença crônica que pode trazer uma série de consequências, incluindo o diabetes tipo 2. Políticas públicas para prevenir a obesidade são muito importantes.”
Dra. Cintia Cercato — Coordenadora do Departamento de Obesidade e Síndrome Metabólica da SBD
Além disso, a especialista defende que diferentes setores da sociedade trabalhem juntos. Segundo ela, políticas públicas devem incentivar alimentação saudável e atividade física. Ao mesmo tempo, é fundamental criar linhas de cuidado específicas para quem já convive com obesidade.
O medo do julgamento afasta as pessoas do tratamento
Além dos desafios clínicos, existe uma barreira menos visível, porém real: o estigma. A psicóloga Priscila Pacoli, do Departamento de Psicologia da SBD, alerta que o preconceito pode atrasar a busca por ajuda.
“Existe um estigma contra a obesidade que não é apenas um sentimento ruim — ele acaba sendo uma barreira clínica. Com medo do preconceito e do julgamento, as pessoas decidem esperar estar com peso melhor ou conseguir incluir uma rotina de exercício antes de ir ao médico.”
Psicóloga Priscila Pacoli — Departamento de Psicologia da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)
Esse adiamento, no entanto, tem custo alto. Quanto mais tarde o diagnóstico e o tratamento começam, maior é o risco de complicações.
Por isso, transformar consultórios em ambientes livres de julgamento é uma responsabilidade dos profissionais de saúde. E essa mudança começa pela linguagem.
A orientação da SBD é clara: em vez de “obeso” ou “diabético”, o correto é dizer “pessoa que convive com obesidade” e “pessoa que convive com diabetes”. Essa alteração não é apenas simbólica. Ainda assim, ela muda a relação do paciente com o próprio cuidado.
“Com esse tratamento mais humano, sem julgamento, o paciente deixa de se esconder e assume seu próprio cuidado, seu próprio tratamento.” Psicóloga Priscila Pacoli — Departamento de Psicologia da SBD
O que as novas diretrizes da SBD recomendam
As diretrizes atualizadas da Sociedade Brasileira de Diabetes para 2025/2026 colocam o combate à obesidade no centro da prevenção e do tratamento do diabetes tipo 2.
Entre as principais mudanças, está a redução da idade mínima para rastreamento. Agora, adultos assintomáticos a partir dos 35 anos devem fazer o exame. Anteriormente, a indicação era mais restrita.
Além disso, as diretrizes orientam o rastreamento em crianças e adolescentes com obesidade e sedentarismo. Isso acende um alerta importante diante do aumento de casos em jovens.
O diagnóstico pode ser feito por glicemia de jejum ou hemoglobina glicada (HbA1c).
Principais recomendações das diretrizes SBD 2025/2026
- Rastreamento do diabetes tipo 2 a partir dos 35 anos para pessoas assintomáticas.
- Rastreamento também indicado para crianças e adolescentes com obesidade e sedentarismo.
- Meta de perda de pelo menos 7% do peso corporal — pode contribuir para a remissão do diabetes tipo 2.
- Pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, com exercícios resistidos.
- Diagnóstico por glicemia de jejum ou HbA1c (hemoglobina glicada).
- Não há dieta única superior — a orientação é equilíbrio e qualidade alimentar.
- Uso de medicações modernas quando indicado pelo médico, como parte do plano terapêutico.
Portanto, a mensagem das diretrizes é direta: esperar o aparecimento de sintomas pode ser tarde demais, especialmente para quem convive com obesidade. Assim, a prevenção começa com informação e rastreamento precoce.
O que você pode fazer a partir de hoje
Ações práticas recomendadas pela SBD
• Se você tem mais de 35 anos e ainda não fez rastreamento de diabetes, procure seu médico.
• Se convive com obesidade, saiba que ela é uma doença crônica — e não uma questão de força de vontade.
• Não adie o cuidado por medo do julgamento. Em vez disso, busque profissionais com abordagem sem estigma.
• Converse com seu endocrinologista ou nutricionista sobre metas realistas de perda de peso.
• Movimente-se regularmente. Mesmo de forma gradual, isso faz diferença no controle glicêmico e no peso.
• Prefira alimentos in natura. Ao mesmo tempo, reduza ultraprocessados, sem recorrer a dietas extremas.
FONTE: https://umdiabetico.com.br/2026/03/04/dia-mundial-da-obesidade-excesso-de-peso-atinge-60-da-populacao-e-eleva-risco-de-diabetes/


obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs.fraternos,
Carla




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