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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

DIABETES: Insulina estraga? Saiba quando ela perde a validade depois de aberta

 

Entenda quanto tempo a insulina pode ser usada após a abertura e quando ela deve ser descartada

Muitas pessoas que vivem com diabetes usam insulina todos os dias. No entanto, poucos sabem que esse medicamento tem um prazo de uso após a abertura. Quando o medicamento estraga ou perde a eficácia, o controle da glicemia pode falhar, mesmo que a dose aplicada seja a mesma.

Segundo Gabriela Cavicchioli, enfermeira especializada em diabetes, a validade impressa na embalagem vale apenas para frascos ou canetas fechados e armazenados corretamente. Depois da primeira utilização, o tempo de uso muda e deve ser respeitado.


Quando o medicamento estraga após aberta

A validade depende do momento em que o frasco ou a caneta é aberto pela primeira vez. A partir desse dia, começa a contar um novo prazo de utilização.

Gabriela explica que as insulinas NPH, Regular, Glargina e os análogos, como Lispro e Aspart, podem ser utilizadas por até 28 dias após a abertura. Já a Degludeca tem prazo de até 56 dias.

Por isso, a orientação é anotar a data da primeira utilização e também o dia em que o medicamento deverá ser descartado. Mesmo que ainda reste insulina no frasco ou na caneta, o prazo deve ser respeitado para reduzir o risco de perda da eficácia.

Como identificar quando a insulina pode ter perdido a eficácia

A suspeita costuma surgir quando a glicemia permanece elevada mesmo após a aplicação da dose de correção.


Segundo a endocrinologista Denise Franco, um dos primeiros sinais é quando a glicose não reduz entre 50 e 100 mg/dL após a aplicação da insulina.

Antes de concluir que a insulina estragou, a médica orienta verificar outros fatores que podem explicar a hiperglicemia. Entre eles estão erros na contagem de carboidratos, consumo de alimentos ricos em gordura ou proteína e falhas durante a aplicação.

Se essas possibilidades forem descartadas e a glicemia continuar alta, a insulina passa a ser uma das causas que precisam ser investigadas.

Aplicação e armazenamento também interferem no tratamento

Nem sempre o problema está no medicamento. Denise Franco recomenda conferir se a insulina está saindo corretamente pela agulha antes da aplicação.

Também é importante observar rachaduras na caneta, vazamentos ou cheiro de insulina na parte externa do dispositivo. Esses sinais podem indicar perda do medicamento durante a aplicação.

Outro cuidado envolve a aparência da insulina. As apresentações transparentes devem permanecer claras e sem partículas. Já as insulinas turvas, como a NPH, precisam ficar homogêneas após serem movimentadas suavemente. Caso permaneçam grumos ou separação das fases, a recomendação é não utilizar o medicamento.

O armazenamento também influencia a conservação da insulina. Antes de aberta, ela deve permanecer refrigerada entre 2°C e 8°C. Depois da abertura, o medicamento pode permanecer fora da geladeira pelo período indicado pelo fabricante, desde que fique em ambiente protegido do calor.

Insulina: quem deve usar
Imagem de uma aplicação de insulina na barriga

O que fazer diante da suspeita de insulina estragada

Quando houver suspeita de perda da eficácia, Denise Franco orienta interromper o uso da insulina e iniciar outro frasco ou caneta armazenados corretamente.

A endocrinologista também recomenda aumentar a frequência da monitorização da glicemia para acompanhar a resposta ao novo medicamento e manter boa hidratação enquanto os níveis permanecem elevados.

Além disso, pessoas que utilizam pequenas quantidades de insulina, como muitas crianças, devem prestar atenção ao prazo após a abertura. Mesmo que ainda exista medicamento disponível, ele deve ser descartado quando atingir o limite de uso indicado.

Cuidados para evitar problemas com a insulina

  • Anote a data em que o frasco ou a caneta foi aberto pela primeira vez.
  • Respeite o prazo de uso indicado para cada tipo de insulina, mesmo que ainda reste medicamento.
  • Armazene a insulina conforme as orientações do fabricante.
  • Observe se a insulina apresenta mudança de cor, partículas ou alteração na aparência.
  • Confira se a caneta ou o frasco estão funcionando corretamente antes da aplicação.
  • Se a glicemia permanecer alta sem motivo aparente, utilize um novo frasco ou caneta e procure orientação da equipe de saúde.

Gerente de Conteúdo e Redes Sociais - Jornalista mineira, natural de Uberlândia, Laura é descolada, sensível e criativa. Traz para o projeto uma visão estratégica e conectada com as tendências digitais. É responsável pela distribuição dos conteúdos nas redes sociais, escreve reportagens especiais para o portal e atua na produção audiovisual. Desde que abraçou a causa do diabetes, há três anos, mergulhou no universo do Um Diabético com dedicação e empatia. Está constantemente se atualizando para potencializar o alcance e o impacto do nosso conteúdo


Jornalista com quase 30 anos de experiência em televisão no interior de São Paulo, atuando como coordenadora de conteúdo e responsável por produção de pautas. Atualmente é produtora executiva na TB Content.









 
 
 




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  • ⚕️ Aviso médico: As informações deste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta com médico e/ou nutricionista. Cada pessoa tem necessidades individuais busque sempre orientação profissional antes de Tratamento


Descubra qual o melhor tipo de cerveja para quem tem diabetes

 


Low carb, Pilsen, IPA, Stout e versões sem álcool: especialista explica como cada estilo pode influenciar o controle do diabetes.


Hoje, primeiro de agosto é Dia Mundial da Cerveja, e muita gente já planeja brindar com os amigos. Para quem tem diabetes, surge uma dúvida comum: dá para participar da comemoração sem colocar a glicemia em risco?

Dá sim, desde que a escolha da bebida e o momento do consumo sejam pensados com cuidado. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), moderação é a palavra-chave para brindar sem sustos.

Como o álcool interage com os remédios para diabetes

A cerveja é produzida a partir da fermentação de cereais, principalmente a cevada maltada, com água, lúpulo e leveduras. Assim, o resultado é uma bebida com carboidratos, álcool e pequenas quantidades de minerais.

“Algumas versões, como as artesanais e até mesmo comerciais, podem ter ainda açúcar, frutas ou especiarias, alterando o teor calórico e glicêmico”, explica Tarcila Campos, nutricionista e educadora em diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Para quem tem diabetes, o consumo de álcool pode provocar tanto hiperglicemia quanto hipoglicemia. Além disso, o risco de hipoglicemia aumenta especialmente em quem usa insulina ou medicamentos com efeito hipoglicemiante. Isso ocorre porque o álcool interfere na forma como o organismo regula a glicose no sangue.

Vale lembrar que o álcool também é calórico: fornece 7 kcal por grama, sem oferecer nenhum nutriente essencial. Por isso, o consumo em excesso soma calorias vazias à dieta.


Ainda assim, segundo a SBD, a cerveja pode fazer parte da rotina de forma esporádica e planejada. Isso exige adaptações nutricionais adequadas e, se necessário, ajustes na medicação. Nesse sentido, conversar com nutricionista e médico antes de incorporar esse hábito é fundamental para reduzir riscos.

Qual cerveja escolher e quais estilos exigem mais atenção

A nutricionista Tarcila Campos avalia que a melhor escolha para quem tem diabetes são as cervejas low carb. Essas opções têm menor teor de carboidrato e de álcool, o que tende a gerar menos calorias e menor impacto na glicose.

“Entre as opções mais adequadas para consumo esporádico, com moderação, estão as cervejas low carb e com menor teor alcoólico. As cervejas zero álcool podem entrar na lista, mas é preciso ler o rótulo. Já as sem glúten não trazem benefício direto para a glicemia”, explica Tarcila.

Além da composição, o estilo da cerveja também influencia na resposta glicêmica. Entre as tradicionais, a Pilsen costuma ser a mais leve, com menos álcool e carboidratos. Já as APA e IPA concentram mais álcool e calorias, exigindo atenção redobrada. A Weiss também tem mais corpo e teor alcoólico, o que pede cuidado extra. No outro extremo, estilos como Stout e Bock reúnem alto teor alcoólico e calórico, representando maior risco de oscilação glicêmica.

“Cervejas com frutas, especiarias, mel ou lactose podem ter muito açúcar. Estilos encorpados e com alto teor alcoólico, como Stout, Bock e IPA dupla, também costumam concentrar mais calorias e carboidratos”, completa a nutricionista.

Cerveja sem álcool e sem glúten: vale a pena?

Muitas pessoas associam a cerveja sem álcool a uma escolha automaticamente segura, mas essa relação não se confirma em muitos casos. Segundo a SBD, boa parte das versões sem álcool tem açúcar adicionado, o que pode impactar a glicemia. Por isso, a leitura do rótulo e a preferência por opções com menos carboidrato seguem sendo essenciais.

Já a cerveja sem glúten atende principalmente quem tem doença celíaca ou intolerância. O glúten, por si só, não altera o açúcar no sangue, mas os carboidratos sim. Assim, uma cerveja sem glúten pode conter a mesma quantidade de carboidratos que uma versão comum. Portanto, o principal risco para quem tem diabetes continua sendo o álcool.

Como brindar com mais segurança

A orientação de Tarcila Campos é evitar beber em jejum. “Coma antes ou junto, priorizando fibras e proteínas. Intercale com água. Reduza o consumo à noite, pois o risco de hipoglicemia aumenta. E monitore a glicemia antes e depois”, finaliza.

Mesmo para quem não tem diabetes, o consumo excessivo de álcool, incluindo cerveja, aumenta o risco de desenvolver a doença. Segundo estudos citados pela SBD, esse risco pode chegar a 78%. Não existe, portanto, uma quantidade considerada totalmente segura para o controle glicêmico ou a prevenção do diabetes. A orientação é conversar com nutricionista e médico antes de incluir a cerveja na rotina.



Jornalista com quase 30 anos de experiência em televisão no interior de São Paulo, atuando como coordenadora de conteúdo e responsável por produção de pautas. Atualmente é produtora executiva na TB Content.









 
 
 




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domingo, 9 de agosto de 2026

Pacientes com câncer de pulmão vivem menos no SUS, mostra estudo

 


Pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas com alteração no gene ALK em estágio avançado ou metastático enfrentam desigualdades no diagnóstico e no acesso a tratamentos no Brasil. A conclusão é de dois estudos brasileiros publicados no mês passado na JCO Global Oncology, revista da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês).

Isso acontece, em partes, porque 85% a 93% dos pacientes com câncer de pulmão do SUS já estão em estágios avançados no momento do diagnóstico, o que afeta as chances de cura, conforme relatórios da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde). O governo já incorporou as terapias-alvo mais eficazes para esses casos.

Os estudos mostram, porém, que tanto o teste para identificar a alteração no gene ALK quanto os medicamentos indicados, apesar de incorporados, não chegam à maior parte dos pacientes. A alteração está presente em 3,2% dos casos de câncer de pulmão de células não pequenas, e esses pacientes são, em maioria, não fumantes e jovens (na faixa dos 50 anos).

À Folha, o Ministério da Saúde confirmou a indisponibilidade do remédio brigatinibe, usado para tratar a doença, ao afirmar que vai disponibilizar 23 medicamentos oncológicos de alto custo, entre eles o brigatinibe, de forma gradual a partir de outubro. Diz que o valor total de custo chega a R$ 2,2 bilhões.

"Será a maior entrega já realizada pelo SUS para ampliar o acesso da população aos tratamentos contra o câncer, um aumento de 35% na oferta dos fármacos na rede pública que vai solucionar pendências que chegavam a até 12 anos em alguns casos. Mais de 112 mil pacientes serão beneficiados", diz a pasta em nota.

Sobre o exame de imunohistoquímica para ALK, a pasta diz apenas que reconhece as disparidades regionais existentes, "uma vez que a sua oferta depende da estrutura instalada nos serviços habilitados em oncologia e da pactuação entre estados e municípios".

O Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano entre 2026 e 2028. A doença é dividida em dois grandes grupos: o de pequenas células e o de não pequenas células. Este último responde por cerca de 85% dos diagnósticos.

Segundo Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia, como a maioria dos pacientes chega ao diagnóstico em fase avançada, muitos já não têm possibilidade de tratamento curativo. "Então, eu tenho que oferecer para ele tempo de vida com qualidade", diz.

A terapia-alvo produz respostas mais profundas, controle da doença por mais tempo e melhor ação contra metástases no sistema nervoso central, frequentes nesse subtipo de tumor. Também é um tratamento oral mais bem tolerado do que a quimioterapia.

O medicamento bloqueia alterações específicas que fazem o tumor crescer, como a mutação em ALK, que quando sofre alteração genética envia sinais contínuos para a célula se dividir e sobreviver, favorecendo o crescimento do tumor.

Um dos estudos publicados no JCO analisou dados de 101 pacientes, com idade mediana de 55 anos. A sobrevida global, tempo entre o diagnóstico e a morte por qualquer causa, foi de cerca de 5,8 anos no sistema privado e de 1,8 ano no público.

Em relação ao tratamento no SUS, apenas 22,2% dos pacientes receberam inibidores de ALK como terapia de primeira linha, enquanto no sistema privado o índice foi de 53,9%.

O outro estudo foi um levantamento que ouviu 156 oncologistas brasileiros entre outubro de 2024 e março de 2025. Desses, 147 atuavam na rede privada e 107 no SUS; a soma ultrapassa o total de participantes porque muitos trabalham nos dois sistemas.

Os médicos confirmam que a quimioterapia ainda predomina no SUS, sendo usada como primeira linha em 94,4% dos casos e permanece majoritária nas linhas subsequentes, após resistência ou progressão da doença, com 95,3%. Apenas 10,3% dos pacientes receberam crizotinibe, terapia-alvo disponível na época, na primeira linha e 3,7% nas posteriores.

"Esse número nos preocupa. Para o paciente com câncer de pulmão ALK positivo, a terapia-alvo é o tratamento preferencial em primeira linha, com maior eficácia e melhor tolerabilidade do que a quimioterapia", afirma Samira Mascarenhas, autora do estudo e pesquisadora do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (Idor).

A principal barreira apontada foi a falta de cobertura financeira pelo sistema público, mencionada por 72,4% dos oncologistas.

O estudo avaliou quatro inibidores de ALK, terapias-alvo classificadas em gerações conforme seu desenvolvimento e capacidade de controlar a doença e superar resistência. O crizotinibe é de primeira geração; alectinibe e brigatinibe, de segunda; e lorlatinibe, de terceira.

Em outubro de 2025, a Conitec recomendou a exclusão do crizotinibe do SUS, decisão efetivada pelo Ministério da Saúde após análise que apontou alectinibe, brigatinibe e lorlatinibe como superiores em resposta clínica, controle de metástases cerebrais e desempenho geral.

  • Alectinibe e lorlatinibe foram excluídos da incorporação ao SUS por razões econômicas.

  • Desde maio de 2025, o brigatinibe passou a ser oferecido pelo SUS como primeira linha para pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas com translocação em ALK em estágio localmente avançado ou metastático, tornando-se o único inibidor de ALK disponível na rede pública.

A pesquisa avaliou o uso do crizotinibe, mas a oncologista Clarissa Baldotto, presidente da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica), afirma que o acesso ao brigatinibe também não acontece.

Segundo a médica, a incorporação não garante o acesso. Quando o valor repassado pelo SUS não cobre o custo da terapia, os hospitais deixam de comprar o medicamento para evitar prejuízo.

O estudo também mostra que a falta de diagnóstico limita o acesso às terapias. Apenas 43,9% dos médicos relataram disponibilidade do teste de rearranjo ALK no SUS.

Segundo Baldotto, a alteração pode ser investigada por imunohistoquímica, exame realizado com material da biópsia e incorporado ao SUS, mas ainda sem oferta regular em todos os serviços.

Holtz, no Instituto Oncoguia, diz que a testagem molecular é uma etapa essencial para definir o tratamento. "Esse paciente tem que saber o subtipo de câncer dele. Ele precisa ter acesso ao teste molecular", afirma. Segundo ela, sem essa informação, o paciente pode não receber a terapia-alvo ou a imunoterapia mais indicada.























 
 
 




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