Por Simone Lemos (*)
Mudar a forma de usar um remédio, como comprimidos, cápsulas, líquidos…, pode trazer problemas para a saúde.
Quando se pensa em medicamentos, as várias formas de administração vêm à
nossa cabeça: via oral, sublingual e injetável. Vamos abordar aqui os
remédios administrados via oral e sublingual, que são as cápsulas,
comprimidos e xaropes. Qual a sua eficácia e o que acontece quando é
utilizado da forma incorreta? Fernanda Boni, docente e pesquisadora da
Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, explica como isso funciona e
sua eficiência.
“Todo o medicamento contém um princípio ativo que é responsável por
tratar doenças ou aliviar sintomas. A forma como o medicamento é
apresentado, ou seja, comprimido, cápsula, xarope, leva em consideração a
estabilidade desse princípio ativo, onde, quando e como ele vai atuar
no organismo. O mesmo se aplica à maneira que o medicamento é
administrado, a escolha da via, com ou sem ingestão de alimentos, e
essas decisões são tomadas durante o desenvolvimento do medicamento,
antes que ele chegue ao mercado, após anos de estudos e testes para
garantir sua eficácia e segurança.”
Medicamentos em cápsula não podem ser
abertos e diluídos em água, isso pode comprometer seu efeito. As
cápsulas são formuladas para proteger o princípio ativo contido em seu
interior, fazendo com que ele seja liberado para agir no tempo e no
local correto. “Diluir a cápsula pode resultar em modificações desse
processo de liberação, causando perda de efeito e até efeitos adversos;
por isso, caso o paciente tenha dificuldade em engolir cápsulas, ele
deve buscar alternativas sob a orientação de um profissional de saúde”,
avisa a professora e pesquisadora.
Mas como funciona, após a ingestão, a ação dos medicamentos em comprimidos?
A especialista destaca que, “de forma
geral, após a ingestão, o comprimido chega ao estômago, onde entra em
contato com o fluido gástrico e se inicia o processo de desintegração,
ou seja, esse comprimido começa a se fragmentar em partes menores,
iniciando também a dissolução do princípio ativo. Ao seguir pelo trato
gastrointestinal, esses fragmentos chegam ao intestino, onde o processo
de dissolução continua até que todo ativo esteja completamente
dissolvido no fluido intestinal. A partir daí, esse ativo está
disponível para ser absorvido pela mucosa do intestino e finalmente
chegar à corrente sanguínea, onde poderá então exercer o seu efeito
terapêutico”.
Medicamentos sublinguais
O medicamento sublingual age muito
rápido no organismo, mas se o paciente erra e ingere o remédio, sua ação
pode ser afetada. Seu efeito pode ser comprometido ou reduzido,
dependendo do princípio ativo ali contido. Os medicamentos sublinguais
são formulados para que o ativo seja absorvido diretamente pela mucosa
da boca, chegando rápido à corrente sanguínea, dessa forma tendo um
efeito mais rápido. Se esse tipo de medicamento for ingerido, podem
ocorrer problemas como atraso da sua absorção e até redução da eficácia,
se o ativo sofrer algum tipo de degradação no trato digestivo ou
metabolização.
Já medicamento em forma de xarope tem
uma absorção rápida pelo organismo, por esse motivo sua ação é mais ágil
e tem um efeito mais rápido do que um comprimido quando ingerido pela
via oral. Isso ocorre porque, no xarope, o princípio ativo já está
dissolvido ou solubilizado, o que permite que, após a ingestão, seja
rapidamente absorvido. Todos os medicamentos têm vantagens e
desvantagens. Fernanda explica que:
“a
eficácia de um medicamento não está relacionada apenas à sua
apresentação, mas, sim, em como esse medicamento é projetado para
atender às necessidades específicas do tratamento. As cápsulas podem ter
uma absorção e um efeito mais rápido, já os comprimidos geralmente são
mais estáveis e podem ser formulados para apresentar um efeito
prolongado. Portanto, a escolha entre um ou outro depende basicamente da
condição do paciente e da doença e sintoma que vão ser tratados.”
Quanto ao corte de medicamentos, há
situações em que eles não devem ser divididos, porque seu revestimento
tem a função de proteger o princípio ativo da degradação pela acidez do
estômago ou garantir que ele seja absorvido apenas numa parte específica
do intestino. Ao repartir o comprimido se danifica o revestimento,
expondo o princípio ativo, o que pode prejudicar a dose a ser absorvida e
até causar irritações do trato digestivo. Toda e qualquer mudança na
forma de ingestão ou quantidade do medicamento deve ser feita com a
indicação de um profissional de saúde.
(*)Simone Lemos escreve para o Jornal da USP. Fonte: Jornal da USP no Ar
FONTE:https://portaldoenvelhecimento.com.br/BLOG



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