Diagnóstico tardio do diabetes tipo 1 ainda leva pacientes à UTI; rastreio pode reduzir risco de cetoacidose
No Brasil, muitas pessoas ainda descobrem o diabetes tipo 1 apenas quando o quadro já se agravou. Em vários casos, o diagnóstico acontece na urgência, com complicações como a cetoacidose diabética, que pode exigir internação.
Segundo a endocrinologista e pesquisadora Denise Franco, esse modelo de diagnóstico está ligado à ausência de identificação precoce da doença. No entanto, a ciência já aponta caminhos para mudar essa realidade.
O diagnóstico do diabetes tipo 1 ainda ocorre na urgência
Enquanto isso, o diagnóstico precoce permite iniciar o acompanhamento antes da fase crítica. Portanto, identificar a doença antes do agravamento reduz a necessidade de internação e o risco de complicações.
Rastreio do diabetes tipo 1 permite identificar a doença antes dos sintomas
O rastreio do diabetes tipo 1 surge como uma estratégia para mudar o momento do diagnóstico. Esse processo consiste na identificação de anticorpos que indicam o ataque do sistema imunológico às células produtoras de insulina.
De acordo com Denise Franco, o diabetes tipo 1 não começa no momento do diagnóstico. Na prática, a doença pode estar em desenvolvimento anos antes, sem sintomas evidentes.
Além disso, pessoas com histórico familiar podem ser acompanhadas de forma mais próxima. Nesse contexto, o rastreio permite detectar alterações antes da glicemia atingir níveis diagnósticos.
Por outro lado, o acesso a esse tipo de investigação ainda não é uniforme no Brasil. Em muitos casos, o diagnóstico ocorre sem a confirmação por anticorpos.
Estágios do diabetes tipo 1 ajudam a entender a evolução da doença
A classificação por estágios mudou a forma de compreender o diabetes tipo 1. Segundo Denise Franco, a doença pode ser dividida em três fases.
No estágio 1, há presença de anticorpos, mas a glicemia ainda está dentro da faixa normal. Já no estágio 2, além dos anticorpos, começam a surgir alterações glicêmicas, sem critérios diagnósticos.
No entanto, é no estágio 3 que ocorre o diagnóstico clínico, com glicemia elevada e hemoglobina glicada alterada. Nesse momento, muitos pacientes já apresentam sintomas.
Enquanto isso, o reconhecimento desses estágios permite acompanhar a progressão da doença. Portanto, o acompanhamento antecipado pode reduzir o impacto do diagnóstico.
Cetoacidose diabética ainda marca o diagnóstico tardio
A cetoacidose diabética é uma das principais complicações associadas ao diagnóstico tardio. Ela ocorre quando há falta de insulina suficiente, associada à glicemia elevada e desidratação.
Nesse contexto, o organismo não consegue utilizar a glicose como fonte de energia. Como resultado, ocorre um desequilíbrio metabólico que exige tratamento hospitalar.

Além disso, Denise Franco explica que esse tipo de situação pode representar um evento traumático para o paciente e para a família. Muitas vezes, o diagnóstico acontece após a necessidade de internação em unidade de terapia intensiva.
Por outro lado, quando a doença é identificada antes, esse cenário pode ser evitado.
Fatores que influenciam o desenvolvimento do diabetes tipo 1
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune. Nesse processo, o sistema imunológico passa a atacar as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina.
Segundo Denise Franco, existem fatores genéticos que aumentam a probabilidade de desenvolver a doença. Além disso, fatores ambientais, como infecções virais, alimentação e estresse, podem atuar como gatilhos.
No entanto, o estresse não causa diretamente o diabetes tipo 1. Ele pode, por outro lado, acelerar o aparecimento dos sintomas em uma doença que já estava em desenvolvimento.
Enquanto isso, o aumento da glicose em situações de estresse pode evidenciar uma falha na produção de insulina que já existia.
Medicamento aprovado no Brasil pode atrasar o diabetes tipo 1
A Anvisa aprovou o teplizumabe, medicamento indicado para atrasar o diagnóstico clínico do diabetes tipo 1. A terapia é voltada para pessoas com autoanticorpos e alterações glicêmicas, antes do surgimento dos sintomas.
O medicamento atua no sistema imunológico e reduz o ataque às células beta do pâncreas. Com isso, a produção de insulina pode ser mantida por mais tempo.
Um estudo publicado no New England Journal of Medicine mostrou que o tratamento pode atrasar o diagnóstico em cerca de dois anos. Esse intervalo pode reduzir o risco de cetoacidose diabética no início da doença.
No entanto, o uso depende da identificação precoce do diabetes tipo 1, por meio do rastreio de autoanticorpos. Hoje, esse tipo de exame ainda não faz parte de um programa nacional no SUS.
O medicamento não substitui a insulina e não representa cura. Ainda assim, a aprovação reforça a importância do diagnóstico precoce e amplia as possibilidades de intervenção antes da fase clínica da doença.
Gerente de Conteúdo e Redes Sociais - Jornalista mineira, natural de Uberlândia, Laura é descolada, sensível e criativa. Traz para o projeto uma visão estratégica e conectada com as tendências digitais. É responsável pela distribuição dos conteúdos nas redes sociais, escreve reportagens especiais para o portal e atua na produção audiovisual. Desde que abraçou a causa do diabetes, há três anos, mergulhou no universo do Um Diabético com dedicação e empatia. Está constantemente se atualizando para potencializar o alcance e o impacto do nosso conteúdo.
FONTE: https://umdiabetico.com.br/
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Carla






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