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quarta-feira, 13 de maio de 2026

MELHOR IDADE: GUIA IBA: QUANDO A PESSOA MUDA COMPLETAMENTE DE COMPORTAMENTO DIANTE DE OUTRAS PESSOAS

 Berna Almeida II

Tem uma dor que o Cuidador sente em silêncio, porque quando tenta explicar, quase ninguém entende.
É quando você está ali todos os dias, dando banho, insistindo na comida, organizando remédio, segurando crise, sendo paciente quando já não tem mais de onde tirar e então chega alguém de fora.
E de repente, tudo muda.
A mesma pessoa que te empurrou, que recusou ajuda, que falou duro com você, agora sorri, conversa, faz graça, parece leve, parece consciente, parece até “normal”.
E é aí que dentro do Cuidador, nasce um pensamento que machuca mais do que qualquer agressividade:
“Então ele consegue, ele só não quer comigo.”
Isso não é frescura, não é exagero, isso é uma ferida emocional e é aqui que entra uma verdade difícil, mas necessária: não é fingimento no sentido que a gente imagina, mas também não é simples como dizem.
A demência não apaga o cérebro inteiro de uma vez, ela desorganiza, ela confunde, quebra conexões, mas algumas áreas, principalmente ligadas ao comportamento social automático, ainda conseguem funcionar por um tempo.
Quando chega uma visita, o cérebro tenta se organizar, é como se ativasse um modo antigo, aprendido ao longo da vida: ser educado, sorrir, responder, manter uma aparência, só que isso não é sustentado, isso custa energia mental e o cérebro doente cansa rápido.
Quando essa “força” acaba, a pessoa volta para o estado real em que está e é nesse momento que quem cuida recebe o peso, não porque foi escolhido, mas porque é ali que a pessoa não consegue mais manter controle.
O cuidador não vê a versão social, ele vive a versão verdadeira da doença, e isso dói, porque enquanto os outros enxergam alguém agradável por alguns minutos, você lida com: recusa, irritação, impaciência, agressividade, confusão, desgaste contínuo.
E ainda tem algo mais profundo que quase ninguém fala, o Cuidador representa tudo aquilo que o cérebro dela já não consegue processar direito: rotina, limite, insistência, cuidado, orientação.
Para um cérebro saudável, isso é proteção, para um cérebro adoecido, isso pode ser sentido como pressão.
Já a visita não exige nada, não corrige, não entra em conflito, não confronta a perda, é leve, passageira, sem cobrança, por isso parece que com os outros é melhor.
Mas não é melhor, é mais superficial, é mais curto, é mais fácil de sustentar por alguns minutos.
Ás vezes, é com quem cuida que a pessoa se sente, mesmo sem consciência, mais segura para perder o controle.
É ali que ela não precisa “atuar”, é ali que o cérebro já desorganizado, se mostra como realmente está, e isso coloca o Cuidador num lugar muito injusto, porque você é quem mais faz, quem mais se doa, quem mais suporta e ainda assim, é quem recebe o lado mais difícil.
Isso cansa, revolta, isso faz questionar o próprio amor, e depois vem a culpa por ter pensado isso.
O que você está vivendo não é só cuidado físico, é desgaste emocional contínuo e isso precisa ser reconhecido.
Ele não está fingindo para te atingir, mas sim, o comportamento muda dependendo de quem está presente e isso não diminui o que você sente.
Você é humano e precisa ser acolhido também.
📍 Instituto Berna Almeida (@institutobernalmeida)
Página e Grupo de Apoio Online: 1 Sujeito Chamado Alzheimer















FONTE:  https://www.facebook.com/groups/mentesedemencias



                                      


obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico

abs

Carla

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