Com a chegada do inverno, a saúde das pessoas idosas volta ao centro do debate em saúde pública, não apenas pelo aumento esperado de doenças respiratórias, mas pela combinação de fatores fisiológicos, ambientais e sociais que ampliam a vulnerabilidade.
A redução da termorregulação, somada ao ar frio e seco e à maior permanência em ambientes fechados, cria um cenário propício à circulação de vírus e bactérias, enquanto o processo natural de imunossenescência reduz a capacidade de resposta do organismo. Nesse contexto, especialistas reforçam medidas já conhecidas, vacinação atualizada, hidratação, ventilação dos ambientes e atenção a sinais clínicos precoces.
Estudos apontam que ainda subestimam o risco associado ao frio, mesmo diante de evidências de maior risco de internações e desfechos graves, o que expõe uma lacuna entre conhecimento e prática. Iniciativas comunitárias e domiciliares, além do apoio de serviços de atenção primária e até farmácias comunitárias, mostram potencial de mitigação desses riscos, embora enfrentem limitações estruturais e de alcance.
Em síntese, o inverno não apenas testa a fisiologia do envelhecimento, mas também a efetividade das políticas de cuidado e a capacidade da sociedade de transformar evidências científicas em proteção concreta.
Fontes: British Journal of Healthcare Management (DOI: 10.12968/bjhc.2025.0094) The European Journal of Public Health (DOI: 10.1093/eurpub/ckae153) e Metrópoles Saúde.
Aviso médico: As informações deste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta com médico e/ou nutricionista. Cada pessoa tem necessidades individuais , busque sempre orientação profissional antes de
Na Geriatria e na Gerontologia, quando falamos em cuidar da pessoa idosa, existe um conceito fundamental chamado Os 5 Is da Geriatria. Eles são conhecidos como os "Gigantes da geriatria" porque representam as cinco principais condições que mais afetam a independência, a qualidade de vida e a saúde na longevidade.
Entender esses cinco pilares ajuda cuidadores e familiares a identificarem sinais de alerta antes que uma perda funcional se torne definitiva. Veja o que significa cada um dos "Is":
1. Incompetência Cognitiva
Este "I" refere-se ao declínio das funções cerebrais. Entram aqui as demências (como Alzheimer e Demência Vascular), além de quadros de confusão mental aguda (delirium) provocados por infecções ou internações. O foco aqui é notar quando o esquecimento ou a desorientação começam a atrapalhar as tarefas do dia a dia.
2. Instabilidade Postural
É a perda de equilíbrio e a incapacidade de se manter ereto com segurança. Esse fator está diretamente ligado ao risco de quedas. Fraqueza muscular, tonturas, problemas de visão ou o uso de múltiplos medicamentos podem deixar o idoso instável, exigindo adaptações no ambiente da casa.
3. Imobilidade
Acontece quando a pessoa perde a capacidade de se deslocar ou realizar movimentos de forma autônoma. Pode ser causada por dores crônicas nas articulações (artrose), sequelas de um AVC ou pelo próprio medo de cair (que faz o idoso se isolar na cama ou na poltrona). A imobilidade prolongada enfraquece o corpo rapidamente.
4. Incontinência (Urinária ou Fecal)
É a perda involuntária de urina ou fezes. Longe de ser "normal da idade", a incontinência é um problema de saúde que causa imenso constrangimento, isolamento social e pode predispor a infecções de urina recorrentes. Existem tratamentos, exercícios e manejos adequados para cada caso.
5. Latrogenia
Este termo técnico significa, basicamente, qualquer dano ou efeito colateral causado pelo próprio tratamento médico. O exemplo mais comum na geriatria é a "polifarmácia" (o uso de muitos remédios ao mesmo tempo), onde a interação entre as pílulas causa tontura, sonolência excessiva e quedas, prejudicando o paciente em vez de ajudar.
Como funciona o olhar dos 5 Is?
Eles não acontecem isolados. Muitas vezes, um "I" puxa o outro. Por exemplo: um paciente com Incompetência Cognitiva (demência) pode tomar um remédio forte (Iatrogenia), que causa tontura (Instabilidade Postural), gerando uma queda que o deixa acamado (Imobilidade).
Identificar onde o ciclo começa é o segredo para proteger a autonomia de quem amamos.
Gerente de Conteúdo e Redes Sociais - Jornalista mineira, natural de Uberlândia, Laura é descolada, sensível e criativa. Traz para o projeto uma visão estratégica e conectada com as tendências digitais. É responsável pela distribuição dos conteúdos nas redes sociais, escreve reportagens especiais para o portal e atua na produção audiovisual. Desde que abraçou a causa do diabetes, há três anos, mergulhou no universo do Um Diabético com dedicação e empatia. Está constantemente se atualizando para potencializar o alcance e o impacto do nosso conteúdo.
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