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segunda-feira, 9 de março de 2026

Menopausa pode alterar o controle da glicose em mulheres com diabetes, afirma médica

 

 

Especialista explica como as oscilações hormonais da perimenopausa e do climatério interferem no metabolismo e podem exigir ajustes no tratamento

 

A menopausa já traz, por si só, uma série de mudanças físicas e emocionais. Para a mulher que convive com diabetes, no entanto, esse período exige atenção redobrada: as oscilações hormonais interferem diretamente no metabolismo da glicose, tornando o controle glicêmico mais difícil e, por vezes, imprevisível.

A Dra. Lenita Zajdenverg, coordenadora do Departamento de Diabetes na Gestação da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), explica que as mudanças não começam com o fim da menstruação. Além disso, elas impactam tanto mulheres com diabetes tipo 2 quanto aquelas com tipo 1, mas cada uma de forma específica.

 

 

 

A perimenopausa: quando as mudanças começam antes

Os primeiros sinais da transição hormonal costumam surgir por volta dos 40 anos. Nesse período, chamado de perimenopausa, as oscilações do estrogênio e da progesterona impactam o metabolismo feminino de forma direta.

“Durante a transição menopausal e todo o climatério ocorre uma mudança na distribuição de gordura corporal, com maior acúmulo na região do abdômen. Isso leva a um aumento da resistência à insulina e pode dificultar o manejo da glicemia.” Dra. Lenita Zajdenverg | Coordenadora do Departamento de Diabetes na Gestação da SBD

Portanto, mulheres com diabetes tipo 2 podem notar maior dificuldade no controle glicêmico. Já aquelas com diabetes tipo 1, muitas vezes, precisam ajustar as doses de insulina, um processo que exige acompanhamento próximo da equipe médica.

Sintomas que podem confundir o diagnóstico

Um ponto de atenção importante destacado pela especialista é a sobreposição de sintomas entre a menopausa e o diabetes descompensado. Nesse contexto, identificar a origem de cada sinal exige olhar clínico e monitoramento frequente.

SintomaPossível causa
Calorão (fogacho)Menopausa mas pode lembrar hipoglicemia
Cansaço e falta de ânimoMenopausa mas pode indicar hiperglicemia
Lapsos de memóriaQueda do estrogênio – pode interferir no manejo do diabetes
Irritabilidade e ansiedadeOscilação hormonal – afeta tomada de decisão no tratamento

A mulher pode esquecer se tomou um medicamento, se aplicou a insulina ou se fez determinada correção. Segundo a Dra. Lenita, essa condição, muitas vezes descrita como ‘nuvem cerebral’, pode gerar ansiedade e culpa desnecessárias.

“É importante deixar claro que essas mudanças fazem parte dessa fase e tendem a se estabilizar. Ter uma rede de apoio é fundamental — o suporte da família ou amigos é muito importante quando a memória e a concentração não estão no melhor momento”, alerta a Dra  Lenita  Zajdenverg.

Depois da menopausa: riscos cardiovasculares em foco

Após 12 meses consecutivos sem menstruação, ocorre a menopausa propriamente dita. Nessa fase, a queda do estrogênio se estabiliza, mas os cuidados devem continuar. É nesse momento que os riscos cardiovasculares se tornam mais evidentes.

Sem a proteção hormonal, mulheres com diabetes ficam ainda mais vulneráveis a complicações vasculares. Nesse sentido, o acompanhamento médico regular é indispensável para ajustar o tratamento e monitorar fatores como pressão arterial, colesterol e função renal.

Sinais que pedem atenção redobrada nessa fase
• Dificuldade crescente no controle da glicemia, mesmo sem mudanças no cardápio ou na medicação.
• Insônia, ansiedade e fadiga persistente que interferem no autocuidado.
• Esquecimentos frequentes — como se tomou o remédio ou aplicou a insulina.
• Sintomas confusos que podem ser tanto da menopausa quanto do diabetes descompensado.
• Surgimento ou piora de sintomas cardiovasculares: falta de ar, palpitações, pressão alta.

Tratamentos: o diabetes não impede o cuidado da menopausa

Uma dúvida comum entre mulheres com diabetes é se os tratamentos para os sintomas da menopausa são permitidos. A resposta, segundo a Dra. Lenita, é que o diabetes não é uma contraindicação em si.

O uso de hidratantes vaginais ou estrogênio vaginal, por exemplo, não é contraindicado para mulheres com diabetes e pode melhorar muito o conforto e a qualidade de vida. Já a terapia hormonal sistêmica deve ser avaliada individualmente. Há sim casos com contraindicações, mas isso precisa ser discutido com o médico.

“O ideal é que ginecologista e endocrinologista conversem entre si. Quando a equipe se alinha, o manejo dos sintomas e do diabetes se torna muito mais eficiente”, finaliza a especialista.

DIABETES FEMININA: OS DESAFIOS DA DOENÇA EM VÁRIAS FASES DA MULHER | DiabetesCast #38

 

 LINK: https://youtu.be/Gqtt_J_vFys

 

 

 

Jornalista com quase 30 anos de experiência em televisão no interior de São Paulo, atuando como coordenadora de conteúdo e responsável por produção de pautas. Atualmente é produtora executiva na TB Content.

 

 

 FONTE: https://umdiabetico.com.br/

 

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obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico

abs.fraternos

Carla

 

 

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