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domingo, 5 de julho de 2026

MELHOR IDADE: GUIA IBA - QUANDO O CÉREBRO DEIXA DE OUVIR: A SURDEZ NEUROLÓGICA NAS DEMÊNCIAS AVANÇADAS

 Berna Almeida II



O avanço das síndromes demenciais impõe desafios que vão muito além do comprometimento da memória, um dos fenômenos mais complexos e menos compreendidos no ambiente doméstico é a progressiva dificuldade de comunicação, que frequentemente se assemelha a uma perda auditiva. Na fase avançada da doença, é comum que o familiar pareça não escutar os chamados ou ignore as orientações verbais.
No entanto, na maioria dos casos, o que ocorre não é uma falência do aparelho auditivo, mas sim uma alteração cognitiva profunda conhecida como surdez neurológica ou central.
A recepção física do som permanece intacta, o que significa que o ouvido capta as ondas sonoras normalmente. O comprometimento real ocorre nas áreas corticais do cérebro responsáveis por processar, decodificar e traduzir esses estímulos sonoros em informações compreensíveis, tecnicamente chamada de Agnosia Auditiva, essa condição faz com que as palavras percam o significado, transformando o idioma nativo em um conjunto de sons incompreensíveis para o paciente.
Essa perda do processamento central manifesta-se de maneiras específicas na rotina diária:
  • A incapacidade de diferenciar a voz humana de ruídos do ambiente, como o som de televisores ou eletrodomésticos, gerando sobrecarga sensorial.
  • A perda da atenção sustentada, impedindo que o familiar fixe o foco em frases longas ou explicações complexas.
  • Reações de isolamento ou apatia, decorrentes da exaustão neurológica ao tentar decifrar os estímulos ao redor.
  • Respostas paradoxais, em que o familiar se assusta com a aproximação verbal por não compreender a intenção da fala.
Compreender que esse comportamento é um sintoma neurológico e não uma recusa deliberada ou teimosia redefine completamente a abordagem do cuidador familiar.
Métodos convencionais como elevar o tom de voz ou gritar são ineficazes e contraproducentes, o cérebro comprometido pela demência interpreta volumes altos ou sons agudos como uma ameaça iminente, o que costuma deflagrar crises de agitação, ansiedade ou agressividade defensiva.
O manejo técnico adequado exige a adaptação dos canais de comunicação, priorizando a linguagem não verbal.
Para estabelecer um contato efetivo, o cuidador deve reduzir os ruídos de fundo antes de iniciar o diálogo, a aproximação deve ser sempre frontal, posicionando-se estritamente na linha do olhar do familiar, as mensagens verbais precisam ser simplificadas, utilizando frases curtas, pausadas e de comando único.
Acima de tudo, o toque afetivo seguro e a expressividade facial devem anteceder a fala, fornecendo ao paciente a previsibilidade e a segurança necessárias para que ele se sinta conectado, mesmo quando as palavras já não fazem sentido.
Instituto Berna Almeida – Orientação Técnica e Apoio aos Cuidadores Familiares
Siga o nosso perfil oficial: @institutobernalmeida















FONTE: https://www.facebook.com/groups/307004436047308/








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Carla



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