
Complicação rara do diabetes tipo 1 mal controlado afeta fígado, crescimento e puberdade; veja sinais e como prevenir
A Síndrome de Mauriac no diabetes tipo 1 é uma complicação descrita
em 1930, poucos anos após a descoberta da insulina. Segundo informações
da Dra. Solange Travassos, endocrinologista com diabetes tipo 1 e
coordenadora do Departamento de Saúde Ocular da Sociedade Brasileira de Diabetes, o quadro está ligado a controle glicêmico cronicamente inadequado, sobretudo em crianças e adolescentes.
A condição voltou ao debate após o relato de um garçom com diabetes
tipo 1 que desenvolveu a complicação e viralizou nas redes sociais.
Nesse contexto, especialistas reforçam que o problema pode ser evitado
com acompanhamento estruturado e acesso ao tratamento.
O que é a Síndrome de Mauriac no diabetes tipo 1
A Síndrome de Mauriac é uma complicação rara do diabetes tipo 1
associada a hiperglicemia prolongada e grande variabilidade glicêmica.
Foi descrita pelo pediatra francês Pierre Mauriac e, historicamente,
ocorria antes dos esquemas modernos de insulina.
De acordo com a Dra. Solange Travassos, o quadro clássico inclui
aumento do fígado, atraso no crescimento e atraso no desenvolvimento da
puberdade. Além disso, podem ocorrer alterações nas enzimas hepáticas.

Dra. Solange Travassos, endocrinologista com diabetes tipo 1 e coordenadora do Departamento de Saúde Ocular da Sociedade Brasileira de Diabetes
A síndrome está fortemente associada à hemoglobina glicada
persistentemente elevada, muitas vezes acima de 10% ou 12%. No entanto,
não se trata apenas do valor da glicada isoladamente.
Segundo a Dra. Solange Travassos, o risco aumenta quando há padrão de
“montanha-russa glicêmica”. Ou seja, o paciente permanece horas com
glicose acima de 300 mg/dl e, em seguida, realiza correções com doses
elevadas de insulina.
Nesse cenário, o fígado passa a armazenar glicose em forma de
glicogênio de maneira repetida. Como resultado, ocorre acúmulo dentro
das células hepáticas, levando à hepatomegalia, também chamada de
glicogenose hepática.
Por outro lado, pode haver confusão com esteatose hepática, que é o
depósito de gordura no fígado. Portanto, a investigação precisa
descartar outras causas.
Principais sinais clínicos da Síndrome de Mauriac
Os achados que mais chamam atenção incluem aumento importante do
fígado e alteração das enzimas hepáticas. Além disso, pode haver baixa
estatura ou desaceleração do crescimento.
Também pode ocorrer atraso puberal. Em alguns casos, observa-se face em “lua cheia” e aumento de gordura central.
Segundo
a Dra. Solange Travassos, familiares devem ficar atentos ao abdômen
aumentado, dor na região do fígado, enzimas hepáticas elevadas e
episódios recorrentes de cetoacidose.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico e laboratorial. Ele se baseia na presença de
diabetes tipo 1 com controle muito inadequado associado a hepatomegalia e
alterações hepáticas, com ou sem atraso de crescimento.
No entanto, é fundamental excluir outras causas de doença hepática,
como infecções virais, doenças autoimunes e esteatose. Em alguns casos, a
biópsia hepática pode ser necessária para confirmar depósito de
glicogênio.
Segundo a Dra. Solange Travassos, a biópsia diferencia glicogenose
hepática de outras doenças que também cursam com aumento do fígado.
Impacto no crescimento e na puberdade
A Síndrome de Mauriac pode comprometer crescimento e desenvolvimento
puberal. Quanto mais precoce o reconhecimento, maior a chance de
reversão.
De acordo com a Dra. Solange Travassos, a melhora sustentada do
controle glicêmico favorece recuperação do crescimento e progressão da
puberdade. Ainda assim, o tempo de exposição ao descontrole influencia o
prognóstico.
Tratamento e tempo de melhora
O tratamento consiste em corrigir a causa, ou seja, melhorar o
controle do diabetes tipo 1 de forma segura e sustentada. Isso envolve
ajuste do esquema basal-bolus, revisão de fatores de correção, educação
em diabetes e suporte psicossocial.
Além disso, o uso de tecnologias pode auxiliar na redução da
variabilidade glicêmica. Em geral, a hepatomegalia e as enzimas
hepáticas melhoram em semanas a poucos meses após estabilização da
glicose.
No entanto, a Dra. Solange Travassos alerta que a intensificação
abrupta do controle pode aumentar o risco de retinopatia e neuropatia
dolorosa em pacientes cronicamente descompensados. Portanto, o ajuste
deve ser gradual e acompanhado de perto, inclusive com oftalmologista,
especialmente se já houver retinopatia.
Falhas no tratamento que aumentam o risco
Entre os fatores associados estão omissões ou atrasos de insulina,
hiperglicemias prolongadas e correções agressivas com bolus elevados.
Além disso, cetoacidose recorrente e ausência de acompanhamento
estruturado contribuem para o risco.
Segundo a Dra. Solange Travassos, barreiras de acesso, sofrimento
psicossocial e baixa adesão ao tratamento também interferem. Nesse
contexto, a síndrome ainda ocorre, embora seja considerada rara
atualmente.
Como prevenir a Síndrome de Mauriac
A prevenção passa por tratamento adequado e educação em diabetes. É
fundamental não omitir doses de insulina e evitar o padrão de permanecer
muito tempo em hiperglicemia seguido de correções excessivas.
Além disso, revisar estratégias com a equipe multiprofissional reduz a
variabilidade glicêmica. Buscar rede de apoio e acompanhamento contínuo
também faz diferença, especialmente diante de dificuldades emocionais
ou socioeconômicas.
O caso do garçom com diabetes tipo 1 reforça que a complicação ainda
existe. No entanto, segundo a Dra. Solange Travassos, ela pode ser
evitada com assistência estruturada e acompanhamento regular.
Laura Lany
Gerente de Conteúdo e Redes Sociais -
Jornalista mineira, natural de Uberlândia, Laura é descolada, sensível e
criativa. Traz para o projeto uma visão estratégica e conectada com as
tendências digitais. É responsável pela distribuição dos conteúdos nas
redes sociais, escreve reportagens especiais para o portal e atua na
produção audiovisual. Desde que abraçou a causa do diabetes, há três
anos, mergulhou no universo do Um Diabético com dedicação e empatia.
Está constantemente se atualizando para potencializar o alcance e o
impacto do nosso conteúdo.
FONTE:
https://umdiabetico.com.br/2026/03/04/dia-mundial-da-obesidade





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Carla