Começar a refeição pelas fibras e proteínas pode reduzir o pico de glicose e melhorar o controle do diabetes tipo 2, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes
Quem convive com diabetes tipo 2 costuma prestar atenção na quantidade de carboidratos consumida. No entanto, a ordem em que os alimentos são ingeridos também pode influenciar o comportamento da glicose após as refeições. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), iniciar a refeição pelas fibras e proteínas, antes dos carboidratos, pode reduzir o pico glicêmico e favorecer o controle da doença.
A alimentação faz parte do tratamento do diabetes tipo 2. Além dos medicamentos, quando indicados, a terapia nutricional pode retardar ou até evitar o desenvolvimento da doença em pessoas com maior risco. O objetivo é manter a glicemia o mais próxima possível da faixa recomendada e favorecer o controle ao longo do tempo.
Comer salada e carne antes do arroz pode fazer diferença
Na prática, uma refeição tradicional com salada, carne, arroz e feijão pode ter resultados diferentes dependendo da ordem em que esses alimentos são consumidos.
De acordo com a SBD, a estratégia consiste em iniciar a refeição pelas verduras e legumes, seguir com a fonte de proteína e deixar os alimentos ricos em carboidratos para o final.
Assim, uma sequência possível seria:
Salada e outros vegetais ricos em fibras;
Carne, frango, peixe, ovos ou outra fonte de proteína;
Arroz, feijão e outros alimentos com maior quantidade de carboidratos.
Segundo a entidade, essa estratégia ajuda a reduzir a velocidade de absorção da glicose após a refeição e promove um achatamento da curva glicêmica.
Por que essa ordem pode ajudar no controle da glicose?
A SBD explica que as proteínas estimulam a produção de insulina e diminuem o esvaziamento do estômago. Como consequência, a entrada da glicose na circulação ocorre de forma mais lenta, reduzindo o pico glicêmico após a refeição.
Estudos realizados com pessoas com diabetes tipo 2 mostraram que consumir proteínas antes de refeições que contêm carboidratos melhora o controle glicêmico e reduz o índice glicêmico da alimentação.
Além disso, pesquisas apontaram que iniciar a refeição pelas fibras e proteínas reduziu o pico de glicose em cerca de 73% e o pico de insulina em aproximadamente 48%.
Estudo mostrou redução da hemoglobina glicada
Os benefícios também apareceram em um estudo realizado em 2016 com pessoas com diabetes tipo 2 durante oito semanas.
Os participantes que consumiram primeiro a salada e a proteína, deixando os carboidratos para o final, apresentaram redução significativa da hemoglobina glicada (HbA1c), exame que mostra a média da glicose dos últimos meses.
Enquanto isso, o grupo que ingeriu exatamente os mesmos alimentos e a mesma quantidade de calorias, mas sem seguir uma ordem específica, não apresentou melhora.
Segundo a SBD, pacientes que utilizaram sensores de monitoramento contínuo da glicose também demonstraram redução do pico glicêmico precoce quando consumiram proteínas antes da refeição.
As proteínas também ajudam na saciedade
Além do impacto na glicemia, a proteína exerce outras funções importantes no organismo.
Ela fornece aminoácidos necessários para o crescimento, manutenção e reparação da massa muscular. Também contribui para aumentar a saciedade e pode ajudar na preservação da massa magra durante o emagrecimento.
Outra pesquisa comparou dietas com 30% e 15% das calorias provenientes de proteínas. O grupo que consumiu maior quantidade desse macronutriente apresentou melhora no peso corporal, redução da glicemia de jejum e menor necessidade de insulina.
Por isso, a SBD recomenda distribuir o consumo de proteínas ao longo do dia, em diferentes refeições.
Quais alimentos são fontes de proteína?
As proteínas podem ser encontradas em alimentos de origem animal e vegetal.
Entre as fontes de origem animal estão:
ovos;
carnes;
aves;
peixes;
queijos;
iogurtes.
Já entre as proteínas vegetais estão:
feijão;
soja;
lentilha;
ervilha;
grão-de-bico.
Segundo a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2022, pessoas com diabetes que não apresentam doença renal devem consumir entre 1 e 1,5 grama de proteína por quilo de peso corporal por dia, ou entre 15% e 20% das calorias diárias.
A entidade destaca, no entanto, que essa quantidade deve ser individualizada conforme o estado nutricional, nível de atividade física, hábitos alimentares, cultura e necessidades de cada pessoa.
Quando a alimentação não consegue atingir essa recomendação ou existe deficiência nutricional, suplementos proteicos podem ser prescritos por profissionais de saúde.
Exagerar na proteína também pode influenciar a glicose
Embora a proteína ajude no controle glicêmico, consumir grandes quantidades também pode alterar a glicemia horas depois da refeição.
Segundo a SBD, refeições com pelo menos 30 gramas de proteína acompanhadas de carboidratos, o equivalente a cerca de 150 gramas de carne, ou aproximadamente 75 gramas de proteína isolada, equivalente a cerca de 300 gramas de carne, podem aumentar o risco de hiperglicemia tardia entre duas e seis horas após a refeição.
Pesquisas também mostraram que porções entre 12,5 e 50 gramas de proteína, quando consumidas sem carboidratos, não elevaram significativamente a glicemia. No entanto, ingestões entre 75 e 100 gramas provocaram aumento da glicose semelhante ao efeito de aproximadamente 20 gramas de carboidratos.
Quem usa insulina pode precisar de ajustes
Esses resultados são importantes para pessoas que utilizam insulina.
Segundo uma revisão de estudos, refeições com grande quantidade de proteínas e gorduras podem exigir um adicional de aproximadamente 30% a 35% na dose de insulina calculada pela contagem de carboidratos.
A SBD ressalta, porém, que ainda não existe um algoritmo único capaz de definir esse ajuste para todas as pessoas com diabetes.
Outro ponto de atenção é o risco de hipoglicemia nas primeiras duas horas após a refeição. Como refeições ricas em proteínas retardam o esvaziamento do estômago e a conversão da proteína em glicose acontece mais tarde, aplicar uma dose maior de insulina antes da refeição pode aumentar esse risco.
Por esse motivo, qualquer ajuste deve ser feito com acompanhamento médico e nutricional.
Monitorar a glicose ajuda a entender a resposta do organismo
A SBD recomenda que pessoas com diabetes observem como a glicose responde às refeições, principalmente quando elas contêm grande quantidade de proteínas, como em churrascos.
Nesses casos, medir a glicemia antes da refeição e novamente duas, três e cinco horas depois pode ajudar a identificar a necessidade de ajustes no tratamento.
Quem utiliza sensores de monitoramento contínuo da glicose também pode analisar os gráficos gerados pelo equipamento para compreender melhor a resposta do organismo aos alimentos.
A entidade reforça que estratégias nutricionais devem ser individualizadas e adaptadas à realidade de cada paciente. Pessoas com doença renal ou necessidades proteicas específicas também precisam seguir orientações próprias para o seu quadro clínico.
Gerente de Conteúdo e Redes Sociais - Jornalista mineira, natural de Uberlândia, Laura é descolada, sensível e criativa. Traz para o projeto uma visão estratégica e conectada com as tendências digitais. É responsável pela distribuição dos conteúdos nas redes sociais, escreve reportagens especiais para o portal e atua na produção audiovisual. Desde que abraçou a causa do diabetes, há três anos, mergulhou no universo do Um Diabético com dedicação e empatia. Está constantemente se atualizando para potencializar o alcance e o impacto do nosso conteúdo.
FONTE: https://umdiabetico.com.br/
obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs
Carla
Aviso médico: As informações deste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta com médico e/ou nutricionista. Cada pessoa tem necessidades individuais , busque sempre orientação profissional antes de
Alimentos sem açúcar fazem parte da rotina de muitas pessoas com diabetes. No entanto, essa escolha não deve considerar apenas a ausência de açúcar na embalagem. Em muitos casos, a indústria substitui a sacarose por adoçantes, também chamados de edulcorantes.
Segundo informações da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), os adoçantes são compostos por substâncias naturais ou sintéticas. Eles têm como principal função adoçar alimentos e bebidas. Portanto, a preocupação maior dessas fórmulas está no sabor, e não no valor nutricional.
Nesse contexto, um produto sem açúcar não significa, automaticamente, um alimento mais indicado para a saúde. A avaliação deve considerar a composição, a quantidade consumida e a frequência de uso.
O que são adoçantes e edulcorantes
Os edulcorantes são substâncias usadas para dar sabor doce aos alimentos. Alguns têm calorias reduzidas em comparação ao açúcar. Outros têm poucas calorias ou não apresentam calorias.
Entre os polióis estão eritritol, isomaltitol, lactitol, maltitol, manitol, sorbitol e xilitol. Eles contêm menos calorias do que o açúcar. No entanto, o poder de adoçar varia de 45% a 100% em relação ao açúcar comum.
Por outro lado, adoçantes como aspartame, acessulfame de potássio, ciclamato de sódio, neotame, sacarina sódica, sucralose, stevia e taumatina têm poucas calorias ou não têm calorias. Além disso, eles apresentam poder de adoçar maior que o açúcar.
Existe quantidade segura para consumir adoçante?
A segurança dos adoçantes segue critérios definidos por órgãos internacionais. A regulação de aditivos alimentares, como os adoçantes, passa pelo Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives, conhecido como JECFA.
Esse comitê define a ingestão diária aceitável, chamada de IDA, para cada substância. O cálculo considera o peso corporal da pessoa. Para chegar ao limite, basta multiplicar o peso pela IDA de cada adoçante.
No caso dos polióis, a IDA aparece como “não especificada”. Essa classificação significa que a substância apresenta baixa toxicidade, de acordo com os dados disponíveis. Ainda assim, isso não significa consumo sem limite.
Polióis podem causar desconforto intestinal
Mesmo com classificação de baixa toxicidade, os polióis exigem atenção. Segundo a SBD, o consumo acima de 30 a 40 gramas por dia pode causar diarreia, estufamento e dores abdominais.
Por isso, a recomendação envolve moderação. Quanto menor o consumo, melhor tende a ser a adaptação da rotina alimentar. Essa orientação vale especialmente para quem usa produtos “zero açúcar” com frequência.
Nesse caso, o risco não está apenas no adoçante isolado. O problema pode aparecer quando a pessoa soma vários produtos adoçados ao longo do dia.
Adoçantes podem afetar a glicose?
Apesar de existir uma recomendação segura aceitável, estudos recentes observam relação entre o uso regular dessas substâncias e prejuízo em respostas glicêmicas. Também há associação com maior risco de doenças metabólicas e aumento do ganho de peso.
Novos estudos apontam que a intolerância à glicose induzida por adoçantes pode ocorrer por alterações na microbiota intestinal. A microbiota reúne bactérias que vivem no intestino e participam de funções do organismo.
Embora o mecanismo ainda não esteja totalmente claro, pesquisadores consideram que substitutos da sacarose podem interferir na diversidade dessas bactérias. Essa alteração pode iniciar um quadro de disbiose, quando há desequilíbrio na microbiota.
Quem tem diabetes precisa usar adoçante?
O uso de adoçantes pode ser uma ferramenta no tratamento nutricional do diabetes. No entanto, ele não é essencial para todas as pessoas.
A escolha deve considerar o plano alimentar, a rotina, as preferências e a orientação profissional. Além disso, a SBD recomenda moderação e rodízio entre os tipos de adoçante.
Essa orientação ajuda a reduzir o consumo repetido de uma mesma substância. Também evita a ideia de que todo alimento sem açúcar pode ser consumido sem atenção.
Produto zero açúcar também pode ter aditivos
Segundo as diretrizes da SBD, reduzir a sacarose nos produtos industrializados não deve significar aumento expressivo de edulcorantes e outros aditivos.
A prioridade deve ser o consumo de alimentos in natura e minimamente processados. Além disso, a moderação no consumo de alimentos processados e ultraprocessados deve valer para toda a população, com ou sem diabetes.
Portanto, o rótulo “sem açúcar” precisa ser analisado com cuidado. A ausência de açúcar não transforma um produto ultraprocessado em alimento de consumo livre.
Treinar o paladar pode reduzir a dependência do doce
Uma das orientações da SBD é acostumar o paladar a alimentos menos doces. Essa mudança pode ocorrer aos poucos.
Com o tempo, a pessoa pode perceber que precisa de menos sabor doce para aceitar alimentos e bebidas. Nesse processo, o adoçante deixa de ser a única alternativa para substituir o açúcar.
Para quem convive com diabetes, essa estratégia pode ajudar na rotina alimentar. Ainda assim, qualquer mudança deve respeitar a realidade de cada pessoa e o acompanhamento da equipe de saúde.
Gerente de Conteúdo e Redes Sociais - Jornalista mineira, natural de Uberlândia, Laura é descolada, sensível e criativa. Traz para o projeto uma visão estratégica e conectada com as tendências digitais. É responsável pela distribuição dos conteúdos nas redes sociais, escreve reportagens especiais para o portal e atua na produção audiovisual. Desde que abraçou a causa do diabetes, há três anos, mergulhou no universo do Um Diabético com dedicação e empatia. Está constantemente se atualizando para potencializar o alcance e o impacto do nosso conteúdo.
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