A batata frita costuma ser apontada como um alimento que provoca menor elevação da glicose no sangue do que a batata cozida. A informação pode causar surpresa, mas a explicação está na forma como a gordura interfere na absorção dos carboidratos. Ainda assim, esse dado não significa que a fritura seja a melhor opção para quem convive com diabetes.
Segundo a nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos, membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), analisar apenas o índice glicêmico de um alimento pode levar a interpretações equivocadas. O impacto na glicemia é apenas um dos fatores que devem ser considerados na escolha dos alimentos.
Por que a batata frita tem índice glicêmico menor?
O índice glicêmico mede a velocidade com que os carboidratos elevam a glicose no sangue. Quando a batata é frita, ela passa a conter uma quantidade maior de gordura. Essa gordura desacelera o esvaziamento do estômago e, consequentemente, reduz a velocidade de absorção do carboidrato.
Por esse motivo, a batata frita apresenta um índice glicêmico menor do que a batata cozida.
No entanto, Tarcila Campos explica que essa redução na velocidade de absorção não representa uma melhora da qualidade nutricional do alimento.
“Quando você pega uma fritura, a gordura foi capaz de lentificar a absorção. Então ela vai ter um índice glicêmico mais baixo do que a batata cozida. Mas qual é mais saudável? A cozida.”
Índice glicêmico não mostra a qualidade do alimento
A nutricionista explica que o índice glicêmico avalia apenas a velocidade de absorção dos carboidratos. Ele não informa se um alimento oferece benefícios ou prejuízos para a saúde.
Nesse contexto, uma batata frita pode provocar uma elevação mais lenta da glicose, mas também apresenta maior densidade energética e uma quantidade maior de gordura proveniente da fritura.
Além disso, o processo de fritura por imersão modifica as características nutricionais do alimento.
Segundo Tarcila Campos, escolher um alimento apenas pelo índice glicêmico pode fazer com que outros aspectos importantes da alimentação sejam ignorados.
Como a gordura interfere na glicemia
A gordura exerce um papel importante na digestão dos alimentos. Quando está presente na refeição, ela reduz a velocidade com que o carboidrato chega à corrente sanguínea.
Por isso, algumas combinações entre carboidratos e fontes de gordura podem contribuir para uma resposta glicêmica mais estável.
Um exemplo citado pela nutricionista é consumir frutas junto com castanhas.
Segundo ela, a fruta fornece carboidratos, enquanto as castanhas acrescentam gordura de boa qualidade. Essa combinação torna a absorção mais lenta e pode favorecer a ação da insulina em algumas situações.
No entanto, a especialista destaca que isso não significa que qualquer gordura produza esse efeito de forma benéfica.
Nem toda gordura faz o mesmo efeito
Segundo Tarcila Campos, é importante diferenciar os tipos de gordura presentes nos alimentos.
Ela explica que as frutas oleaginosas, como castanhas, nozes, amêndoas, pistache e amendoim, além das sementes, como chia e linhaça, fornecem gorduras de melhor qualidade nutricional.
Peixes como sardinha, atum e salmão também fazem parte desse grupo.
Por outro lado, alimentos ultraprocessados e frituras costumam concentrar maior quantidade de gorduras saturadas e gorduras produzidas pela indústria.
A nutricionista lembra que a nova rotulagem dos alimentos facilita essa identificação ao informar quando um produto apresenta alto teor de gordura saturada.
A gordura pode alterar a glicose horas depois
Outro ponto importante é que refeições muito ricas em gordura podem provocar alterações tardias na glicemia.
Segundo Tarcila Campos, algumas pessoas não observam aumento da glicose logo após comer. Porém, dependendo da quantidade de gordura ingerida, essa elevação pode surgir entre cinco e oito horas depois.
Esse comportamento passou a ser observado com mais facilidade após a popularização dos sensores de monitorização contínua da glicose.
Por isso, ela reforça que quantidade e combinação dos alimentos continuam sendo fatores importantes para quem convive com diabetes.
O índice glicêmico não deve ser o único critério
A nutricionista afirma que controlar a glicemia continua sendo um dos objetivos do tratamento do diabetes. No entanto, a escolha dos alimentos deve considerar também a qualidade nutricional da refeição.
Nesse contexto, alimentos preparados por cozimento, assados ou grelhados costumam representar alternativas mais adequadas do que preparações fritas por imersão.
Segundo Tarcila Campos, o foco deve estar em refeições equilibradas, com combinações que atendam às necessidades de cada pessoa, e não apenas na busca pelo menor índice glicêmico.
Gerente de Conteúdo e Redes Sociais - Jornalista mineira, natural de Uberlândia, Laura é descolada, sensível e criativa. Traz para o projeto uma visão estratégica e conectada com as tendências digitais. É responsável pela distribuição dos conteúdos nas redes sociais, escreve reportagens especiais para o portal e atua na produção audiovisual. Desde que abraçou a causa do diabetes, há três anos, mergulhou no universo do Um Diabético com dedicação e empatia. Está constantemente se atualizando para potencializar o alcance e o impacto do nosso conteúdo.
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Carla
Aviso médico: As informações deste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta com médico e/ou nutricionista. Cada pessoa tem necessidades individuais , busque sempre orientação profissional antes de Tratamento
Uma discussão no trabalho, uma noite maldormida, uma sequência de prazos apertados e, de repente, a glicemia sobe sem que nada tenha mudado no prato. Essa reação não é coincidência: o corpo interpreta o estresse, seja físico ou emocional, como uma ameaça e reage liberando hormônios que interferem diretamente no metabolismo da glicose. A psicóloga Priscila Pecoli, do Departamento de Psicologia da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), ajuda o Portal Um Diabético a entender esse mecanismo.
O que acontece no corpo durante o estresse
Diante de uma situação percebida como ameaça, o organismo aciona um mecanismo de defesa que remonta à sobrevivência da espécie. Nesse processo, entram em cena os chamados hormônios contra-reguladores da insulina. Segundo Priscila Pecoli:
“Ocorre uma descarga de hormônios chamados contra-reguladores da insulina, entre eles a adrenalina e o cortisol. O nome descreve bem a função: eles agem de forma contrária à insulina, promovendo a elevação dos níveis de glicose no sangue.”
Essa descarga hormonal existe para liberar energia rapidamente e preparar o corpo para reagir ao perigo. Em pessoas sem diabetes, esse ajuste é temporário e reversível. No organismo de quem tem diabetes, porém, a regulação da glicose já é mais frágil, e o estresse tende a agravar esse desequilíbrio.
Nem todo estresse é emocional
O gatilho hormonal não vem só de conflitos, ansiedade ou pressão psicológica. Doenças agudas, cirurgias, traumas físicos e internações também ativam a mesma resposta do organismo. Uma infecção urinária, uma gripe forte ou um procedimento cirúrgico, por exemplo, podem elevar temporariamente a glicemia até de quem não convive com diabetes e, nesses casos, os níveis costumam se normalizar sozinhos assim que o quadro se resolve.
Já para quem tem diabetes, a diferença está na intensidade e na recuperação: a alta tende a ser maior, e o retorno ao equilíbrio raramente acontece sem manejo ativo. Por isso, momentos de doença física pedem atenção redobrada ao monitoramento.
Quando a mente também pesa na balança glicêmica
O estresse emocional segue a mesma lógica. Perdas, conflitos, ansiedade prolongada ou períodos de pressão constante ativam o mesmo eixo hormonal, e podem se refletir diretamente nos números do glicosímetro. Por isso, cuidar da saúde emocional não é um extra no tratamento do diabetes, e sim parte dele. Como resume a psicóloga:
“O tratamento do diabetes é complexo e deve se basear no uso correto das medicações prescritas pelo médico. Também não devemos esquecer do tratamento não farmacológico, como dieta, exercício, controle do peso e uma boa saúde mental”, orienta Priscila.”
Na prática: o que fazer diante do estresse
Frente a esse cenário, alguns cuidados ajudam a reduzir o impacto do estresse na glicemia. Em períodos de doença ou tensão emocional mais intensa, monitorar a glicemia com mais frequência do que o habitual permite perceber elevações cedo e agir a tempo. Vale também avisar o endocrinologista sobre períodos prolongados de estresse, já que pode ser preciso ajustar temporariamente doses de medicação ou insulina.
Dormir bem sustenta a resposta do organismo diante da tensão, e buscar apoio psicológico antes que a situação se torne crítica faz diferença real no dia a dia. Já em casos de doença aguda, o caminho é seguir as orientações médicas específicas para os chamados “dias de doença”.
O estresse é inevitável, mas seu impacto sobre a glicemia pode, sim, ser administrado com informação e acompanhamento adequado.
Gerente de Conteúdo e Redes Sociais - Jornalista mineira, natural de Uberlândia, Laura é descolada, sensível e criativa. Traz para o projeto uma visão estratégica e conectada com as tendências digitais. É responsável pela distribuição dos conteúdos nas redes sociais, escreve reportagens especiais para o portal e atua na produção audiovisual. Desde que abraçou a causa do diabetes, há três anos, mergulhou no universo do Um Diabético com dedicação e empatia. Está constantemente se atualizando para potencializar o alcance e o impacto do nosso conteúdo.
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Pacientes hematológicos precisam de cuidados especiais quando o assunto é imunização. Embora a vacina continue sendo uma ferramenta indispensável contra infecções grave, o momento e o tipo de vacina exigem planejamento do médico especialista.
Destaques importantes:
Vacinas de vírus vivo atenuado costumam ser contraindicadas durante a imunossupressão.
Vacinas inativadas são seguras, mas idealmente devem ser aplicadas antes do tratamento.
Pacientes transplantados (TCTH) ou em terapias específicas (como anti-CD20 e CAR-T) possuem protocolos únicos.
Se você ou um familiar está em tratamento hematológico, converse sempre com a equipe médica antes de tomar qualquer vacina!
Salve este post para consultar depois e compartilhe com quem precisa dessa informação.
Dr. Natalício Kern Filho - Médico Hematologista, Oncohematologista e Hemoterapeuta RQE10.418 | RQE 10.419, Medicina Interna | RQE 10.403. Preceptor Sírio Libanês CRM RS18819
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