ABRALE – Associação Brasileira de Câncer do Sangue
Última atualização em 18 de fevereiro de 2022
As neoplasias em crianças e adolescentes podem até ser vastas, mas a atenção especializada é essencial
Tatiane Mota
Falar sobre o câncer infantil pode ser considerado algo delicado, afinal, é estranho pensar que pessoas ainda indefesas irão passar por um momento tão difícil. Mas colocar esse tema em pauta é muito importante. Afinal, somente conhecendo a doença é que o diagnóstico poderá ser feito o quanto antes e o tratamento, corretamente, em ambiente adequado.
O primeiro ponto é saber que câncer não é uma doença única. Pelo contrário! As neoplasias, benignas ou malignas, são muito heterogêneas e, dependendo das suas características e da célula que for atingida, serão apresentados tipos de câncer diferentes.
Câncer infantil x câncer em adultos
De acordo com a Dra. Carolina Camargo Vince, oncopediatra do Itaci (Instituto de Tratamento do Câncer Infantil), câncer em adultos e em crianças é um universo completamente diferente.
“Se pensarmos do ponto de vista médico, o diagnóstico do câncer infantil, muitas vezes, difere do adulto, apesar do grande grupo de doenças ter o mesmo nome. As crianças tendem a ter doenças mais agressivas, com uma evolução mais rápida, se comparado às histologias que vemos na faixa adulta”, explica a médica.

Além das questões biológicas, quando o paciente é visto em seu todo, as diferenças também ganham destaque.
“Esse é um grupo que precisa ser tratado de modo muito específico, para que seja feito um diagnóstico adequado, e o seguimento terapêutico também. Tratar da criança requer uma equipe que esteja pronta para isso, porque não estamos tratando diretamente só do paciente, muitas vezes o nosso interlocutor direto é o pai, a mãe, a família, que será responsável pelas decisões do paciente, já que este, muitas vezes, não tem condição de decidir o que ele quer, o que ele deseja”, comenta a Dra. Carolina.
Qual o câncer mais comum na infância?
Um olhar voltado para a criança com câncer
O tratamento do câncer infantil é bastante particular e exige cuidados singulares. As oncopediatras Gabriela Caus e Camile Vicentini, do Hospital Pequeno Príncipe, apontam que ter uma equipe multidisciplinar especializada é imprescindível.
“Para tratamento adequado das crianças com câncer é necessário uma equipe multidisciplinar especializada em pediatria, como, por exemplo, oncologista pediátrico, cirurgião pediátrico, neurocirurgião pediátrico, anestesista pediátrico, além de um ambiente lúdico e seguro para receber os pequenos durante o tratamento oncológico, que costuma ser longo. Além disso, é preciso garantir que todas as esferas que constituem essa criança possam ser acolhidas por meio do serviço social, psicologia, odontologia e pedagogia”, diz a Dra. Gabriela.

Dra. Camile reforça que “os esquemas de tratamento são diferentes dos utilizados para os adultos e, por se tratar de quimioterapia mais intensiva, também é necessário uma equipe pediátrica que conduza as intercorrências decorrentes do tratamento”. Tais cuidados só serão encontrados em centros de tratamentos especializados de excelência.
Tratamento do câncer infantil
Como vimos, os protocolos contra o câncer aplicados em pediatria também têm características próprias.
Segundo a Dra. Carolina, do Itaci, se um profissional que só trata adultos for manejar um protocolo terapêutico em uma criança, é possível que surjam problemas.

“Dentre eles, estão o atraso na intervenção, trazendo um efeito final que pode atrapalhar até na possibilidade de cura. É muito importante conhecer o protocolo pediátrico, para agir caso seja indicado reduzir a dose de algum medicamento, fazer um atraso em uma administração de medicação, incorporar algum remédio que vai diminuir os efeitos colaterais. Quando esse manejo é um hábito de vida, facilita muito. Do ponto de vista multidisciplinar, também é possível que ocorram impactos, já que a abordagem do tratamento em adultos é bem diferente da realizada com crianças e adolescentes. O serviço do adulto tem foco principalmente no paciente, porque é ele quem fará suas decisões. O paciente adulto, por exemplo, pode optar por não contar para a família sobre a doença, pode querer ir sozinho às consultas. E na pediatria isso não é possível. Então, a equipe é treinada e habituada para cuidar do todo”, comenta.
O que esperar do futuro do câncer infantil?
Temos caminhado muito no tratamento do câncer como um todo. Quase diariamente há publicações novas, avanços terapêuticos, Medicina de Precisão, terapias-alvo.

“Atualmente, o tratamento oncológico visa não somente a cura, mas também a qualidade de vida e redução dos efeitos tardios para essas crianças. Isso está sendo possível com o conhecimento mais aprofundado dos tumores, seu mecanismo de proliferação, o que permite estratificação dos pacientes para redução de toxicidade do tratamento. Além disso, com essas descobertas, já existem diversas terapias-alvo que agem diretamente na alteração molecular encontrada no tumor e, assim, reduzem os efeitos colaterais tanto a curto, quanto a longo prazo, o que é importante quando se trata de crianças que terão muitos anos de vida pela frente”, comentam as médicas Gabriela e Camile, do Hospital Pequeno Príncipe.
Mas os desafios ainda existem…

É consenso entre a maior parte dos profissionais que atuam na Oncologia Pediátrica que as novas descobertas terapêuticas também precisem estar disponíveis aos pequenos. “O avanço da ciência é uma realidade principalmente para o câncer adulto. Por ser muito mais frequente, acaba mobilizando um investimento maior, então as pesquisas, a inovação, vêm precocemente para o adulto e a população pediátrica acaba se beneficiando tardiamente dessa medicação. Sabemos que os avanços vêm acontecendo. E temos caminhado para que a população pediátrica seja beneficiada cada vez mais precocemente. Mas é preciso trazer esses estudos, desde o início, voltados também para essa população. Toda criança que tem o diagnóstico de um câncer precisa ter o mesmo acesso, e a mesma possibilidade, de receber o suporte adequado e a chance da cura”, salienta a Dra. Carolina Camargo Vince.
obs.:CONTEÚDO MERAMENTE INFORMATIVO
ABS,
CARLA


PELE
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