Nesse cenário, é importante lembrar que proteína e gordura também podem influenciar a glicemia.

Proteína e gordura também podem elevar a glicose

Existe uma crença comum de que apenas carboidratos aumentam a glicose. No entanto, a nutricionista alerta que o excesso de proteína e gordura pode gerar impacto glicêmico.

A diferença é que esse efeito costuma acontecer mais lentamente.

Segundo Carol Netto, parte da proteína consumida pode ser convertida em glicose pelo organismo. Já a gordura tende a retardar esse processo e prolongar seus efeitos.

Por isso, a glicemia pode permanecer estável logo após a refeição e subir algumas horas depois.

Em muitos casos, a elevação aparece entre duas e três horas após o churrasco. Além disso, quanto maior a quantidade consumida, maior tende a ser o impacto.

Linguiça e cortes mais gordurosos exigem atenção

Alguns alimentos comuns no churrasco concentram mais gordura. É o caso da linguiça e de determinados cortes de carne. Nesses alimentos, a combinação entre proteína e gordura pode tornar o controle glicêmico mais complexo.

Enquanto isso, a sensação de saciedade pode dificultar a percepção da quantidade realmente consumida. Por esse motivo, a especialista recomenda atenção ao volume ingerido durante todo o evento.

Os acompanhamentos também entram na conta

Além da carne, os acompanhamentos merecem atenção. Arroz, pão e farofa são fontes de carboidratos e podem contribuir para o aumento da glicose. Portanto, o impacto do churrasco não depende apenas da carne.

Cada pessoa responde de forma diferente aos alimentos. Fatores como idade, peso, tipo de diabetes, uso de medicamentos e quantidade consumida influenciam diretamente os resultados. Por isso, não existe uma quantidade universal que funcione para todos.

Monitorar a glicemia é parte do cuidado

Para quem usa sensor de glicose, Carol Netto recomenda observar os dados com mais frequência durante e após o churrasco.

Já quem utiliza glicosímetro pode realizar medições adicionais para entender como o organismo reage à refeição.

Além disso, pessoas que usam insulina ou medicamentos para diabetes devem manter o tratamento conforme a orientação recebida da equipe de saúde.

Segundo a nutricionista, a monitorização ajuda a identificar alterações que podem ocorrer horas depois do consumo.

A dica da nutricionista para quem tem diabetes

Uma orientação prática apresentada por Carol Netto é evitar consumir apenas carne durante o churrasco.

Segundo ela, o ideal é montar um prato completo, incluindo proteína, salada e acompanhamentos.

Dessa forma, a refeição fica mais equilibrada e reduz a concentração excessiva de gordura e proteína em uma única refeição.

Além disso, essa estratégia pode facilitar o controle glicêmico após o churrasco.

A nutricionista destaca que o objetivo não é restringir alimentos, mas construir uma refeição variada e sem exageros.

5 dicas para o churrasco de quem tem diabetes

  1. Não consuma apenas carne durante toda a refeição.
  2. Inclua saladas e acompanhamentos para compor um prato mais equilibrado.
  3. Observe a quantidade consumida ao longo do evento.
  4. Monitore a glicemia com mais frequência antes e após o churrasco.
  5. Mantenha o uso da insulina e dos medicamentos conforme orientação médica.

Para Carol Netto, o churrasco pode fazer parte da alimentação de quem vive com diabetes. O principal cuidado está na quantidade consumida, na composição do prato e no acompanhamento da glicemia após a refeição.

DIABÉTICO PODE COMER CHURRASCO? | Tom Bueno