ORIENTAÇÃO AO CUIDADOR
CURATELA: QUANDO O DINHEIRO E AS DESPESAS DA CASA ESTÃO TODOS MISTURADOS
“Minha mãe mora comigo, faço uma compra só no supermercado, pago uma conta de luz, meus irmãos ajudam por Pix e, às vezes, pago as coisas dela no meu cartão. Como vou prestar contas disso?”
Essa é a realidade de muitas famílias.
Antes da Curatela, ninguém estava pensando em processo judicial, a filha comprava o remédio da mãe, o irmão mandava um dinheiro, alguém pagava o Uber, a comida saía do mesmo supermercado e as contas da casa eram pagas normalmente.
Depois que chega a Curatela, vem o susto:
“Agora vou ter que provar cada centavo?”
A primeira mudança precisa ser de organização.
Supermercado
Se a pessoa curatelada mora com outras pessoas, não é correto simplesmente considerar toda a compra da casa como despesa dela.
Mas também não significa que alimentação, produtos de higiene e outros itens utilizados por ela deixem de ser despesas relacionadas aos seus cuidados.
Sempre que possível, identifique os gastos que são dela e guarde notas e comprovantes.
Água, luz, gás e outras despesas da casa
Aqui é preciso ter bom senso e documentação.
Se várias pessoas moram na residência, jogar 100% das despesas domésticas para a pessoa curatelada pode ser difícil de justificar.
Por outro lado, ela efetivamente mora naquela casa e gera despesas.
Por isso, quando houver compartilhamento de despesas, registre o critério utilizado e converse com o advogado ou defensor responsável pelo processo sobre a forma mais adequada de demonstrá-las ao juízo.
Aluguel
Se a pessoa curatelada mora em imóvel alugado, a situação precisa ser documentada.
Contrato, recibos, comprovantes bancários e a identificação de quem reside no imóvel ajudam a demonstrar a despesa.
Quando o imóvel também abriga outras pessoas, a forma de atribuir essa despesa à pessoa curatelada merece orientação específica.
Pix dos irmãos
O irmão mandou R$ 100, R$ 300 ou R$ 500 para ajudar a mãe?
Registre.
Não trate automaticamente todo Pix recebido como renda da pessoa curatelada. Anote quem enviou, o valor, a data e para qual finalidade aquele dinheiro foi destinado.
Quanto mais clara for a origem e a finalidade, mais fácil será explicar a movimentação depois.
Cartão de crédito do cuidador
Você pagou o medicamento da sua mãe no seu cartão?
Não significa que aquela despesa deixou de ser dela.
Guarde a nota fiscal, a fatura do cartão e, quando houver reembolso com o dinheiro da pessoa curatelada, registre também esse reembolso.
O que precisa ficar claro é a história daquela movimentação:
o que foi comprado, para quem, quanto custou e como foi pago.
Dinheiro vivo
É justamente onde a organização se torna mais difícil.
Pagou alguma coisa em espécie? Peça recibo ou nota sempre que possível.
Quando isso não for possível, faça um registro contemporâneo da despesa com data, valor, finalidade e estabelecimento ou pessoa que recebeu.
Esse registro não substitui necessariamente o comprovante que o juízo possa exigir, mas é muito melhor do que depender da memória meses depois.
Uber, táxi e transporte
Se o transporte foi necessário para levar a pessoa curatelada ao médico, fazer exames, buscar medicamentos ou atender outra necessidade dela, guarde o comprovante e registre a finalidade.
Não basta aparecer “Uber R$ 32,40”.
Anote:
“Uber – consulta de mamãe – cardiologista – 12/08.”
Meses depois, isso fará diferença.
Gasolina
Aqui é preciso ainda mais cuidado.
Abastecer R$ 300 no carro não significa que os R$ 300 sejam automaticamente uma despesa da pessoa curatelada.
O veículo também pode ser utilizado para outras finalidades.
Se houver gastos frequentes com deslocamentos relacionados aos cuidados, mantenha registros e peça orientação jurídica sobre o critério adequado para atribuição dessas despesas.
“Mas eu não tenho nota de tudo!”
Não invente recibo.
Não crie uma despesa que você não consegue demonstrar.
Não altere valores para a conta “fechar”.
Separe aquilo que possui comprovante daquilo que não possui e procure orientação jurídica sobre como apresentar as despesas não documentadas, caso seja necessário prestar contas.
“E se eu já misturei o dinheiro dela com o meu?”
Essa talvez seja a maior angústia dos Cuidadores.
Não tente consertar o passado criando documentos que nunca existiram.
Comece por aquilo que você consegue reconstruir legitimamente: extratos bancários, Pix, faturas, notas fiscais, recibos, comprovantes de farmácia, consultas, pagamentos e demais registros.
E, principalmente:
daqui para frente, organize.
Curatela muda a forma como precisamos olhar para o dinheiro.
Você continua comprando comida, pagando contas, levando ao médico e resolvendo a vida, a diferença é que agora precisa deixar um caminho documental que permita compreender:
Quanto entrou?
Quanto saiu?
Com o que foi gasto?
E por que aquela despesa era da pessoa curatelada?
É isso que transforma uma gaveta cheia de papéis em uma administração que pode ser explicada.
Instituto Berna Almeida (@institutobernalmeida)
Página e Grupo de Apoio Online: 1 Sujeito Chamado Alzheimer.
Aviso médico: As informações deste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta com médico e/ou nutricionista. Cada pessoa tem necessidades individuais , busque sempre orientação profissional antes de Tratamento








Nenhum comentário:
Postar um comentário
Vc é muito importante para mim, gostaria muito de saber quem é vc, e sua opinião sobre o meu blog,
bjs, Carla