A casa já silenciou.
A televisão foi desligada, as luzes estão apagadas e quem cuida olha para o relógio pela décima vez.
Duas da manhã.
Mas ele continua acordado.
Levanta da cama, chama alguém, quer ir ao banheiro outra vez, pergunta que horas são, diz que precisa ir embora, procura alguma coisa que nem sabe explicar o que é. Às vezes não faz nada disso, apenas permanece desperto, com os olhos abertos, como se o corpo simplesmente não soubesse que a noite chegou, e ao lado dele existe alguém igualmente acordado, só que essa pessoa sabe o que acontecerá daqui a poucas horas.
Tem café para fazer, remédios para organizar, banho, roupa, comida, casa, trabalho, filho para levar à escola, contas para resolver e uma vida inteira que continuará exigindo dela, mesmo depois de uma noite sem dormir.
Por que isso acontece?
Nas demências, o ciclo de sono e vigília pode sofrer alterações, a pessoa pode dormir várias vezes durante o dia e permanecer desperta à noite, a própria doença pode comprometer mecanismos cerebrais envolvidos na organização do ritmo entre dia e noite, mas nem toda noite mal dormida deve ser atribuída simplesmente à demência.
Dor, vontade de urinar, constipação, fome, sede, calor, frio, ansiedade, ambiente desconfortável, pouca atividade durante o dia e alguns medicamentos também podem interferir no sono. Uma mudança repentina no comportamento noturno merece ainda mais atenção, porque pode existir algum problema clínico por trás dela.
E o que fazer durante o dia?
Sempre que as condições da pessoa permitirem, tente deixar bem marcada a diferença entre dia e noite.
Abra as janelas pela manhã e permita a entrada de luz natural, estimule pequenas atividades e algum movimento compatível com suas limitações.
Evite que ela passe praticamente o dia inteiro cochilando, mantenha horários relativamente regulares para acordar, fazer as refeições e se preparar para dormir.
À noite, diminua gradualmente os estímulos, luz mais baixa, menos barulho e uma rotina previsível podem ajudar o organismo a reconhecer que chegou a hora de descansar.
E observe.
Quando ela dorme? Quanto dorme durante o dia? A que horas começa a ficar agitada? Isso acontece todas as noites ou começou recentemente?
Essas informações podem ser muito importantes para o médico avaliar o que está acontecendo, e existe o outro lado dessa madrugada
Quando uma pessoa com demência passa noites acordada, frequentemente existe outra pessoa perdendo o sono junto com ela, e ninguém atravessa noites sucessivas em claro sem sentir as consequências.
O corpo cansa, a irritação aumenta, a atenção diminui, o raciocínio fica mais lento, as tarefas parecem mais pesadas, e chega um momento em que o Cuidador já não sabe dizer se está vivendo o dia seguinte ou apenas tentando sobreviver à noite anterior.
Por isso, quando as noites em claro se tornam frequentes, não devemos olhar apenas para quem não está dormindo, precisamos olhar também para quem está ficando acordado para cuidar.
Porque amanhã a casa acorda, as obrigações voltam e aquele Cuidador que passou a madrugada inteira em pé terá que começar outro dia como se também tivesse dormido.
Instituto Berna Almeida (@institutobernalmeida)
Página e Grupo de Apoio Online: 1 Sujeito Chamado Alzheimer.
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Aviso médico: As informações deste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta com médico e/ou nutricionista. Cada pessoa tem necessidades individuais , busque sempre orientação profissional antes de Tratamento








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