Segundo Glauco Lima, alguns animais são treinados para tocar a pata no tutor. Outros aprendem a pegar um pequeno colar de couro com a boca e entregá-lo como sinal de alerta. Somente depois desse aviso a pessoa deve conferir os valores da glicose utilizando o sensor.

O treinamento também estabelece limites para que o cachorro faça o alerta antes que a glicose atinja níveis mais críticos. Na hipoglicemia, por exemplo, o objetivo não é esperar que a glicose chegue a 70 mg/dL. O treinamento busca fazer o cão avisar quando os valores ainda estão próximos de 75 mg/dL e em queda.

Na hiperglicemia acontece o mesmo processo. Glauco explica que utiliza o sensor para acompanhar a glicose durante o treinamento e define previamente o ponto em que deseja que o cachorro faça a marcação. No exemplo apresentado, o alerta começa quando a glicose se aproxima de 185 mg/dL, antes que continue aumentando.

O cão trabalha junto com o sensor de glicose

Embora muitas pessoas imaginem que o cachorro substitui a tecnologia, Glauco Lima afirma que isso não acontece.

Segundo ele, o cão de alerta funciona como uma ferramenta complementar. O sensor continua sendo o equipamento responsável por confirmar os valores da glicose e orientar a tomada de decisões.

Ainda assim, o treinador explica que o cachorro pode perceber alterações antes mesmo de alguns sensores registrarem a mudança.

De acordo com sua experiência, em determinadas situações o cão consegue emitir o alerta entre 12 e 20 minutos antes da leitura do sensor. No entanto, ele reforça que a confirmação sempre deve ocorrer por meio da monitorização da glicose.

Além disso, o cachorro também pode oferecer uma camada extra de segurança caso ocorra alguma falha tecnológica, como perda de calibração, problemas na leitura ou falta de bateria do sensor. Por esse motivo, Glauco reforça que os dois recursos devem atuar em conjunto, e não competir entre si.

O treinamento começa ainda nos primeiros meses de vida

Segundo Glauco Lima, as chamadas janelas sociais do cachorro iniciam por volta dos 21 dias de vida e seguem até aproximadamente quatro meses. Nesse período, o filhote desenvolve experiências importantes relacionadas aos estímulos do ambiente.

Por isso, o treinamento costuma começar quando o cão tem cerca de 60 dias. Nessa fase, o animal já entra em contato com o odor da pessoa que será acompanhada.

O treinamento utiliza reforço positivo. O cachorro aprende a associar aquele cheiro à alimentação, às brincadeiras e às recompensas. Aos poucos, ele passa a procurar espontaneamente o odor que aprendeu a identificar.

Além disso, o treinador realiza entrevistas com a família e conversa com a equipe médica que acompanha a pessoa com diabetes. Essas informações ajudam a entender em quais horários ocorrem as hipoglicemias, quais situações aumentam o risco e como adaptar o treinamento à rotina do futuro tutor.

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