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quinta-feira, 30 de julho de 2026

DIABETES: Por que controlar a glicemia fica mais difícil no inverno? Nutricionista explica

 

O aumento do apetite e a preferência por pratos mais calóricos são comuns no inverno, mas pequenas mudanças no cardápio ajudam a evitar picos de glicemia



Se o inverno costuma te trazer junto a vontade de um prato de massa bem quente ou um chocolate quente à noite, você não está sozinho. Para quem convive com diabetes, esse é justamente o momento de prestar mais atenção ao que vai ao prato. Isso porque o frio pode interferir na resposta do organismo à glicose e, em algumas pessoas, tornar o controle glicêmico mais desafiador.

Por que a fome muda no frio e como isso importa para quem tem diabetes

Nos dias mais frios, o corpo gasta mais energia para manter a temperatura interna estável. Além disso, isso costuma aumentar o apetite e a preferência por alimentos mais calóricos. Ao mesmo tempo, o frio pode reduzir a sensibilidade à insulina em algumas pessoas. Com isso, o mesmo prato pode gerar um impacto glicêmico maior do que geraria em outra estação.


“Não é coisa da sua cabeça sentir mais fome e mais vontade de comida quente no inverno. É o corpo pedindo energia para se aquecer. O que eu costumo dizer aos pacientes é simples: você não precisa lutar contra essa vontade. Só vale olhar com mais cuidado para o que compõe o prato, porque na estação fria o corpo reage diferente ao mesmo carboidrato.” Martha Amodio | Nutricionista especializada em condições crônicas e autoimunes

Não é proibir, é equilibrar

A boa notícia é que a estratégia nutricional para o inverno não passa por cortar os pratos quentes e reconfortantes, e sim por equilibrá-los. Alimentos ricos em fibras e proteínas ajudam a manter a saciedade.

Além disso, eles reduzem a velocidade com que a glicose entra na corrente sanguínea, algo útil quando o cardápio pende para o lado dos carboidratos. Mais importante do que retirar alimentos típicos do inverno é aprender a organizar a refeição como um todo, equilibrando carboidratos, proteínas, fibras e gorduras boas.

“Sopas bem-feitas, com bastante legumes e uma leguminosa, entregam a mesma sensação de aconchego de um prato de massa. Ainda assim, o impacto na glicose é bem menor. Não é sobre abrir mão do conforto do inverno. É sobre encontrar versões do que você já gosta que pesem menos no açúcar do sangue, orienta Martha Amodio.”

O que priorizar no prato de inverno

  • Sopas nutritivas com legumes pobres em carboidrato (chuchu, abobrinha, tomate, entre outros), leguminosas (feijão, lentilha) e proteínas magras.
  • Grãos integrais no lugar de massas e pães refinados.
  • Verduras e vegetais no início da refeição, antes do carboidrato — o que já ajuda a reduzir o pico glicêmico do prato como um todo.
  • Proteínas magras combinadas com fibras para aumentar a saciedade e evitar exageros.
  • Ervas e especiarias, como cúrcuma, alecrim, tomilho, páprica, orégano e gengibre, para intensificar o sabor sem excesso de sal e ainda somar compostos antioxidantes e anti-inflamatórios à alimentação.

No frio, troque a salada gelada por uma versão quente

Não é força de vontade: o corpo realmente pede menos alimentos frios e crus quando a temperatura cai. Isso não significa deixar de consumir verduras e legumes, mas trocar a forma de preparo. Em vez da salada crua e gelada, a dica é apostar em versões quentes.

Um refogado rápido de folhas com alho e azeite, legumes assados ou um caldo com folhas verdes entram no clima do inverno. Assim, dá para manter o valor nutricional sem perder o conforto do prato quente. O mais importante é manter o consumo de vegetais, independentemente da forma de preparo, respeitando a preferência de cada pessoa.


“No inverno, o próprio corpo já sinaliza menos vontade de comer cru e frio, e está tudo bem seguir esse sinal. Um caldo com folhas, tipo couve ou espinafre, ou um refogado bem temperado cumprem o mesmo papel da salada no prato. Só que quentinhos, e ainda ajudam a aquecer por dentro nos dias mais frios, explica Martha.”

Vale destacar que existem dois tipos de sopa, com funções diferentes no prato. A sopa completa reúne vegetais, carboidrato e proteína em uma única preparação e pode substituir a refeição principal. Já a sopa de entrada funciona como a salada. É um caldo ou creme de vegetais pobres em carboidrato, como chuchu, abobrinha, tomate, couve-flor, brócolis ou palmito. Assim, aquece o prato sem somar carga extra de carboidratos.

O que exige atenção redobrada

  • Massas, pães e doces em excesso, típicos da busca por conforto no frio.
  • Sopas cremosas industrializadas, que podem conter mais sódio e carboidratos refinados do que parece.
  • Bebidas quentes adocicadas, como chocolate quente e capuccino com açúcar, que somam carboidratos sem grande sensação de saciedade.
  • Bebidas preparadas com xaropes, leite condensado ou chantilly, que podem elevar bastante a carga de carboidratos.

Hidratação também é alimentação

No frio, a sensação de sede diminui, mas a necessidade de água do corpo não muda.


Além disso, a desidratação pode elevar os níveis de glicose e prejudicar a função renal. 


Por isso, manter o hábito de beber água ao longo do dia, mesmo sem sede, segue sendo parte da estratégia alimentar do inverno.


No inverno, é normal sentir mais fome e mais vontade de prato quente. O corpo está gastando energia extra para se aquecer, e isso não é falta de disciplina. O cuidado está em direcionar essa fome para escolhas que também aquecem, como sopas, caldos e refogados com folhas e legumes. 


Assim, dá para reservar as versões mais calóricas para o momento certo, sem exagero. Pequenos ajustes no preparo já fazem diferença no controle da glicose.


O inverno não precisa ser uma época de restrições: com pequenos ajustes nas escolhas e na forma de montar o prato, é possível aproveitar preparações quentes, saborosas e compatíveis com um bom controle glicêmico.




Jornalista com quase 30 anos de experiência em televisão no interior de São Paulo, atuando como coordenadora de conteúdo e responsável por produção de pautas. Atualmente é produtora executiva na TB Content.




FONTE: https://umdiabetico.com.br/glicemia-no-inverno-por-que-o-controle-fica-mais-dificil/







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abs

Carla



  • ⚕️ Aviso médico: As informações deste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta com médico e/ou nutricionista. Cada pessoa tem necessidades individuais busque sempre orientação profissional antes de Tratamento

Câncer se aproxima das doenças cardiovasculares como principal causa de morte no Brasil, diz Inca

 

São estimados 781 mil novos casos da doença por ano no país em cada ano do triênio 2026-2028. Com novo boletim do Inca, câncer segue como desafio para o SUS


O novo boletim do Instituto Nacional de Câncer (Inca), divulgado na última semana, traçou o cenário da doença para os próximos anos. A Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil prevê 781 mil novos casos de câncer no país em cada ano do triênio. Os números se explicam por fatores como envelhecimento da população, exposição a fatores de risco e diagnóstico tardio. 

Além disso, segundo o documento, o câncer se aproxima das doenças cardiovasculares como principal causa de morte no Brasil.

Entre os homens, os tumores mais comuns são os de próstata (30,5%), cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e cavidade oral (4,8%). Já entre as mulheres figuram o de mama (30,0%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e tireoide (5,1%). O câncer de pele não melanoma não aparece na lista porque segue como o mais frequente em ambos os sexos, com elevada incidência, mas baixa letalidade. 

“As estimativas, mais do que estatísticas, demonstram a importância de planejar e executar ações de prevenção, detecção precoce e acesso oportuno ao tratamento do câncer”, disse Marcia Sarpa, coordenadora de Prevenção e Vigilância do Inca. Afinal, além das estimativas, os números trazem alertas sobre desafios e oportunidades de apoiar a vigilância em saúde no curto prazo, com horizonte de até cinco anos.

Para planejar estratégias, é necessário olhar para as diferenças regionais. Segundo o relatório, o câncer de colo do útero está entre os mais incidentes no Norte e Nordeste, região que também tem a maior incidência de câncer de estômago entre os homens. Já no Sul e no Sudeste, os tumores mais frequentes são os associados ao tabagismo (pulmão e cavidade oral). 

“Esses padrões refletem a interação entre fatores demográficos, exposições ambientais e ocupacionais, estilos de vida e desigualdades no acesso aos serviços de saúde”, diz o texto.

Prevenção primária como principal estratégia

De forma geral, os achados reiteram, segundo o Inca, a relevância de fortalecer a prevenção primária, com medidas como:

  • Vacinação contra o HPV;
  • Controle do tabaco;
  • Promoção da alimentação saudável;
  • Incentivo à atividade física;
  • Estruturação de políticas voltadas ao diagnóstico oportuno, sobretudo para cânceres de mama, de colo do útero e de cólon e reto. 

As estimativas mostram que o câncer é um desafio crescente para a saúde da população brasileira. “Investir em políticas públicas de saúde é investir em vidas, garantindo que cada brasileiro e cada brasileira tenham melhores chances de prevenção, cuidado e sobrevida diante do câncer”, afirma o documento.




Luiza Adorna é jornalista, redatora, escritora e aborda assuntos relacionados à saúde.










FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/








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Carla



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quarta-feira, 29 de julho de 2026

MELHOR IDADE: Fator de risco para demência: como prevenir a perda auditiva?

 



Evitar a exposição prolongada ao ruído é uma das principais medidas para evitar a perda auditiva. Quando ela se instala, é fundamental buscar o tratamento adequado

Segundo diretriz recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), 45% dos fatores de risco associados à demência são modificáveis e podem, portanto, ser prevenidos ou retardados. A perda auditiva é um deles. Embora nem sempre possa ser evitada, ela pode ser tratada, de forma a preservar a qualidade de vida do indivíduo. A OMS recomenda o uso de aparelhos auditivos para adultos com a condição.

A perda auditiva relacionada à idade, principalmente quando não é tratada por anos, está associada a maior risco de declínio cognitivo e demência, incluindo o Alzheimer

“Os mecanismos não estão totalmente definidos, mas as hipóteses mais aceitas envolvem: sobrecarga cognitiva (o cérebro precisa fazer muito esforço para entender a fala), privação sensorial (menos estímulos sonoros para o cérebro) e isolamento social, todos fatores que podem acelerar o declínio cognitivo”, afirma Francis Gutierrez, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e professor do Instituto de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade Estadual de Campinas (IOU/Unicamp).


Sem tratamento, o problema pode ainda levar à ansiedadedepressão e prejuízos profissionais, além de contribuir para quedas e para o declínio funcional, o que compromete a autonomia da pessoa idosa. 

Outra queixa importante é o zumbido, um sintoma frequentemente decorrente da própria perda auditiva. “Ele não é considerado, isoladamente, um causador de demência, mas aparece no mesmo contexto de perda auditiva não tratada e comorbidades como ansiedade, insônia e depressão”, explica o médico. 

 

O que causa a perda auditiva

O especialista diz que as causas da perda auditiva variam conforme a idade. Em crianças, as principais são infecções de ouvido, fatores genéticos e algumas infecções adquiridas na gestação. Em jovens e adultos, o grande vilão é o ruído, especialmente pela exposição excessiva a fones de ouvido em volume alto e ambientes de trabalho barulhentos. 

Nos idosos, o principal fator é o envelhecimento natural do sistema auditivo, agravado por doenças como diabetes e hipertensão, e por toda uma vida de exposição ao ruído”, relata. A perda auditiva pode surgir em qualquer idade, mas se torna mais frequente depois dos 60 anos. 

O que fazer para prevenir a perda auditiva

Ao longo da vida, diversos cuidados contribuem para a prevenção da perda auditiva. O especialista elenca os principais:

  • proteção contra ruído: usar protetores auriculares em ambientes de trabalho ruidosos, shows, ensaios musicais, ferramentas ou máquinas barulhentas, além de evitar exposição prolongada a volumes elevados;
  • controle de volume e tempo de fones de ouvido: limitar o volume (regra prática: se outra pessoa ouve o som dos seus fones, está alto demais) e evitar o uso contínuo dos dispositivos por muitas horas seguidas;
  • cuidado com medicamentos: evitar a automedicação, especialmente com drogas potencialmente ototóxicas (certos antibióticos, diuréticos, quimioterápicos), seguindo sempre a orientação médica;
  • controle de fatores cardiovasculares e metabólicos: tratar hipertensão, diabetes, dislipidemia (colesterol alto) e obesidade e suspender o tabagismo, pois esses fatores estão associados a maior risco de perda auditiva por comprometimento vascular da cóclea (estrutura do ouvido responsável pela audição);
  • check-ups auditivos periódicos: especialmente a partir dos 50 a 60 anos, ou antes em pessoas com exposição a ruído ou história familiar importante, para detectar e  intervir precocemente em caso de alterações.

De acordo com o otorrinolaringologista, a maioria das recomendações vale também para a prevenção do zumbido, porque uma das causas mais frequentes do problema é justamente a perda auditiva induzida por idade, ruído e fatores metabólicos. Além disso, somam-se medidas como higiene do sono, manejo do estresse, redução de cafeína e álcool em excesso e evitar silêncio absoluto prolongado (sons ambientais suaves podem diminuir a percepção do zumbido em indivíduos predispostos). 

Não conseguimos impedir todo tipo de perda auditiva, porque há fatores genéticos e doenças que fogem ao nosso controle; mas, ao longo da vida, proteger-se do ruído, cuidar da saúde do coração, evitar automedicação e fazer check-ups da audição reduzem o risco de perda auditiva e de muitos casos de zumbido”, destaca Gutierrez. 


Como saber se a pessoa está com dificuldade para ouvir? 

Em idosos com perda auditiva, é comum que os familiares observem o problema antes do próprio paciente. Para isso, é importante atentar aos seguintes sinais de alerta: 

  • aumentar de forma repetida o volume da TV, rádio ou celular, até incomodar os demais;
  • pedir que repitam com frequência (perguntas como “hã?” ou “o quê?”), especialmente em ambientes com ruído de fundo ou conversas em grupo;
  • relatar que “escuta, mas não entende” quando várias pessoas falam ou quando a fala é rápida;
  • ter dificuldade para acompanhar conversa ao telefone ou para entender vozes agudas (como de mulheres e crianças);
  • passar a evitar encontros sociais, falar menos em reuniões de família, aparentar distração ou desatenção em rodas de conversa;
  • queixar-se de zumbido (barulho no ouvido) associado a qualquer um desses sinais.

Ao abordar o assunto, o especialista recomenda evitar a culpabilização ou o confronto direto e usar linguagem inclusiva, com frases como “nós percebemos”, “estamos preocupados com a sua saúde”, em vez de “você não escuta nada”. Também é importante normalizar a condição, destacando que atualmente existem opções de tratamento mais discretas e eficazes do que no passado. 

“[Outro ponto é] focar em qualidade de vida e preservação da memória: explicar que ouvir melhor ajuda a participar das conversas, diminui o cansaço mental e pode proteger a cognição”, diz o médico. “Propor inicialmente uma avaliação, não um aparelho: ‘vamos marcar uma consulta com o otorrino para conferir como está sua audição’, deixando a discussão sobre o aparelho para depois da avaliação”, completa. 

Tratamento da perda auditiva

O tratamento passa por causas reversíveis, quando presentes: cerúmen impactado, otites, alterações de pressão ou ventilação da orelha média, ajuste de medicamentos potencialmente ototóxicos, controle de fatores metabólicos e vasculares.

Em outros casos, recomendam-se os aparelhos auditivos ajustados ao perfil audiológico e às necessidades do idoso (mesmo pessoas com perdas leves podem se beneficiar do uso, destaca o médico), além de treinamento auditivo e estratégias de comunicação.

Em perdas severas ou profundas com pouco benefício de aparelhos, ele diz que é preciso considerar tecnologias como o implante coclear.

“Na maioria dos casos, não falamos em ‘curar’ a perda auditiva, e sim em dar ao cérebro o máximo de som útil possível, com conforto. Isso ajuda a diminuir o esforço para ouvir, reduzir o incômodo do zumbido e melhorar a qualidade de vida”, conclui Gutierrez. 



Maiara Ribeiro é jornalista e integra a redação do Portal Drauzio Varella desde 2018. Tem interesse principalmente em assuntos relacionados à primeira infância, saúde mental, longevidade e bem-estar.





FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/








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