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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Guia Alimentar para a População Brasileira – Suas diretrizes são aplicáveis às pessoas com diabetes?



Por Anelena Soccal Seyffart 
O Ministério da Saúde, através da Secretaria de Atenção à Saúde/ Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição, lançou em 2006 o Guia Alimentar para a População Brasileira - Promovendo a Alimentação saudável. 
O conteúdo exposto no guia reflete uma extensa pesquisa resultando numa abordagem que inclui o referencial teórico, as diretrizes e atributos da alimentação saudável além das bases epidemiológicas e científicas das diretrizes nacionais. As diretrizes são apresentadas na segunda parte do documento, incluindo sugestões decomo colocá-las em prática. 
Considerando que o plano alimentar das pessoas com diabetes tem como base a alimentação saudável, é interessante avaliar se estas diretrizes são úteis também para esta clientela. 
Diretriz 1 – Os alimentos saudáveis e as refeições
  • Refeições saudáveis são as que incluem alimentos variados, com tipos e quantidades adequadas às fases do curso de vida.
  • Número de refeições = três refeições por dia (café da manhã, almoço e jantar) intercaladas por pequenos lanches
Comentário: Incentiva o consumo de alimentos de maneira harmoniosa, o que é adequado para as pessoas com diabetes.

Diretriz 2- Cereais, tubérculos e raízes 
  • Os alimentos fontes de carboidratos – amidos são a mais importante fonte de energia.
  • Seu consumo deve garantir parcela substancial da energia diária da alimentação.
  • Incentivo ao consumo de alimentos fontes de carboidratos preferencialmente integrais.
Comentário: Reforça a importância dos alimentos integrais por terem sua composição vitamínica, mineral e de fibras preservada, além de terem importante papel na prevenção de doenças e no tratamento de outras, entreelas, o diabetes mellitus.
Diretriz 3 – Frutas, legumes e verduras
  • Alimentos ricos em vitaminas, minerais e fibras, devendo estar presentes diariamente na alimentação.
  • Indicação de consumo diário de 3 porções de frutas e 3 porções de legumes e verduras nas refeições diárias.
Comentário: Esta indicação pode ser aplicada à orientação alimentar da pessoa com diabetes, considerando cada caso de acordo com as suas particularidades.  No entanto, assim como para a população em geral, seu consumo deve considerar as características de produção e hábitos regionais.
 Outro fator relatado é o baixo consumo destes alimentos pela população, independendo da faixa de renda, fato que também pode ser observado nas pessoas com diabetes. 
Diretriz 4 – Feijões e outros alimentos vegetais ricos em proteínas
  • Reforça a importância das leguminosas, das oleaginosas e sementes para a saúde.
  • Cominação arroz e feijão = saudável e completa em proteínas.
Comentário: O documento aponta para uma tendência de queda no consumo de feijão no país. O consumo desta e de outras leguminosas deve ser estimulado, nas condições adequadas às pessoas com diabetes, especialmente quando consideramos que estes alimentos apresentam um menor índice glicêmico.
Diretriz 5 – Leite e derivados, carnes e ovos
  • Descreve o papel de leite e derivados como fontes de cálcio e proteínas.
  • Apontam o alto valor biológico das proteínas de ovos, carnes, peixes, leite e derivados e sobre a alta biodisponibilidade do ferro presentes nas carnes.
Comentário: Os laticínios com menor teor de gordura são recomendados para a população adulta, o que está em concordância com as orientações sugeridas as pessoas com diabetes. O mesmo se aplica à recomendação para redução no consumo de carnes ricas em gorduras e sódio.
Diretriz 6 – Gorduras, açúcares e sal
  • O consumo rotineiro e em quantidade elevadas de gorduras, açúcar e sal aumenta o risco para doenças e seus agravos.
  • Reforça a importância da consulta aos rótulos dos alimentos industrializados para orientar a seleção adequada dos mesmos.
Comentário: Também há concordância com as orientações as pessoas com diabetes, especialmente no que se refere às gorduras trans e o uso preferencial de óleos vegetais e azeite. Outro aspecto importante é a recomendação de consumo de açúcares simples abaixo de 10 % da energia total diária, especificamente açúcar e alimentos preparados com este ingrediente.  
Hoje, com o aprofundamento nas pesquisas e com a utilização de estratégias como a contagem de carboidratos, o açúcar não está proibido na alimentação dos indivíduos com diabetes. No entanto, o uso indiscriminado não é recomendado pelos mesmos motivos que não o são para a população em geral: alimentos de baixa qualidade nutritiva, cariogênicos,etc.
Diretriz 7 – Água
  • Descreve a importância da água para o funcionamento do corpo humano.
  • Sugere um consumo médio de 6 a 8 copos  por dia, preferencialmente nos intervalos das refeições.
Comentário: O texto sugere incentivar a substituição de refrigerantes, bebidas alcoólicas e sucos industrializados por água, orientação bastante adequada para pessoas com diabetes. O documento citado aborda outras questões como atividade física e a qualidade sanitária dos alimentos.
Sua leitura pode auxiliar bastante o profissional na sua prática diária, especialmente no tópico – Colocando as diretrizes em prática com sugestões.  
Dra. Anelena  S. SeyffarthNutricionista Membro do Departamento de Nutrição e Metabologia da SBD – 2010/20111

Alimentação Saudável


Por João Felipe Mota 

Nos últimos 50 anos, o Brasil apresentou aumento da expectativa de vida, redução da mortalidade infantil, diminuição do número de nascimentos, aumento da população urbana e do poder aquisitivo. Estas alterações levaram a redução da mortalidade por doenças infecciosas e aumento das doenças crônicas não transmissíveis, como o diabetes, hipertensão e obesidade. Resultante aos fatores econômicos, demográficos e culturais ocorridos nas últimas décadas, observamos também a mudança do estado nutricional, devido às modificações do estilo de vida, alteração da qualidade da dieta e inatividade física.

A inadequação alimentar é uma das principais causas de risco a saúde. Na população da América Latina houve mudanças significativas no consumo alimentar, as quais podem estar associadas ao aumento na incidência das doenças crônicas não transmissíveis e aos maiores gastos com saúde.

No Brasil, a tendência no consumo de alimentos dos grupos dos cereais (principalmente os integrais), frutas, leguminosas, legumes e verduras é de queda. Enquanto isso, o consumo de biscoitos (grupo dos cereais) e de açúcares (grupo dos doces e açúcares) aumentou drasticamente. Essa mudança reflete a diminuição no consumo de fibras, que no Brasil a média era de 20g na década de 70 e de 12g na década de 90. De acordo com as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes, a recomendação para o consumo de fibras é de 20g diárias. As fibras podem ser encontradas principalmente na aveia, farelo de trigo integral, quinoa, linhaça, frutas, verduras, legumes, feijão, pães e cereais integrais.

Estudos têm mostrado que o consumo de fibras acima de 20g/ dia melhora a sensibilidade insulínica e reduz processos inflamatórios em indivíduos acima do peso.

Com a transição alimentar também se observa aumento no consumo dos grupos alimentares do leite e derivados e carnes, sendo que em 1974 o consumo desses grupos correspondia a 14,9% do consumo energético diário das famílias brasileiras; em 2003, essa participação foi de 21,2%. Em relação ao grupo das carnes o aumento ocorreu para os tipos bovina (superior a 22%), frango (superior a 100%) e embutidos (superior a 300%), ricos em gordura saturada e colesterol; já para os peixes, fonte de ácidos graxos insaturados, houve diminuição no consumo (menor que 50%) conforme mostrado na figura abaixo.

Alimentação Saudável

Variação (1974-2003) no consumo da carne bovina, frango, embutidos e peixes. Fonte: IBGE, 2004.

Com isso, a participação da gordura na dieta do brasileiro ultrapassou o valor energético total da dieta em 2003, representado principalmente pela gordura saturada. Entretanto, o consumo das gorduras insaturadas (monoinsaturada e poliinsaturada) ainda continua abaixo do recomendado. Para uma dieta saudável, deve-se dar preferência aos óleos vegetais, ricos em gordura insaturada, ao invés das gorduras animais, fonte de gordura saturada. Algumas fontes de gordura saturada seriam carnes gordas, manteiga, leite integral, bacon, torresmo, linguiça, salame e mortadela. As preferências seriam o óleo de oliva (azeite) e de linhaça para temperos, óleo de canola, girassol e amendoim para cozinhar.

Exemplos de carnes magras.
Carnes bovinaCarne bovina*Carne suínaAves
PatinhoContra-filéPernilFrango sem pele
MúsculoAcémFilé de lombo centralPeru sem pele
Miolo da paleta LagartoCarne de cordeiroChester sem pele
Coxão moleMaminha  
PeixinhoMiolo de Alcatra  
 Fraldinha  
*Cortes com fácil remoção da gordura.

Indivíduos que consumem dieta enriquecida com ácido graxo saturado e trans apresentam processos inflamatórios e níveis de coagulação sanguínea superiores aos que consumem quantidades adequadas desses ácidos graxos. Ao contrário, o maior consumo de ácido graxo monoinsaturado (azeite) promove redução dos processos inflamatórios que se associam ao diabetes, colesterol e triglicérides elevados, obesidade e ao maior risco de doenças cardíacas.

Estudos sugerem que a substituição da gordura saturada pela monoinsaturada pode promover perda da gordura corporal e/ou abdominal. Além disso, esta troca pode reduzir os riscos cardiovasculares. O consumo de maior quantidade de frutas e vegetais e menor em ácido graxo saturado previne doenças cardíacas.

O crescente aumento no consumo de refeições industrializadas também é um dos agravantes à saúde. Quanto maior a freqüência no consumo de fast foods por semana, por um longo período da vida, maior é o ganho de peso e maior o descontrole da glicemia.

A ciência comprova aquilo que há séculos é de conhecimento da sabedoria popular: a alimentação saudável é a base para a saúde. A natureza e a qualidade daquilo que se come e se bebe é de importância fundamental para a saúde e para as possibilidades de se desfrutar todas as fases da vida de forma produtiva e ativa, longa e saudável.

Ressalta-se que a prática de atividade física é igualmente estratégica para redução de peso e controle da glicemia. Não é possível separar o consumo alimentar do gasto energético. A rápida ou “instantânea” perda de peso impede a perda de gordura corporal. O que se perde, nesses casos, é água corporal e músculo que pesa na balança. Com a orientação de um nutricionista, os resultados de perda de peso e controle da glicemia, aspectos difíceis de serem alcançados pelas “dietas da moda”, podem ser excelentes e atingidos sem comprometimento da saúde e do estado nutricional.

Para consultar:
  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Guia alimentar para a população brasileira : Promovendo a alimentação saudável / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição – Brasília: Ministério da Saúde, 2005. 236p. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)
  2. Manual de Nutrição Pessoa com Diabetes. Departamento de Nutrição e Metabologia, Sociedade Brasileira de Diabetes.
  3. www.diabetes.org.br  

Dr.João Felipe MotaDoutorando em Nutrição UNIFESP
Coordenador e Professor do Curso de Nutrição da Universidade São  Francisco
Membro do Departamento de Nutrição da SBD 2010/2011

Nutrição



Por Dra Daniela Almeida
O excesso de peso vem crescendo continuamente desde a década de 70 e, no momento, é encontrado em cerca de metade dos brasileiros adultos. Nos últimos 6 anos, a frequência de pessoas com sobrepeso aumentou em mais de um ponto percentual ao ano, o que indica, que em cerca de dez anos, o excesso de peso poderá alcançar dois terços da população adulta brasileira, magnitude idêntica á encontrada na população dos Estados Unidos.
Já é bem sabido que o excesso de peso pode provocar o aparecimento de doenças crônicas, como Diabetes, Hipertensão Arterial e Doenças cardiovasculares. O Diabetes é um conjunto de distúrbios metabólicos que apresenta em comum a hiperglicemia, onde a maioria dos indivíduos também apresenta excesso de peso, Hipertensão arterial e dislipidemia.

Trata-se de uma doença bastante complexa, onde as intervenções devem contemplar essas múltiplas anormalidades, que além de controlar a glicemia, precisa evitar o aparecimento da Doença cardiovascular, a principal causa de morte nas pessoas com Diabetes.

O tratamento é realizado por meio de uma equipe multidisciplinar, onde o nutricionista é um profissional de suma importância, que prescreverá um plano alimentar individualizado, de acordo com as necessidades únicas de cada indivíduo. Por meio de uma anamnese detalhada, procura adequar gostos e desejos da pessoa com Diabetes, a fim de que seu tratamento seja viabilizado.

Profissional dedicado, o nutricionista está sempre experimentando novas receitas, a fim de evitar a monotonia das refeições, melhorar a adesão e unir saúde ao prazer de comer. Vibra com os resultados positivos, estimulando e entusiasmando o paciente, a fim de ajudar na melhora da sua autoestima. Mas, em alguns momentos, exige o cumprimento das pactuações, sobretudo  quando percebe que não surtiu o efeito esperado! Ô profissional exigente!

Neste dia (31/08) tão especial para nós, nutricionistas, a equipe do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes vem prestigiar a todos aqueles que amam e se dedicam a esta linda carreira.

Parabéns Nutricionistas!
*Nutricionista do Departamento de Nutrição da SBD