Você percebe que precisa chegar mais perto para ouvir, pede para repetir, depois pede novamente. Às vezes, a pessoa movimenta os lábios, mas a voz sai tão fraquinha que quase não conseguimos compreender.
E é comum o Cuidador pensar:
“Por que ela não fala mais alto?” e nem sempre é porque não quer.
Nas demências, principalmente quando a doença avança, podem ocorrer alterações que interferem na comunicação, a pessoa pode ter mais dificuldade para organizar a fala, controlar a respiração necessária para produzir a voz, articular as palavras e manter intensidade vocal suficiente.
Em algumas doenças neurológicas, como a Doença de Parkinson, a redução do volume da voz pode ser ainda mais característica, portanto não transforme cada conversa em uma cobrança
“Fala mais alto.”
“Eu não estou ouvindo.”
“Repete.”
“Fala direito.”
Imagine ouvir isso várias vezes durante o dia quando você está fazendo o melhor que consegue, a pessoa pode começar a falar menos simplesmente porque conversar ficou cansativo ou porque percebe que não está sendo compreendida.
O que o Cuidador pode fazer?
Aproxime-se e fique de frente para ela, reduza televisão, rádio e outras fontes de ruído, dê tempo para que termine a frase, observe os movimentos dos lábios, a expressão facial e os gestos.
Quando não entender, em vez de pedir que repita tudo, tente confirmar o que conseguiu compreender:
“Você está me falando sobre o banho?”
Perguntas simples, que possam ser respondidas com “sim” ou “não”, também podem ajudar nos dias em que falar exige muito esforço e não complete todas as frases imediatamente. Às vezes, alguns segundos de espera são justamente o tempo que aquela pessoa precisa para conseguir se expressar.
Mas atenção: voz baixa também merece avaliação, nem toda mudança deve ser atribuída automaticamente à demência.
Uma voz que ficou subitamente fraca ou diferente, principalmente quando acompanhada de dificuldade para engolir, engasgos, tosse durante as refeições, falta de ar, alteração súbita da fala, fraqueza ou outra mudança importante, precisa ser comunicada à equipe de saúde.
O fonoaudiólogo também pode ter um papel muito importante na avaliação da voz, da comunicação e da deglutição.
Um recado ao Cuidador
Quando a voz vai diminuindo, nossa disposição para escutar precisa aumentar.
Talvez você precise chegar mais perto.
Talvez precise desligar a televisão.
Talvez precise esperar um pouco mais.
Porque falar baixinho não significa não ter mais nada a dizer.
Instituto Berna Almeida (@institutobernalmeida)
Página e Grupo de Apoio Online: 1 Sujeito Chamado Alzheimer.
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Carla
Aviso médico: As informações deste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta com médico e/ou nutricionista. Cada pessoa tem necessidades individuais , busque sempre orientação profissional antes de Tratamento
A televisão foi desligada, as luzes estão apagadas e quem cuida olha para o relógio pela décima vez.
Duas da manhã.
Mas ele continua acordado.
Levanta da cama, chama alguém, quer ir ao banheiro outra vez, pergunta que horas são, diz que precisa ir embora, procura alguma coisa que nem sabe explicar o que é. Às vezes não faz nada disso, apenas permanece desperto, com os olhos abertos, como se o corpo simplesmente não soubesse que a noite chegou, e ao lado dele existe alguém igualmente acordado, só que essa pessoa sabe o que acontecerá daqui a poucas horas.
Tem café para fazer, remédios para organizar, banho, roupa, comida, casa, trabalho, filho para levar à escola, contas para resolver e uma vida inteira que continuará exigindo dela, mesmo depois de uma noite sem dormir.
Por que isso acontece?
Nas demências, o ciclo de sono e vigília pode sofrer alterações, a pessoa pode dormir várias vezes durante o dia e permanecer desperta à noite, a própria doença pode comprometer mecanismos cerebrais envolvidos na organização do ritmo entre dia e noite, mas nem toda noite mal dormida deve ser atribuída simplesmente à demência.
Dor, vontade de urinar, constipação, fome, sede, calor, frio, ansiedade, ambiente desconfortável, pouca atividade durante o dia e alguns medicamentos também podem interferir no sono. Uma mudança repentina no comportamento noturno merece ainda mais atenção, porque pode existir algum problema clínico por trás dela.
E o que fazer durante o dia?
Sempre que as condições da pessoa permitirem, tente deixar bem marcada a diferença entre dia e noite.
Abra as janelas pela manhã e permita a entrada de luz natural, estimule pequenas atividades e algum movimento compatível com suas limitações.
Evite que ela passe praticamente o dia inteiro cochilando, mantenha horários relativamente regulares para acordar, fazer as refeições e se preparar para dormir.
À noite, diminua gradualmente os estímulos, luz mais baixa, menos barulho e uma rotina previsível podem ajudar o organismo a reconhecer que chegou a hora de descansar.
E observe.
Quando ela dorme? Quanto dorme durante o dia? A que horas começa a ficar agitada? Isso acontece todas as noites ou começou recentemente?
Essas informações podem ser muito importantes para o médico avaliar o que está acontecendo, e existe o outro lado dessa madrugada
Quando uma pessoa com demência passa noites acordada, frequentemente existe outra pessoa perdendo o sono junto com ela, e ninguém atravessa noites sucessivas em claro sem sentir as consequências.
O corpo cansa, a irritação aumenta, a atenção diminui, o raciocínio fica mais lento, as tarefas parecem mais pesadas, e chega um momento em que o Cuidador já não sabe dizer se está vivendo o dia seguinte ou apenas tentando sobreviver à noite anterior.
Por isso, quando as noites em claro se tornam frequentes, não devemos olhar apenas para quem não está dormindo, precisamos olhar também para quem está ficando acordado para cuidar.
Porque amanhã a casa acorda, as obrigações voltam e aquele Cuidador que passou a madrugada inteira em pé terá que começar outro dia como se também tivesse dormido.
Instituto Berna Almeida (@institutobernalmeida)
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A caneta reutilizável de insulina está cada vez mais presentes na rotina de pessoas com diabetes, inclusive entre pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O dispositivo permite substituir apenas o refil, também chamado de cartucho ou carpule, quando a insulina termina. Mas um cuidado é fundamental: não é recomendado colocar qualquer refil em qualquer caneta.
Cada modelo é desenvolvido para funcionar com determinados cartuchos de insulina. Usar um refil diferente daquele indicado para o dispositivo pode comprometer o encaixe e impedir que seja garantida a administração correta da dose.
O alerta foi feito pela enfermeira educadora em diabetes Gabriela Cavicchioli, durante participação no DiabetesCast ao lado da também enfermeira educadora Gisele Filgueiras.
“Um ponto muito, muito importante é a gente usar sempre a insulina da mesma marca da caneta.”
Gabriela explicou que a compatibilidade não é apenas uma questão de o cartucho aparentemente caber dentro do dispositivo.
“A gente não usa diferente porque o fabricante não consegue garantir que o encaixe é adequado. Consequentemente, a gente não consegue garantir que a dose está certa.”
A orientação ganha importância em um momento em que o SUS amplia a utilização de canetas reutilizáveis. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 2,1 milhões desses dispositivos foram distribuídos em 2025 para aplicação das insulinas NPH e regular.
Qual a diferença entre caneta descartável e reutilizável?
As duas têm o mesmo objetivo: permitir a administração da dose de insulina prescrita. A principal diferença está no que acontece quando o medicamento termina.
Na caneta descartável, a insulina já vem dentro do dispositivo. Depois que o conteúdo acaba, a caneta inteira é descartada.
“Terminou, eu descarto ela inteira”, explicou Gabriela durante a entrevista.
Já a caneta reutilizável permanece com o paciente. O que é substituído é o cartucho que contém a insulina.
“Nós temos as canetas reutilizáveis. […] Eu tenho um carpule, que é onde vem a insulina.”
Depois que o refil termina, ele é retirado e um novo é colocado no dispositivo.
A American Diabetes Association (ADA) também diferencia os dispositivos dessa forma. Nas canetas reutilizáveis, os cartuchos são substituídos, enquanto o corpo da caneta continua sendo utilizado. A entidade ressalta ainda que cada caneta funciona apenas com determinados tipos de insulina.
Posso colocar qualquer refil de insulina na caneta reutilizável?
Não é essa a orientação.
Mesmo que dois cartuchos tenham dimensões aparentemente semelhantes, isso não significa que sejam intercambiáveis.
O dispositivo e o cartucho formam um sistema desenvolvido para administrar determinada quantidade de insulina quando o paciente seleciona a dose. Por isso, a compatibilidade indicada pelo fabricante precisa ser respeitada.
A precisão da dose é um dos requisitos fundamentais desses dispositivos. Estudos que avaliam canetas de insulina utilizam justamente critérios de precisão e exatidão para verificar se a quantidade selecionada corresponde à quantidade efetivamente administrada.
Por isso, diante de uma troca de marca, tipo de insulina ou dispositivo, o paciente não deve simplesmente testar se determinado refil “encaixa”.
A equipe de saúde ou o farmacêutico pode orientar qual cartucho deve ser utilizado com aquela caneta.
Canetas reutilizáveis estão sendo distribuídas pelo SUS
O uso desses dispositivos também passou a fazer parte da rotina de pacientes que recebem insulina pelo sistema público.
Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde informou que o SUS disponibilizava caneta reutilizável para aplicação das insulinas humanas NPH e regular nas Unidades Básicas de Saúde. Segundo a pasta, o dispositivo tem validade de três anos após o primeiro uso.
Durante o DiabetesCast, as especialistas apresentaram alguns dos modelos encontrados no sistema público.
Gabriela explicou que uma nova caneta passou a substituir gradualmente um modelo anterior utilizado para NPH e regular.
“Algumas pessoas ainda têm ela. […] Mas conforme essa caneta quebre, e todas as pessoas novas, a substituição vai ser por essa.”
Segundo a educadora, o modelo mais recente pode ser utilizado com os cartuchos específicos de NPH e regular destinados ao dispositivo.
Isso reforça a necessidade de receber orientação sempre que houver mudança de caneta. O fato de a pessoa já utilizar insulina há muitos anos não significa necessariamente que todos os dispositivos funcionem da mesma maneira.
Colocou o refil novo? Ainda existe um cuidado antes da aplicação
A troca do cartucho é apenas uma das etapas.
Depois de colocar um novo refil na caneta reutilizável, é necessário preparar o dispositivo de acordo com as instruções específicas daquele modelo antes de administrar a dose.
Durante o DiabetesCast, Gabriela introduziu justamente essa etapa ao demonstrar a utilização de uma caneta:
“Vamos supor que eu acabei de colocar um carpule aqui novinho. Como que eu faço a técnica de preparo da caneta?”
A preparação normalmente inclui colocar uma agulha nova e realizar o teste de segurança ou fluxo indicado pelo fabricante. Esse procedimento ajuda a verificar se a insulina está saindo pela ponta da agulha antes da seleção da dose prescrita.
A ADA explica que as canetas são hoje uma das principais formas de administração de insulina e destaca que esses dispositivos podem facilitar a aplicação e a precisão da dose, inclusive para pessoas com dificuldades de destreza ou visão.
A caneta quebrou ou não está funcionando: o que fazer?
Outro ponto importante é observar o funcionamento do dispositivo.
Uma caneta reutilizável pode permanecer com o paciente por um período prolongado, mas isso não significa que sinais de defeito devam ser ignorados.
Dificuldade para selecionar a dose, botão travando, vazamento ou qualquer comportamento diferente do habitual precisam ser avaliados antes de continuar utilizando o dispositivo.
No caso das canetas fornecidas pelo SUS, a orientação é procurar a unidade de saúde responsável pelo acompanhamento e pela dispensação dos insumos.
Durante a entrevista, Gabriela explicou que pacientes que ainda utilizam um modelo anterior distribuído para NPH e regular não precisam necessariamente substituí-lo se ele estiver funcionando normalmente. Caso apresente problema, a substituição ocorre pelo dispositivo atualmente disponibilizado.
“Quem ainda não recebeu, saiba que em determinado momento, se a sua não estiver funcionando de maneira adequada, é essa que você vai receber.”
A dose de insulina depende também da técnica correta
Quando a glicose fica acima do esperado, é comum pensar primeiro na alimentação ou na quantidade de insulina utilizada. Mas a técnica de aplicação também precisa entrar nessa avaliação.
Além de utilizar o cartucho compatível, é importante colocar corretamente a agulha, realizar o teste de fluxo conforme a orientação do dispositivo, selecionar a dose prescrita e executar adequadamente a aplicação.
A caneta de insulina é um dispositivo desenvolvido justamente para administrar doses com precisão. Por isso, improvisar combinações entre canetas e refis que não foram desenvolvidos para funcionar juntos não é recomendado.
Para quem recebe uma nova caneta reutilizável no SUS ou passa a utilizar um modelo diferente, uma orientação prática pode evitar erros: antes da primeira aplicação, peça à equipe de saúde para mostrar como colocar o refil, preparar o dispositivo e selecionar a dose.
Como resumiu Gabriela durante o DiabetesCast, o princípio das canetas reutilizáveis pode ser semelhante, mas existe um cuidado que não deve ser ignorado:
“Sempre [usar] a insulina da mesma marca da caneta.”
Fundador & CEO | Jornalista e Criador de Conteúdo - Tom é jornalista experiente, com mais de 17 anos de carreira em televisão, tendo atuado como repórter e apresentador nas principais emissoras do país. Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 22 anos, transformou sua trajetória pessoal em uma missão profissional. Além de liderar o Um Diabético, também realiza documentários e curtas com foco em saúde e impacto social. É reconhecido como um dos principais porta-vozes do diabetes no Brasil, dando voz e visibilidade a milhares de pessoas que convivem com a condição.
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