Depois de anos sem grandes novidades terapêuticas, o tratamento do diabetes tipo 1 e tipo 2 vive um momento de transformação. Em entrevista ao DiabetesCast, o Dr. João Salles, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), comentou a chegada de novidades como a insulina Glargina, as insulinas ultrarrápidas e os inibidores de SGLT2, também o potencial dos análogos de GLP-1, populares como “canetas emagrecedoras”, para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.
“Nós passamos muito tempo sem ter novidades para o uso para tipo 2 e tipo 1. E hoje a gente tem. A gente tem a chegada da Glargina, as insulinas ultrarrápidas, que já chegaram há um tempo, mas ainda precisa de letramento para o médico aprender a cuidar disso. E a gente tem a chegada dos inibidores SGLT2 para os pacientes com diabetes tipo 2. E, se Deus permitir, vamos ver como as coisas vão andar, dos GLP-1, para os pacientes com diabetes tipo 2 e com obesidade. Há um indício de que a gente consiga isso depois, ano que vem.” Dr. João Salles | Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)
O que são as canetas e como agem no organismo
As canetas são medicamentos injetáveis pertencentes à classe dos análogos de GLP-1 (peptídeo 1 semelhante ao glucagon). Segundo o Dr. João Salles, essa classe terapêutica representa uma das frentes mais promissoras para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade nos próximos anos, sempre sob prescrição e acompanhamento médico.
O mecanismo de ação combina três efeitos principais: o controle da glicemia, o aumento da saciedade e a redução da velocidade do esvaziamento gástrico. Juntos, esses efeitos podem ajudar o paciente a comer porções menores, sentir-se satisfeito por mais tempo e manter níveis mais estáveis de açúcar no sangue. Ainda assim, o uso da medicação deve estar sempre atrelado a mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e atividade física regular.
Quais medicamentos já estão disponíveis no Brasil
Entre os medicamentos mais conhecidos dessa classe estão a semaglutida, comercializada como Ozempic e Wegovy, e a tirzepatida, vendida como Mounjaro. Todos possuem registro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento do diabetes tipo 2, e alguns deles também têm indicação para obesidade.
Em março de 2026, a patente da semaglutida expirou no Brasil, permitindo que outras empresas passassem a desenvolver medicamentos com o mesmo princípio ativo. Como resultado, a Anvisa aprovou, em maio de 2026, a Ozivy, da farmacêutica EMS, primeira caneta nacional de semaglutida sintética.
Segundo a agência, o medicamento utiliza o mesmo princípio ativo do Ozempic, mas não é considerado um genérico. Ele foi registrado como um medicamento novo após demonstrar qualidade, segurança e eficácia. Outros produtos à base de semaglutida ainda estão em análise pela Anvisa.
A indicação dessas medicações é voltada para pessoas com diabetes tipo 2 e, em alguns casos, para pessoas com obesidade ou sobrepeso associado a outras doenças. O uso apenas com finalidade estética, sem indicação clínica e acompanhamento médico, não é recomendado pelas sociedades médicas.
Por que a chegada dessas medicações importa tanto
A disponibilidade de novos medicamentos, segundo João Salles, é apenas uma parte do desafio. Tão importante quanto o acesso à tecnologia é a capacitação dos profissionais de saúde para utilizá-la corretamente, especialmente quando se trata de classes terapêuticas recentes que ainda exigem letramento médico.
Esse mesmo raciocínio se aplica diretamente às canetas emagrecedoras. No contexto do sistema público de saúde, em que custo e efetividade caminham juntos, não basta disponibilizar a medicação: é preciso que o profissional de saúde saiba orientar corretamente seu uso, e que o paciente compreenda o papel da medicação dentro de um plano de tratamento mais amplo.
O acompanhamento médico como condição indispensável
O acompanhamento profissional é indispensável durante todo o tratamento com canetas emagrecedoras. O médico responsável ajusta a dose de forma individualizada e monitora possíveis efeitos colaterais, como enjoos e perda de massa muscular, que podem ocorrer com essa classe de medicamentos.
Por isso, o uso dessas substâncias sem prescrição médica, ou a aquisição por canais não regulamentados, representa um risco à saúde. A orientação das sociedades médicas é clara: a aquisição deve ocorrer exclusivamente em farmácias autorizadas, com receita individualizada, e nunca por meio de redes sociais ou vendedores informais.
Informação confiável como ferramenta de cuidado
Diante da grande quantidade de informação equivocada que circula sobre esses medicamentos, o Dr. João Salles reforça a importância de buscar fontes confiáveis antes de tomar decisões sobre o tratamento.
“Use os nossos canais digitais da SBD, use o site da SBD para você ter informações corretas. Use portais confiáveis para ter informação correta. Não acredite em fake news.” Dr. João Salles | Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)
Para orientações completas sobre o manejo dessas medicações no controle glicêmico, a Sociedade Brasileira de Diabetes disponibiliza diretrizes detalhadas em seu portal oficial e em um aplicativo gratuito, com um capítulo dedicado ao diabetes no SUS.
Fechando a série de Dia Nacional do Diabetes
Esta matéria encerra a série especial que o Portal Um Diabético preparou para o Dia Nacional do Diabetes. Ao longo das últimas semanas, mostramos o panorama epidemiológico da doença no Brasil, ouvimos o Dr. João Salles sobre obesidade, estigma e os desafios do diagnóstico, e exploramos os avanços terapêuticos que têm mudado o dia a dia de quem convive com a condição, da insulina Glargina aos análogos de GLP-1. O fio condutor de todas essas reportagens é o mesmo: tratamento eficaz exige acesso, informação confiável e acompanhamento profissional constante.
Jornalista com quase 30 anos de experiência em televisão no interior de São Paulo, atuando como coordenadora de conteúdo e responsável por produção de pautas. Atualmente é produtora executiva na TB Content.
FONTE: https://umdiabetico.com.br/dia-nacional-do-diabetes-os-medicamentos-que-estao-mudando-o-tratamento-da-condicao/
obs.:CONTEÚDO MERAMENTE INFORMATIVO
ABS,
CARLA
Aviso médico: As informações deste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta com médico e/ou nutricionista. Cada pessoa tem necessidades individuais , busque sempre orientação profissional antes de
Tratamento



PELE
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