
ABRALE – Associação Brasileira de Câncer do Sangue
O que é leucemia aguda?
A principal diferença entre a LMA e a LLA está nas células doentes atingidas: se são mieloides ou linfoides. As primeiras incluem diferentes tipos de leucócitos (neutrófilos, monócitos, basófilos, entre outros) e também células que se distribuem pelos tecidos. As segundas (linfoides) incluem os linfócitos T, B e NK.
Outro ponto de destaque é que a LLA costuma aparecer com mais frequência em crianças e, em contrapartida, a LMA é mais comum entre os adultos.

“Essa diferença está diretamente relacionada com as características genéticas das doenças. A LMA aumenta a frequência com o envelhecimento, semelhante ao que ocorre com outros cânceres, relacionado com o acúmulo de lesões genéticas na medula óssea adquiridas durante a vida. Já a LLA da infância, segundo diversas evidências, provavelmente está relacionada à predisposição genética, podendo surgir muito mais cedo durante a vida. A LLA do adulto costuma aparecer com alterações genéticas de pior prognóstico e também está relacionada ao envelhecimento”, explica o Dr. Sérgio Fortier, hematologista da Rede de Hospitais São Camilo.
Tratamento das leucemias agudas em adultos
Na maioria das vezes, o paciente adulto com LLA e LMA percebe o surgimento dos sintomas e procura o pronto socorro. Com o diagnóstico em mãos, parte para o tratamento e hoje são muitas as opções disponíveis.

“Até pouco tempo, existia apenas quimioterapia convencional e TMO alogênico para o tratamento dos pacientes com leucemia aguda. Recentemente, têm surgido novos tratamentos como a imunoterapia, utilizando na LLA blinatumumabe, inotuzumabe, e na LMA, gemtuzumabe. Os agentes hipometilantes para LMA, entre eles a azacitidina e a decitabina são outras opções. Tem também as medicações orais, que agem em defeitos genéticos, dentre elas midistaurina e gilteritinibe, utilizadas em pacientes com LMA, e imatinibe, dasatinibe e ponatinibe para a LLA. Já os agentes indutores de diferenciação, como tretinoina e trióxido de arsênico, são indicados na LMA”, comenta o Dr. Sérgio.
O médico salienta que esses novos tratamentos já provaram seu benefício em alguns cenários e estão em investigação para verificar seu benefício, inclusive, na primeira linha de tratamento.
“Com a melhora do conhecimento da base genética dessas doenças, diversos novos tratamentos estão sendo desenvolvidos. Outro tipo de tratamento surgindo, já aprovado no Brasil para LLA do tipo B, é o uso de linfócitos do paciente geneticamente modificados para lutar contra a leucemia, chamado de terapia com CAR-T. É muito promissor, mas enfrenta outros desafios, como custo, acesso e toxicidades. No futuro, talvez seja usado em fases mais precoces do tratamento, hoje reservado apenas a pacientes que não responderam a nenhuma outra terapêutica”, diz o hematologista.
O transplante de medula óssea no paciente adulto também continua sendo opção. Seja na LLA ou na LMA, em muitos casos o procedimento será realizado como parte dos protocolos clínicos.
Leucemia em adulto tem cura?
De acordo com o Dr. Sérgio, tem sim! Mas as leucemias agudas nos pacientes adultos são mais desafiadoras.
“O prognóstico muda bastante de acordo com o subtipo, idade, características genéticas. Existem casos com bom prognóstico, com expectativa de cura maior que 95%. Já outros com menores chances de cura”.
Leucemias agudas em crianças
Como vimos, os sintomas das leucemias agudas serão evidentes. Mas é possível que alguns deles se confundam com outras questões de saúde, como as dores ósseas, que podem parecer com a “dor do crescimento”.
Por isso, é muito importante ficar atento às mudanças de comportamento das crianças e procurar um médico o quanto antes.

Segundo a Dra. Maria Lucia Lee, coordenadora da Hematologia Pediátrica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, a LLA é considerada o câncer mais comum da infância.
“Ainda assim, em mais de 90% dos casos, não se conhece sua etiologia. O que se sabe é que há maior incidência em pacientes portadores de síndromes genéticas constitucionais, principalmente crianças com síndrome de Down”.
Leucemia infantil tem cura?
A notícia boa é que, nas crianças, tanto a leucemia linfoide aguda, quanto a leucemia mieloide aguda têm excelentes respostas no tratamento – na LLA, as chances de cura estão entre 85-90% dos casos, e na LMA em cerca de 70%, em países desenvolvidos.

“Em Pediatria, o tratamento da LLA e da LMA são baseados no uso de poliquiomioterapia intensiva, utilizadas de acordo com protocolo terapêutico específico. Hoje, na LLA de linhagem B, novas perspectivas se abriram com a introdução da imunoterapia, que irá agir de forma dirigida ao blasto de linhagem B e tem indicações específicas”, fala a Dra. Maria Lucia.
O transplante de medula óssea nesta faixa etária também não costuma ser indicado na maior parte dos casos.
“Na LLA pediátrica, o TMO é indicado apenas nas falhas de remissão, que são eventos bem raros. Também tem indicação em quase todas as recidivas da doença. Já na LMA pediátrica, sua indicação na primeira linha de tratamento dependerá do subtipo de LMA e do tipo de resposta do paciente ao tratamento, mas também estará indicado em todas as recidivas. Podemos dizer que nas crianças é possível realizar tratamentos bastante intensivos com tolerância e toxicidade adequadas e contornáveis. Isso já não é mais o que ocorre em indivíduos a partir da adolescência, quando esse equilíbrio já é mais instável”, diz a médica.
Após o término do protocolo terapêutico, todo paciente pediátrico, obrigatoriamente, permanecerá em acompanhamento médico, pois deverá ser monitorizado em relação aos eventos tardios relacionados ao tratamento. Esse seguimento é fundamental para que as reações adversas tardias não tenham impacto na qualidade de vida curado.
Qual a importância dos marcadores genéticos?
Também conhecidos como “marcadores tumorais”, os marcadores genéticos são proteínas ou outras substâncias produzidas por células normais e também por células cancerígenas (nestes, a produção é em quantidades maiores).

A leucemia linfoide aguda (LLA) e a leucemia mieloide aguda (LMA) têm características diferentes relacionadas a proteínas na superfície da célula (CD19, CD22, CD33) e a alterações genéticas (FLT3, IDH1, IDH2, BCR-ABL).
“Em vez de desenvolver tratamentos específicos para cada doente, os pesquisadores usam essas características comuns em várias doenças como alvos. Assim, um tratamento direcionado a esse alvo pode ajudar diversos pacientes. Chegará um dia que, de acordo com as características da doença do paciente, poderemos escolher qual a combinação ideal de medicamentos oferecer”, fala o Dr. Sérgio Fortier.
FONTE:
https://revista.abrale.org.br/
https://revista.abrale.org.br/categoria/saude/

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abs.
Carla







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