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quarta-feira, 29 de julho de 2026

MELHOR IDADE: Fator de risco para demência: como prevenir a perda auditiva?

 



Evitar a exposição prolongada ao ruído é uma das principais medidas para evitar a perda auditiva. Quando ela se instala, é fundamental buscar o tratamento adequado

Segundo diretriz recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), 45% dos fatores de risco associados à demência são modificáveis e podem, portanto, ser prevenidos ou retardados. A perda auditiva é um deles. Embora nem sempre possa ser evitada, ela pode ser tratada, de forma a preservar a qualidade de vida do indivíduo. A OMS recomenda o uso de aparelhos auditivos para adultos com a condição.

A perda auditiva relacionada à idade, principalmente quando não é tratada por anos, está associada a maior risco de declínio cognitivo e demência, incluindo o Alzheimer

“Os mecanismos não estão totalmente definidos, mas as hipóteses mais aceitas envolvem: sobrecarga cognitiva (o cérebro precisa fazer muito esforço para entender a fala), privação sensorial (menos estímulos sonoros para o cérebro) e isolamento social, todos fatores que podem acelerar o declínio cognitivo”, afirma Francis Gutierrez, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e professor do Instituto de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade Estadual de Campinas (IOU/Unicamp).


Sem tratamento, o problema pode ainda levar à ansiedadedepressão e prejuízos profissionais, além de contribuir para quedas e para o declínio funcional, o que compromete a autonomia da pessoa idosa. 

Outra queixa importante é o zumbido, um sintoma frequentemente decorrente da própria perda auditiva. “Ele não é considerado, isoladamente, um causador de demência, mas aparece no mesmo contexto de perda auditiva não tratada e comorbidades como ansiedade, insônia e depressão”, explica o médico. 

 

O que causa a perda auditiva

O especialista diz que as causas da perda auditiva variam conforme a idade. Em crianças, as principais são infecções de ouvido, fatores genéticos e algumas infecções adquiridas na gestação. Em jovens e adultos, o grande vilão é o ruído, especialmente pela exposição excessiva a fones de ouvido em volume alto e ambientes de trabalho barulhentos. 

Nos idosos, o principal fator é o envelhecimento natural do sistema auditivo, agravado por doenças como diabetes e hipertensão, e por toda uma vida de exposição ao ruído”, relata. A perda auditiva pode surgir em qualquer idade, mas se torna mais frequente depois dos 60 anos. 

O que fazer para prevenir a perda auditiva

Ao longo da vida, diversos cuidados contribuem para a prevenção da perda auditiva. O especialista elenca os principais:

  • proteção contra ruído: usar protetores auriculares em ambientes de trabalho ruidosos, shows, ensaios musicais, ferramentas ou máquinas barulhentas, além de evitar exposição prolongada a volumes elevados;
  • controle de volume e tempo de fones de ouvido: limitar o volume (regra prática: se outra pessoa ouve o som dos seus fones, está alto demais) e evitar o uso contínuo dos dispositivos por muitas horas seguidas;
  • cuidado com medicamentos: evitar a automedicação, especialmente com drogas potencialmente ototóxicas (certos antibióticos, diuréticos, quimioterápicos), seguindo sempre a orientação médica;
  • controle de fatores cardiovasculares e metabólicos: tratar hipertensão, diabetes, dislipidemia (colesterol alto) e obesidade e suspender o tabagismo, pois esses fatores estão associados a maior risco de perda auditiva por comprometimento vascular da cóclea (estrutura do ouvido responsável pela audição);
  • check-ups auditivos periódicos: especialmente a partir dos 50 a 60 anos, ou antes em pessoas com exposição a ruído ou história familiar importante, para detectar e  intervir precocemente em caso de alterações.

De acordo com o otorrinolaringologista, a maioria das recomendações vale também para a prevenção do zumbido, porque uma das causas mais frequentes do problema é justamente a perda auditiva induzida por idade, ruído e fatores metabólicos. Além disso, somam-se medidas como higiene do sono, manejo do estresse, redução de cafeína e álcool em excesso e evitar silêncio absoluto prolongado (sons ambientais suaves podem diminuir a percepção do zumbido em indivíduos predispostos). 

Não conseguimos impedir todo tipo de perda auditiva, porque há fatores genéticos e doenças que fogem ao nosso controle; mas, ao longo da vida, proteger-se do ruído, cuidar da saúde do coração, evitar automedicação e fazer check-ups da audição reduzem o risco de perda auditiva e de muitos casos de zumbido”, destaca Gutierrez. 


Como saber se a pessoa está com dificuldade para ouvir? 

Em idosos com perda auditiva, é comum que os familiares observem o problema antes do próprio paciente. Para isso, é importante atentar aos seguintes sinais de alerta: 

  • aumentar de forma repetida o volume da TV, rádio ou celular, até incomodar os demais;
  • pedir que repitam com frequência (perguntas como “hã?” ou “o quê?”), especialmente em ambientes com ruído de fundo ou conversas em grupo;
  • relatar que “escuta, mas não entende” quando várias pessoas falam ou quando a fala é rápida;
  • ter dificuldade para acompanhar conversa ao telefone ou para entender vozes agudas (como de mulheres e crianças);
  • passar a evitar encontros sociais, falar menos em reuniões de família, aparentar distração ou desatenção em rodas de conversa;
  • queixar-se de zumbido (barulho no ouvido) associado a qualquer um desses sinais.

Ao abordar o assunto, o especialista recomenda evitar a culpabilização ou o confronto direto e usar linguagem inclusiva, com frases como “nós percebemos”, “estamos preocupados com a sua saúde”, em vez de “você não escuta nada”. Também é importante normalizar a condição, destacando que atualmente existem opções de tratamento mais discretas e eficazes do que no passado. 

“[Outro ponto é] focar em qualidade de vida e preservação da memória: explicar que ouvir melhor ajuda a participar das conversas, diminui o cansaço mental e pode proteger a cognição”, diz o médico. “Propor inicialmente uma avaliação, não um aparelho: ‘vamos marcar uma consulta com o otorrino para conferir como está sua audição’, deixando a discussão sobre o aparelho para depois da avaliação”, completa. 

Tratamento da perda auditiva

O tratamento passa por causas reversíveis, quando presentes: cerúmen impactado, otites, alterações de pressão ou ventilação da orelha média, ajuste de medicamentos potencialmente ototóxicos, controle de fatores metabólicos e vasculares.

Em outros casos, recomendam-se os aparelhos auditivos ajustados ao perfil audiológico e às necessidades do idoso (mesmo pessoas com perdas leves podem se beneficiar do uso, destaca o médico), além de treinamento auditivo e estratégias de comunicação.

Em perdas severas ou profundas com pouco benefício de aparelhos, ele diz que é preciso considerar tecnologias como o implante coclear.

“Na maioria dos casos, não falamos em ‘curar’ a perda auditiva, e sim em dar ao cérebro o máximo de som útil possível, com conforto. Isso ajuda a diminuir o esforço para ouvir, reduzir o incômodo do zumbido e melhorar a qualidade de vida”, conclui Gutierrez. 



Maiara Ribeiro é jornalista e integra a redação do Portal Drauzio Varella desde 2018. Tem interesse principalmente em assuntos relacionados à primeira infância, saúde mental, longevidade e bem-estar.





FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/








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Carla



  • ⚕️ Aviso médico: As informações deste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta com médico e/ou nutricionista. Cada pessoa tem necessidades individuais busque sempre orientação profissional antes de Tratamento

Hemoglobinúria paroxística noturna (HPN): o que é essa doença rara?

 


Publicado em: 28/02/2025 - Revisado em 28/02/2025
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A HPN é uma doença¹ rara que afeta o sistema complemento e a medula óssea, causando destruição das hemácias e, consequentemente, a trombose


A hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) é uma doença genética rara, causada por uma mutação no gene PIG-A¹ da célula-tronco hematopoiética. Essa mutação compromete a produção de proteínas responsáveis por regular o sistema complemento, que é uma parte essencial do sistema imunológico, que ajuda a proteger o corpo contra infecções. 

Como resultado, ocorre uma hemólise intravascular crônica,¹¹⁻¹³ ou seja, a destruição das células sanguíneas, que como consequência gera um alto risco de trombose, que pode ser fatal. Isso também pode levar à anemia, além de ativar outros componentes do sangue, como glóbulos brancos e plaquetas.

A HPN pode se manifestar de forma grave e progressiva.¹¹⁻¹²⁻¹³ O termo “noturno” diz respeito ao fato de que a destruição de células sanguíneas tende a ocorrer no período noturno, e a urina a apresentar um tom escuro ou avermelhado pela manhã, mas atualmente sabemos que isso também ocorre durante o dia. A HPN afeta principalmente adultos na faixa dos 30 a 50 anos (porém pode acontecer em qualquer idade), com sintomas inespecíficos e individualizados para cada paciente. O tratamento envolve um manejo especializado e o diagnóstico precoce é fundamental, pois atrasos podem piorar o quadro clínico. 

Saiba mais a seguir. 

 

Sintomas da HPN 

Os sintomas da HPN podem ser compostos por urina escura ou avermelhada, dores abdominais, torácica e lombar, além de sinais e sintomas de anemia grave, como cansaço e fraqueza. Metade dos pacientes diagnosticados com anemia aplásica adquiridas, uma doença autoimune de insuficiência da medula óssea, tem um clone de HPN detectável.¹⁰ 

“A anemia é sempre uma condição anormal; a história clínica, o exame físico e os testes diagnósticos iniciais são fundamentais para direcionar o diagnóstico correto”, explica Rodolfo Cançado, médico hematologista do Hospital Samaritano de São Paulo. 

Infecção, transfusão, vacinação e até mesmo a menstruação podem ser “gatilhos” para as crises.⁹ 

 

Complicações da HPN

As complicações graves da doença incluem trombose inexplicada, falência medular e insuficiência renal. Também é possível surgir deficiência de ferro. Hipertensão pulmonar e dificuldade para respirar (dispneia) são comuns entre os pacientes com a doença. 

Aproximadamente 50% das mortes relacionadas à HPN são causadas por trombose venosa ou arterial, ou por insuficiência renal. As manifestações da trombose vascular dependem do vaso afetado e podem causar sintomas como dor abdominal ou cefaleia, além de edema nas pernas ou braços.⁹


Classificação da HPN

Já a classificação da HPN pode ser dividida em três tipos principais

  1. HPN com hemólise intravascular, em que não há evidência de outras doenças na medula óssea e ocorre destruição das células sanguíneas no sangue; 
  2. HPN associada a outros distúrbios primários de medula óssea, como anemia aplástica; e 
  3. HPN subclínica, que não apresenta sinais clínicos, sintomas de hemólise ou trombose, mas apresenta alterações nas células da medula óssea. 

 

Investigação dos sintomas e diagnóstico 

A investigação diagnóstica começa com o hemograma, que pode indicar alterações relacionadas à hemólise, seguido pelo teste de antiglobulina direta e pesquisa de anticorpos. A citometria de fluxo é o principal método de confirmação da HPN. Ela é um exame de sangue altamente sensível e específico usado para determinar a ausência de proteínas específicas da superfície celular dos eritrócitos ou leucócitos.

O mielograma, exame que avalia a medula óssea através de uma punção aspirativa, é um método de apoio ao diagnóstico da HPN, se detectada uma diminuição na produção de células sanguíneas. 

Embora rara, o hematologista nos explica quando deve haver suspeita da doença: “O diagnóstico da HPN deve ser considerado quando o paciente apresenta anemia hemolítica (com ou sem hemólise intravascular), insuficiência medular óssea, trombose inexplicada em locais incomuns, como nas veias hepáticas, ou síndrome de falência medular. As características clássicas da doença incluem hemólise intravascular, insuficiência medular e trombose inexplicada, frequentemente em pacientes jovens’’. 


Tratamento e qualidade de vida do paciente

O tratamento¹⁴ da hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) envolve o monitoramento constante, inicialmente com exames de sangue realizados a cada mês, e, conforme a melhora do paciente, a cada três meses. Além disso, é necessário tratar a anemia com medicamentos que controlam a redução das células vermelhas do sangue.¹⁴

O acompanhamento médico regular é essencial para monitorar a evolução da doença e prevenir complicações. 

A depender da classificação da doença e demais condições da medula óssea do paciente, o transplante de células-tronco hematopoéticas pode ser considerado. 

O tratamento é realizado com inibidores do sistema complemento,⁸⁻¹⁴ visando controlar a hemólise intravascular, e consequentemente, os efeitos da doença, principalmente a trombose. ‘’É importante lembrar que a HPN é uma doença crônica, progressiva, sistêmica, com apresentação bastante heterogênea, desde leve a muito grave’’ finaliza o dr. Rodolfo. 

A HPN não tem cura definitiva, e os tratamentos disponíveis visam controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente, mas não podem corrigir a mutação genética que causa a doença.

Material aprovado para o público em geral. BR-38556 – Fevereiro/2025

Referências bibliográficas: 

1. Brodsky R. Paroxysmal nocturnal hemoglobinuria. Em: R Hoffman, et al, eds. Hematology – Basic Principles and Practices. 4th ed. Philadelphia, PA: Elsevier Churchill Livingstone 2005:419–427; 2. Clayton A, et al. Eur J Immunol 2003;33:522–531; 3. Risitano AM and Rotoli B. Targets & Therapy 2008;2(2):205–222.​

2. Lee JW, et al. Int J Hematol. 2013;97(6):749-757

3. Hillmen P, et al. Am J Hematol. 2010;85(8):553-559.

 4. Hill A, et al. Br J Haematol. 2010;149(3):414-425. 2. Meyers G, et al. Blood. 2007;110(11):Abstract 3683. 3. Lee JW, et al. Haematologica. 2010;95(s2):205-206. 4. Hill A, et al. Blood. 2013;121(25):4985-4996. 

5Dacie JV, Lewis SM. Ser Haematol. 1972;5(3):3-23. 2. Murphy K, et al. Janeway’s Immunobiology. 8th ed. New York, NY: Garland Science; 2012. 3. Sutherland DR, et al. Cytometry B Clin Cytom. 2018;94(1):23-48. 4. Illingworth A, et al. Cytometry B Clin Cytom. 2018;94(1):49-66. 5. Scheinberg P, et al. Haematologica. 2010;95:1075-1080. 

6. Parker C, et al. Blood 2005;106(12):3699–3709; 2. Schubert J, Roth A. Eur J Haematol 2015;94:464

7. Peffault de Latour R, et al. Haematologica 2012;97(11):1666–1673; 4. Brodsky AL. Blood 2011;118: Abstract 5274. 

8. Rosse WF and Nishimura J. Int J Hematol 2003;77:113–120

9. Hemoglobsinúria paroxística noturna (HPN) Por Gloria F. Gerber, MD, Johns Hopkins School of Medicine, Division of Hematology 

10. Bessler M, Hiken J. haematology Am  Soc Hematol  Educ Program. 2008:104-110.

11. Hill A, et al. Nat Rev Dis Primers. 2017;3:17028. 

12. Ricklin D, et al. [published online December 9, 2019]. Nat Rev Drug Discov. doi: 10.1038/s41573-019-0055-y.

13. Walport MJ. N Engl J Med. 2001;344(14):1058-1066.

14. Ministério da Saúde. “Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hemoglobinúria Paroxística Noturna”. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias e Inovação em Saúde. Ministério da Saúde. Brasília, Brasil, 2020. Material destinado exclusivamente a profissionais de saúde prescritores ou dispensadores de medicamentos. BR/SOL-P/0310. Novembro de 2022v


Yasmim Cunha é jornalista e mestre em estudos da mídia, tem interesse temas de saúde pública, inovação tecnológica e meio ambiente











FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-raras/








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Amiloidose: o que é a doença rara que afeta diversos órgãos e pode ser confundida com outras doenças?

 


Publicado em: 28/02/2025 - Revisado em 28/02/2025
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A doença ocorre quando as proteínas não são metabolizadas corretamente e se acumulam, causando lesões.¹⁻² Conheça os principais sintomas da amiloidose.

 A amiloidose é uma doença rara que engloba um grupo de condições caracterizadas pelo acúmulo de substância amiloide, uma proteína anormal produzida principalmente pelo fígado, e que pode ser depositada em qualquer tecido ou órgão.¹

A doença é provocada por um erro na formação das proteínas, que deixam de ser metabolizadas pelo organismo e acabam se acumulando de forma permanente, gerando lesões e disfunções em diversos órgãos.¹⁻² As proteínas são substâncias que desempenham funções essenciais no organismo, que fazem parte desde a estrutura das células até a imunidade. Elas também fornecem aminoácidos essenciais que o corpo não é capaz de produzir.  

Existem diferentes tipos de amiloidoses sistêmicas, incluindo as hereditárias – como a ATTRv – que estão associadas a proteínas precursoras que sofreram mutações. Os nervos periféricos e o sistema nervoso central podem ser comprometidos pelo depósito da substância amiloide. Entre os órgãos mais afetados pela amiloidose ATTRv, também estão o coração, o trato gastrointestinal, os rins e os olhos.

Identificar a doença logo no começo é um desafio, assim como encaminhar rapidamente o paciente para o tratamento adequado. Por isso, é necessário falar sobre seus sintomas e educar não apenas os pacientes, mas também os profissionais de saúde.

 

Sintomas e diagnóstico da amiloidose

Por afetar diferentes órgãos,¹⁻⁶⁻⁸ os sintomas podem variar de acordo com a parte acometida: quando atinge o sistema gastrointestinal, por exemplo, ela provoca diarreiaconstipação, náuseas e sensação de estômago cheio. Já quando a amiloidose atinge o sistema nervoso periférico, pode causar perda de sensações, como a percepção de temperatura e de dor; além de provocar fraqueza e dificuldade para andar. Se não controlado, a evolução do quadro pode levar a complicações graves com risco de vida.³⁻⁴

No coração,³⁻⁴ essa doença rara causa problemas de condução e arritmias, podendo ser necessário o uso de marca-passo. Com o tempo, prejudica a função cardíaca. Quando atinge os rins, pode levar à síndrome nefrótica. 

A amiloidose é uma doença rara que engloba um grupo de condições caracterizadas pelo acúmulo de substância amiloide, uma proteína anormal produzida principalmente pelo fígado, e que pode ser depositada em qualquer tecido ou órgão.¹

A doença é provocada por um erro na formação das proteínas, que deixam de ser metabolizadas pelo organismo e acabam se acumulando de forma permanente, gerando lesões e disfunções em diversos órgãos.¹⁻² As proteínas são substâncias que desempenham funções essenciais no organismo, que fazem parte desde a estrutura das células até a imunidade. Elas também fornecem aminoácidos essenciais que o corpo não é capaz de produzir.  

Existem diferentes tipos de amiloidoses sistêmicas, incluindo as hereditárias – como a ATTRv – que estão associadas a proteínas precursoras que sofreram mutações. Os nervos periféricos e o sistema nervoso central podem ser comprometidos pelo depósito da substância amiloide. Entre os órgãos mais afetados pela amiloidose ATTRv, também estão o coração, o trato gastrointestinal, os rins e os olhos.

Identificar a doença logo no começo é um desafio, assim como encaminhar rapidamente o paciente para o tratamento adequado. Por isso, é necessário falar sobre seus sintomas e educar não apenas os pacientes, mas também os profissionais de saúde.

 

Sintomas e diagnóstico da amiloidose

Por afetar diferentes órgãos,¹⁻⁶⁻⁸ os sintomas podem variar de acordo com a parte acometida: quando atinge o sistema gastrointestinal, por exemplo, ela provoca diarreiaconstipação, náuseas e sensação de estômago cheio. Já quando a amiloidose atinge o sistema nervoso periférico, pode causar perda de sensações, como a percepção de temperatura e de dor; além de provocar fraqueza e dificuldade para andar. Se não controlado, a evolução do quadro pode levar a complicações graves com risco de vida.³⁻⁴

No coração,³⁻⁴ essa doença rara causa problemas de condução e arritmias, podendo ser necessário o uso de marca-passo. Com o tempo, prejudica a função cardíaca. Quando atinge os rins, pode levar à síndrome nefrótica. 

A amiloidose ATTR hereditária se manifesta, principalmente, de duas formas clínicas:⁴ amiloidose por transtirretina associada à polineuropatia (ATTRv-PN) e amiloidose por transtirretina associada à cardiomiopatia (ATTRv-CM). O diagnóstico é confirmado com base nos sintomas identificados por especialistas em neurologia ou cardiologia,⁵⁻⁸ pela presença de depósito de amiloide, pelo teste genético que detecta a mutação e pelo histórico familiar da doença. No entanto, casos com sintomas similares (sem outra causa identificada) e sem histórico familiar também devem ser levados em consideração, já que há outras formas de amiloidose por transtirretina não hereditárias. 

Para o diagnóstico da amiloidose ATTR hereditária, é necessário ter a mutação no DNA e sintomas compatíveis.⁵⁻⁶⁻⁷

Tratamento da amiloidose

O tratamento é complexo e precisa de cuidados específicos para controlar a progressão da doença. Após o diagnóstico,⁸ é recomendado fazer exames e avaliações médicas a cada três meses. Consultas com médicos especializados devem ser feitas a cada seis meses, e o oftalmologista deve ser consultado anualmente. 

Exames de função renal, cardíaca, hepática, glicêmica e outros devem ser realizados a cada seis meses. Os especialistas⁵⁻⁸ que acompanham os casos terão recomendações específicas a depender da evolução do paciente. 

A amiloidose ATTR não tem cura nem prevenção, mas é possível retardar a evolução da doença com um diagnóstico precoce.⁶⁻⁸ Pois isso, é fundamental considerar a amiloidose durante a investigação clínica.

 Material destinado para o público em geral. BR-38399 – Fevereiro/2025.

 

Referências bibliográficas:

1. Cohen AD, Comenzo RL. Systemic light-chain amyloidosis: advances in diagnosis, prognosis, and therapy. Hematology. 2010;2010(1):287–94. 

2. Merlini G, Bellotti V. Molecular mechanisms of amyloidosis. N Engl J Med. 2003;349:583–96. 

3. Hund E, Linke RP, Willig F, Grau A. Transthyretin-associated neuropathic amyloidosis pathogenesis and treatment. Neurology. 2001;56:431–6. 

4. Ando Y, Coelho T, Berk JL, Cruz MW, Ericzon B-G, Ikeda S, et al. Guideline of transthyretinrelated hereditary amyloidosis for clinicians. Orphanet J Rare Dis. 2013;8:31. 

5. Planté-Bordeneuve V, Said G. Familial amyloid polyneuropathy. Lancet Neurol. 2011;10(12):1086–97.

6. Gomes M. Amiloidose familiar por transtirretina TTR Val30Met e os primórdios do Centro de Estudos de Paramiloidose Antonio Rodrigues de Mello. Rev Bras Neurol. 2011;47(2):7–21. 

7. Adams D, Suhr OB, Hund E, Obici L, Tournev I, Campistol JM, et al. First European consensus for diagnosis, management, and treatment of transthyretin familial amyloid 

8. Adams D, Samuel D, Slama M. Traitement des neuropathies amyloides héréditaires. Press Med. 2012;41(9):793–806.


Yasmim Cunha é jornalista e mestre em estudos da mídia, tem interesse temas de saúde pública, inovação tecnológica e meio ambiente

FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-raras/








obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico

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