Grande parte do êxito alcançado no controle da malária na África até o momento se deve ao controle vetorial, que depende em grande medida da utilização de piretroides, a única classe de inseticidas recomendada atualmente para mosquiteiros impregnados, incluindo os de longa duração.
Nos últimos anos, a resistência dos mosquitos aos piretroides tem emergido em diversos países. Em algumas áreas, a resistência a todas as quatro classes de inseticidas usados em saúde pública tem sido detectada. Felizmente, essa resistência raramente tem reduzido a eficácia dos mosquiteiros tratados com inseticidas de longa duração, que continuam proporcionando um alto nível de proteção em quase todas as situações. A borrifação residual intradomiciliar é um método recomendado para evitar a resistência e alternar a utilização de diferentes classes de produtos.
Entretanto, áreas endêmicas da África Subsaariana e Índia estão causando uma significativa preocupação devido aos altos níveis de transmissão da malária e relatos generalizados de resistência aos inseticidas. O uso de dois inseticidas diferentes em um mosquito oferece a oportunidade de mitigar o risco do desenvolvimento e disseminação da resistência aos inseticidas; desenvolver esses novos mosquiteiros é uma prioridade. Vários produtos promissores, tanto para borrifação residual quanto para mosquiteiros, estão em desenvolvimento.
A detecção da resistência aos inseticidas deve ser um componente essencial de todos os programas nacionais contra a malária, com o objetivo de garantir que os métodos mais eficazes sejam utilizados. A escolha do inseticida de ação residual usado na borrifação deve sempre se basear em dados locais recentes sobre a suscetibilidade dos vetores em questão.
Para garantir uma resposta global rápida e coordenada frente à ameaça da resistência aos inseticidas, a OMS tem colaborado com as partes interessadas na elaboração do “Plano global para o manejo da resistência aos inseticidas nos vetores de malária”, lançado em maio de 2012.
A eliminação da malária se define como a interrupção local da transmissão por parasitos específicos que causam a doença em uma área geográfica delimitada como resultado dos esforços deliberados. Medidas continuadas são necessárias para prevenir o reestabelecimento da transmissão.
Por sua vez, a erradicação da malária se define como a redução absoluta e permanente da infecção malárica por espécies de parasitos responsáveis pela doença nos seres humanos como resultado dos esforços deliberados. Uma vez alcançada a erradicação, a aplicação das medidas não é mais necessária.
O ritmo de progresso em um país em particular dependerá da solidez de seu sistema nacional de saúde, do nível de investimento para o controle da malária e de uma série de outros fatores, incluindo: determinantes biológicos, meio ambiente e as realidades sociais, demográficas, políticas e econômicas de cada país.
Em países com altas ou moderadas taxas de transmissão da malária, programas nacionais de controle da doença visam maximizar a redução dos casos de malária e de mortes.
À medida que os países se aproximam da eliminação, os sistemas de vigilância intensificada podem ajudar a detectar e tratar todos os casos, assim como notificá-los aos registros nacionais de malária. É importante tratar o quanto antes os pacientes diagnosticados com medicamentos antimaláricos eficazes para proteger sua saúde e prevenir a transmissão na comunidade.
Países que conseguiram permanecer por três anos consecutivos sem nenhum caso autóctone de malária podem solicitar à OMS que certifique a eliminação da doença. Nos últimos anos, oito países foram certificados como tendo eliminado a malária: Emirados Árabes Unidos (2007), Marrocos (2010), Turcomenistão (2010), Armênia (2011), Maldivas (2015), Sri Lanka ( 2016), Quirguistão (2016) e Paraguai (2018). O Marco de referência da OMS para a eliminação da malária publicado em 2017 oferece uma serie de instrumentos e estratégias detalhadas para alcançar e manter a eliminação.