sexta-feira, 31 de julho de 2020
quinta-feira, 30 de julho de 2020
Teste De Tolerância À Glicose Pode Ser Melhor Para O Diagnóstico De Diabetes Tipo 2 Em Jovens
Ming Li (Hospital da Faculdade de Medicina da União de Pequim, Pequim, China) e seus colegas descobriram “uma concordância surpreendentemente ruim entre o FPG e o OGTT na classificação de pré-diabetes e diabetes quando comparados com relatórios anteriores em adultos mais velhos”.
A equipe estudou 542 participantes do estudo Síndrome Metabólica de Crianças e Adolescentes de Pequim, com idades entre 14 e 28 anos e que possuíam pelo menos um componente da síndrome metabólica. Desses, 10,0% tinha pré-diabetes de acordo com pelo menos um dos grupos FPG e OGTT, e 1,9% tinha diabetes tipo 2.
No entanto, eles descobriram que o FPG não conseguiu identificar seis dos 10 casos de diabetes tipo 2 identificados com um OGTT, bem como 32 dos 33 casos de pré-diabetes. Por outro lado, o OGTT perdeu 21 das 26 pessoas que haviam prejudicado a glicemia de jejum.
Isso é consistente com um estudo realizado com jovens italianos obesos, dizem Li e equipe, e sugere que “a FPG é inadequada como uma tela para o fenótipo pré-diabetes” na presença de fatores da síndrome metabólica.
Porém, os resultados da OGTT identificaram um subgrupo de jovens com perfil cardio-metabólico mais adverso, evidenciado pelo fato de 46,9% apresentarem síndrome metabólica, possuindo pelo menos três de seus componentes: sobrepeso / obesidade, disglicemia, pressão arterial elevada, triglicerídeos elevados, ou baixos níveis de colesterol de lipoproteínas de alta densidade. Por outro lado, as taxas de síndrome metabólica foram de 14,3% entre aqueles com FPG comprometido isolado e de 7,5% entre aqueles com tolerância normal à glicose.
Jovens com tolerância à glicose diminuída isolada também tiveram a maior prevalência de doença hepática gordurosa não alcoólica moderada a grave, com taxas correspondentes de 28,1%, 14,3% e 9,0%.
Os participantes com FPG diminuído apresentaram a maior resistência à insulina, de acordo com o HOMA-IR, que os pesquisadores dizem “reflete principalmente a resistência hepática” à insulina, enquanto aqueles com tolerância à glicose diminuíram a pontuação mais baixa no índice de sensibilidade à insulina, que “reflete tanto hepática quanto periférica (ie , músculo) sensibilidade à insulina”.
A função das células beta medida pelo HOMA-β foi mais aberrante no grupo FPG prejudicado, mas o grupo tolerância à glicose prejudicada teve a pior função conforme indicado pelo índice insulinogênico (refletindo a secreção de insulina em fase inicial) e pelo índice de disposição oral.
Isso levou os pesquisadores a concluir que a tolerância à glicose diminuída “era mais indicativa do que glicemia de jejum prejudicada de profunda resistência à insulina, disfunção das células beta e um perfil cardio-metabólico adverso”.
Eles acreditam, portanto, que entre os jovens chineses, em vez de um teste de FPG, “um OGTT de duas horas é necessário para identificar adequadamente o pré-diabetes no subconjunto de indivíduos com fatores de risco para síndrome metabólica, mesmo na ausência de obesidade. “
Referência:
obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs
Carla
https://www.tiabeth.com/index.php/2020/03/03/teste-de-tolerancia-a-glicose-pode-ser-melhor-para-o-diagnostico-de-diabetes-tipo-2-em-jovens/
quarta-feira, 29 de julho de 2020
terça-feira, 28 de julho de 2020
segunda-feira, 27 de julho de 2020
OBA! OLHA NOSSO BLOG RECOMEÇAR FOI CONVIDADO PARA X Fórum Nacional de Políticas de Saúde em Oncologia On-line
Não fique de fora!
- 5 dias de evento com programação ao vivo e formato inovador.
- 2 mesas de debates com especialistas sobre o impacto da COVID-19 no câncer.
- 5 mesas de debates sobre os principais desafios enfrentados pelos pacientes oncológicos.
- 7 entrevistas exclusivas com grandes referências da oncologia e da saúde.
- Sessão exclusiva sobre dados como base para decisões e políticas baseadas em evidência, com apresentação e discussão de 3 cases.
- Conversas inspiradoras sobre o que importa para o paciente.
- Biblioteca digital para assistir sob demanda.
Programação
Segunda-feira - 03/08/2020
14h00 - 14h20 | Boas-vindas
- Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia
14h20 - 16h30 | Impacto do coronavírus no câncer: Brasil e mundo
Coordenador: Rafael Kaliks, oncologista no hospital Israelita Albert Einstein e diretor científico Instituto Oncoguia
- Abertura da mesa e contextualização do tema - Rafael Kaliks, oncologista no hospital Israelita Albert Einstein e diretor científico Instituto Oncoguia
- Lançamento pesquisa "Impactos do coronavírus na vida do paciente com câncer" - Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia
- Impacto global da COVID-19 no câncer - Felipe Roitberg, oncologista do programa de lideranças da União Internacional de Controle do Câncer
- Visão da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) - Katia Ramos Moreira Leite, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP)
- Visão da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) - Clarissa Mathias, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)
- Visão da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) - Arthur Accioly Rosa, presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT)
- Visão da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) - Alexandre Ferreira Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)
Debate e perguntas
16h30 - 16h45 | Intervalo
16h45 - 18h00 | O câncer convivendo com o coronavírus: temos um plano de retomada?
Coordenador: Rafael Kaliks, oncologista no hospital Israelita Albert Einstein e diretor científico Instituto Oncoguia
Debatedores: Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia e Tiago Farina Matos, diretor de advocacy no Instituto Oncoguia
- Qual o impacto da COVID-19 no mundo do câncer? - Gonzalo Vecina, ex-secretário municipal de Saúde de São Paulo e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
- Lidando com a demanda reprimida de diagnósticos - Clovis Klock, presidente Sociedade Brasileira de Patologia (SBP)
- Lidando com a demanda reprimida de tratamentos - Paulo Hoff, vice-presidente do Conselho Diretor do ICESP; diretor geral do ICESP e presidente da oncologia da Rede D’Or São Luiz
Debate e perguntas
Terça-feira - 04/08/2020
14h00 - 14h05 | Boas-vindas
- Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia
14h05 - 15h30 | Importância do diagnóstico precoce do câncer: discutindo prioridades e propostas de soluções
Coordenador: Tiago Farina Matos, diretor de advocacy no Instituto Oncoguia
- Abertura da mesa e contextualização - Tiago Farina Matos, diretor de advocacy no Instituto Oncoguia
- Desafios e prioridades da patologia no Brasil - Clovis Klock, presidente Sociedade Brasileira de Patologia (SBP)
- A importância da lei dos 30 dias para a garantia do diagnóstico precoce do câncer - Maira Caleffi, mastologista, presidente voluntária da FEMAMA e líder do comitê executivo do City Cancer Challenge (C/Can) em Porto Alegre
- Papel do Estado na garantia do diagnóstico precoce do câncer - Carlos Eduardo de Oliveira Lula, Secretário de Estado da Saúde do Maranhão e presidente do CONASS
- Diagnóstico genético e molecular - Rodrigo Guindalini, oncologista no Centro de Oncologia do Hospital Português de Salvador
Debate e perguntas
15h45 - 16h00 | Intervalo
16h00 - 18h00 | Por um tratamento do câncer menos desigual, mais ágil e efetivo no Brasil
Coordenador: Rafael Kaliks, oncologista no hospital Israelita Albert Einstein e diretor científico Instituto Oncoguia
Debatedor: Tiago Farina Matos, diretor de advocacy no Instituto Oncoguia
- Contextualização - Rafael Kaliks, oncologista no hospital Israelita Albert Einstein e diretor científico Instituto Oncoguia
- Prioridades dos CACONS - Pascoal Marracini, presidente da diretoria executiva da ABIFICC
- Prioridades da radioterapia - Marcus Simões Castilho, secretário geral da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT)
- Prioridades dos tratamentos sistêmicos - Gustavo Fernandes, diretor geral do Hospital Sírio-Libanês Unidades Brasília
- O desafio da desigualdade existente no acesso ao tratamento sistêmico oncológico no SUS - Maria Inez Gadelha, Chefe de Gabinete na Secretaria de Atenção à Saúde (SAS/MS)
- O papel do MP para que o tratamento seja mais igualitário, rápido e efetivo - Luis Otavio Stedile, analista do Ministério Público da União e assessor jurídico do Núcleo da Saúde da Procuradoria da República do Rio Grande do Sul
Debate e perguntas
Quarta-feira - 05/08/2020
14h00 - 15h15 | Entrevistas com especialistas: Câncer em foco
Coordenador: Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia
- Caminhos e desafios para uma oncologia sustentável, efetiva e justa
- Nelson Teich, ex-Ministro da Saúde - O rol da ANS: próximos passos - a confirmar
15h15 - 16h15 | Debate com especialistas: Os desafios da incorporação das drogas orais nos planos de saúde
Moderador do debate: Tiago Matos, diretor de advocacy do Instituto Oncoguia
- Stephen Stefani, presidente do comitê brasileiro da International Society of Pharmacoeconomics and Outcome Research (ISPOR)
- Vera Valente, diretora executiva FenaSaúde
- Martha Oliveira, diretora executiva Designing Saúde
- Renan Clara, Diretor Executivo da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)
16h30 - 18h30 | Entrevistas com especialistas: Câncer em foco
- Conversando sobre o papel da CGU - Rodrigo Eloy, auditor federal de finanças e controle da Controladoria-Geral da União (CGU) e coordenador de auditoria da Área da Saúde
- A importância do Legislativo no combate, controle e cuidado do câncer - Carmen Zanotto, deputada Federal e Silvia Cristina, deputada Federal e coordenadora da Frente Parlamentar Mista em Prol da Luta Contra o Câncer
Perguntas dos participantes
Quinta-feira - 06/08/2020
14h00 - 16h00 | Acesso a novas tecnologias no Brasil: sugestões para o aperfeiçoamento do modelo para a oncologia
Coordenadores: Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia
Debatedores: Tiago Matos, diretor de advocacy do Instituto Oncoguia e Rafael Kaliks, oncologista no hospital Israelita Albert Einstein e diretor científico Instituto Oncoguia
- Oncoguia entrevista: Denizar Vianna - Ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde e Professor Associado da UERJ
- Da pesquisa clínica ao acesso do paciente: compreendendo todas as etapas - Vanessa Teich, consultora em saúde
- Processo de definição de preço: barreira ou solução? - Renata Curi, advogada do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde, da Fiocruz
- Modelos internacionais de ATS - Felipe Roitberg, oncologista do programa de lideranças da União Internacional de Controle do Câncer
- Sugestões para o aprimoramento do processo de ATS - Ivo Bucaresky, economista, consultor independente e ex-diretor da Anvisa
Debate e perguntas
16h15 - 16h30 | Intervalo
16h30 - 18h00 | Dados para criação de políticas públicas baseadas em evidência
Coordenadores: Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia
- DataSUS e o Câncer - Jacson Venâncio Barros, diretor do departamento de informática do SUS
- O radar do câncer - André Marques, fundador da plataforma cliqueSUS
- Case Fosp: a experiência do registro de dados de São Paulo - José Eluf Neto, diretor-presidente da Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP)
- Case Conecta SUS - Wisley Velasco, gerente da Gerência de Informações Estratégicas em Saúde (ConectaSUS) da Superintendência de Performance da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás
- Case Capesesp - João Paulo Reis, diretor-presidente da Caixa de Previdência e Assistência dos Servidores da Fundação Nacional de Saúde (Capesesp)
Debate e perguntas
Sexta-feira - 07/08/2020
14h00 - 14h05 | Boas-vindas
- Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia
14h05- 14h40 | Desafios para a garantia dos meus direitos: quem me defende?
- Luciana Holtz e Tiago Matos entrevistam Gabriella Pavlopoulos Spaolonzi, Juíza da 13ª Vara da Fazenda Pública
14h45 - 16h00 | Compromisso com informação de qualidade e combate a fake news no mundo do câncer
Moderador: Luís Fernando Corrêa, clínico geral e apresentador do programa saúde em foco da rádio CBN
- Fake news no mundo do câncer - Natália Cuminale, jornalista especializada em saúde
- Case Oncoguia - Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia
- Case Redes Cordiais - Alana Rizzo, jornalista, consultora especializada em comunicação e política e cofundadora das Redes Cordiais
- Case Ministério da Saúde - Ana Miguel Teixeira da Silva, coordenadora do núcleo multimídia do Ministério da Saúde
16h15 - 16h30 | Intervalo
16h30 - 18h00 | Luciana Holtz em - Conversas que empoderam e inspiram: a voz do paciente com câncer
- Evelin Scarelli, relações institucionais no Instituto Oncoguia e ex-paciente com câncer de mama
- Ana Michele, jornalista, PaliAtivista e voluntária Oncoguia
- Vanessa Costa, voluntária Oncoguia e paciente com câncer de mama metastático
- Paulo Fraccaro, superintendente ABIMO
18h00 - 18h30 | Encerramento
- Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia
domingo, 26 de julho de 2020
sábado, 25 de julho de 2020
sexta-feira, 24 de julho de 2020
quinta-feira, 23 de julho de 2020
quarta-feira, 22 de julho de 2020
segunda-feira, 20 de julho de 2020
domingo, 19 de julho de 2020
sábado, 18 de julho de 2020
Amanhã serei velha

Eu, minha mãe de quase 80 e aquela jovenzinha da foto, juntas, iremos propagar afetos pelos obstáculos do caminho. De mãos dadas e com um sorriso no rosto, seguiremos adiante… pois amanhã serei velha!
No alto do armário a enorme caixa de papelão com a tampa florida que avisto, parece ser um convite a abri-la. Depois de tanto vasculhar memórias impregnadas em objetos, caixinhas e caixotes, mergulho naquela imagem capaz de arremessar meu coração para um tempo que, mesmo sem o ter vivido, compõe, sem sombra de dúvidas, muito do que sou. Ela está em mim, em cada atitude e valores. No meu processo de envelhecimento é nítida a semelhança entre nós duas e mesmo com perfis diferentes, me pego olhando e agindo como ela. Na fotografia, nos seus 18 anos, ela sorri e parece assegurar que tudo ficará bem.
O ano era 1958 e a foto foi tirada no dia da festa do seu aniversário no estúdio de um renomado fotógrafo do bairro do Ipiranga, onde ela morava. O vestido, feito por sua mãe, era rodado com uma faixa na cintura que evidenciava o esbelto corpo bem definido pela mocidade. Uma pintura de um vaso de rosas acima da lareira onde ela apoiava o braço direito, compôs o cenário da fotografia, em que detalhes e arabescos ali mostrados tornam presente a beleza realçada, e eu, uma quase velha, sou levada ao encontro da juventude da minha mãe.

Numa tentativa de perceber ali, a mulher de quase 80 anos que conheço e admiro, aproximo a fotografia de meus olhos para melhor observar os detalhes. Ela está lá. O olhar de ontem acolhe a paixão e o romantismo intactos no tempo presente, assim como o amor pelo meu pai que, na foto, foi registrado e realçado pela pintura em volta dos olhos e pelo berloque de uma figa presenteada por ele. Tudo nela é delicado e amoroso e o registro do sorriso, do sapato de saltinho e do anel dos 15 anos que um dia seria roubado, demonstram a continuidade dos afetos existentes na memória.
A velhice dela reflete aquele e tantos outros momentos capazes de anular qualquer possibilidade de ser apenas o que se é. Minha mãe continua sendo a moça do tal retrato que suspirava vida e se comportava com delicadeza.
Atualmente a tal mocinha tem sido convidada a contornar alguns problemas impostos pelo avanço da idade que insiste em desgastar corpos, calcificar dores e dificultar a vida.
De mãos dadas, ela e minha velha mãe passeiam apoiadas, uma na outra, pelo quintal da velhice, onde as novidades de um viver mais pesado geram estranheza enquanto despontam a sabedoria conquistada.
Observo a tudo, leio nas entrelinhas e noto o amor daquela moça na minha velha mãe. Com a foto nas mãos fecho os olhos e as percebo bem aqui em mim. Como numa oração, repito mantras, envio desejos para que ela se restabeleça das dificuldades impostas pelo nódulo no seu pulmão. Em que momento você se sentiu sufocada, mãe? Em que momento não pode suspirar? Concentro meus anseios para a moça da foto e para minha mãe velha e igualmente bela. Sei que juntas saberão trilhar esta dura parte do viver.
Em súplica, junto-me a elas e ao caminhar presente e difícil cujo estorvo irá se dissolver em nossa cumplicidade de amor. Eu, minha mãe de quase 80 e aquela jovenzinha da foto, juntas, iremos propagar afetos pelos obstáculos do caminho. De mãos dadas e com um sorriso no rosto, seguiremos adiante.
A campainha soa e do estado meditativo contemplo a realidade atrás da porta. Minha filha chega em casa com o mesmo sorriso no rosto. Agora somos 4. A vida se repete e se manifesta em esperança em meio a desordem. Olho novamente para a foto e é minha filha quem vejo e quem nos assegura que tudo ficará bem.
Cristiane T. Pomeranz
Arteterapeuta, entusiasta da vida e da arte, e mestre em Gerontologia Social pela PUC-SP. Idealizadora do Faça Memórias em Casa que propõe o contato com a História da Arte para tornar digna as velhices com problemas de esquecimento. www.facamemoriasemcasa.com.br
Idosos: Se você tem 60+, não cair deve estar na sua lista de “metas”

A queda já é a terceira principal razão de mortalidade de causa externa. Ser menos resistente e mais resiliente pode nos ajudar a aceitar as mudanças que a velhice nos traz. Se enxergar como vulnerável a eventos que não podemos controlar, pode nos salvar. Isso não tem a ver com a idade.
Tenho trabalhado isso nos meus atendimentos de Fisioterapia. Pergunto à meus pacientes sobre as metas para 2020 e sugiro delicadamente que seja um ano sem quedas.Parece bobo, tantas metas gigantes… tantas metas subjetivas. Tantas pessoas que dizem “só querer saúde”. Sugiro essa… sobre a queda.
Sim, se você tem mais de 60 anos, não cair deve estar na sua lista de “Metas”. Se você é um caidor crônico, espero que não esteja acostumado a ela (a queda) ou esteja achando que isso é “coisa de velho” e que não tem mais jeito.
A divulgação de uma notícia baseada em uma pesquisa no ano passado me assombrou e acredito que isso tenha chegado até você, leitor que se interessa por assuntos da velhice: “Morte por queda quadruplicam e se aproximam do número de homicídios em SP”.
Esses dados, segundo a Uol Notícias, foram publicados pelo BEPA- Boletim epidemiológico Paulista e divulgados pela Secretaria do Estado da Saúde. A notícia diz que a queda já é a terceira principal razão de mortalidade de causa externa e está na categoria “óbitos no trânsito, homicídios, suicídios e quedas fatais”. A gente se preocupa tanto com o cinto de segurança, em evitar circular por locais escuros e ermos na ânsia de evitar um assalto e possível violência, até mesmo morte… nos assombramos com notícias de suicídios… Mas a queda, ah a queda… ainda escuto de muitos idosos “eu nunca caí”, como se estivessem imunes.
O assunto está ficando cada vez mais sério e os dados são alarmantes. Acho que merece mesmo, um pouco mais de atenção e um pouco mais de cuidado. Principalmente para os turrões que me dizem “eu nunca caí” porque esses são os que muitas vezes assumem posturas arriscadas e que colocam na mão de Deus a sua proteção para não cair.
Ser menos resistente e mais resiliente pode nos ajudar a aceitar as mudanças que a velhice nos traz e isso também pode ser acrescentado à lista de metas. Se enxergar como vulnerável a eventos que não podemos controlar, pode nos salvar. Isso não tem a ver com a idade.
Se você conseguir inserir na sua lista (ou na lista de algum familiar querido) essa meta, busque formas efetivas de alcançá-la. São muitas… já amplamente divulgadas em todos os meios: adaptação domiciliar, calçado adequado, exercícios físicos, manter a saúde em dia etc etc. Reconhecer como algo realmente importante já ajuda no caminho da prevenção e pequenas mudanças na rotina podem nos ajudar a alcançar um longeviver com melhor qualidade.
Gabriela C. de A. Goldstein
Fisioterapeuta da Unidade de Referência em Saúde do Idoso PMSP - OS ACSC. Mestre em Ciências pela USP, especialista em Fisiologia e Biomecânica do Aparelho Locomotor pelo IOT- FMUSP e especialista em Gerontologia Social pela PUC-SP.
A capacidade de aprender nos idosos

A capacidade de aprender está intimamente relacionada com as habilidades para crescer – mental, física, social e emocionalmente e para tomar decisões. A aprendizagem ao longo da vida é um pilar do envelhecimento ativo.
A maioria dos estudos mais recentes sobre pessoas mais velhas ao redor do mundo tratam sobre a atenção de sua saúde e cuidados de longo prazo, mas existem outros aspectos do ambiente que podem contribuir de maneira muito importante para os desafios colocados pelo envelhecimento da população.

Essa é a abordagem proposta no documento da Organização Mundial da Saúde (2015) quando fala da cidade amiga do idoso, em que o aprender é um dos principais domínios de capacidade funcional. Trata-se de uma capacidade fundamental para as pessoas. Os idosos podem fazer as coisas que eles valorizam. Se o processo de envelhecimento saudável tem como objetivo promover e manter a capacidade funcional, então eles devem fazer o que são capazes de fazer, e aprender é uma das vias a serem percorridas.
E foi também o foco de um estudo recente realizado pelo Observatório da Dívida Social da Argentina chamado “A capacidade de aprender em idosos“, dirigido a toda a população interessada no tema do envelhecimento. Foi desenvolvido pelo Barômetro da Dívida Social com o Idoso, da Pontifícia Universidade Católica Argentina, em parceria com a Fundação Navarro Viola e o Banco Supervielle.
Por que é importante desenvolver as habilidades para aprender? Segundo a OMS (2015), existem evidências empíricas suficientes para sustentar que “ao continuar com o processo de aprendizagem, os idosos podem adquirir conhecimentos e habilidades para controlar sua saúde, acompanhar o processo tecnológico da sociedade, e, por exemplo, por meio de trabalho ou voluntariado, se adaptar ao seu processo de envelhecimento (aposentadoria, viuvez ou cuidar de outra pessoa), manter sua identidade e manter o interesse pela vida.
Além disso, continuar aprendendo está intimamente relacionado com as habilidades para crescer – no mental, no físico, no socialmente e emocionalmente e para tomar decisões. Assim, a aprendizagem ao longo da vida é um pilar do envelhecimento ativo.
Afinal, uma estrutura de oportunidades educacionais profundamente desiguais no passado – no tempo em que os mais velhos tinham idade para aprender, de acordo com os cânones clássicos, isto é, durante a infância e adolescência – eles não conseguiram. A grande maioria dos idosos tem, no máximo, o secundário médio, por um lado, e uma minoria teve a oportunidade de ao menos terminar seu ensino médio e talvez se aventurar no ensino superior.
O estudo do Barômetro da Dívida Social com o Idoso mostra como o interesse em continuar treinando, estudando ou aprendendo é frequente entre os idosos. Desde que a Lei 27.360 na Argentina aprovou a Convenção Interamericana sobre a Proteção dos Direitos Humanos dos Idosos, as pessoas mais velhas vêm se tornando conscientes de sua importância e também mais exigentes, reivindicando o direito à educação contínua.
No entanto, a sociedade ainda associa a idade avançada como um período da vida cheio de preconceitos e de desinvestimentos. Por isso o estudo quis conhecer os interesses educacionais dos idosos e se o interesse na aprendizagem é uniforme ou há variações de acordo com alguns atributos pessoais ou estrutural deste grupo populacional.
Observatorio de la Deuda Social Argentina
Pontificia Universidad Católica Argentina
Alicia M. de Justo 1500
www.uca.edu.ar/observatorio
Twitter: @odsauca
Mário Lucena
Jornalista, bacharel em Psicologia e editor da Portal Edições, editora do Portal do Envelhecimento. Conheça os livros editados por Mário Lucena.
Violência psicológica em pessoas idosas

Entre os indivíduos mais velhos que sofreram pelo menos um ato de violência, cerca de 60% disseram ter sido ignorados e cerca de metade disse ter sido vítima de agressão verbal mais de dez vezes nos últimos 12 meses.
SNS (*)
Um estudo sobre violência psicológica contra pessoas idosas desenvolvido por Ana João Santos, bolseira de investigação no Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, concluiu que 13% sofreram ameaças, agressões verbais ou insultos e humilhações, pelo menos uma vez, nos 12 meses anteriores à entrevista. Em termos dos fatores de risco, as vítimas de violência psicológica exercida mais frequentemente tendem a coabitar com um cônjuge ou com um cônjuge e filhos.
Desenvolvido no âmbito do Programa Doutoral em Gerontologia e Geriatria da Universidade do Porto (Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar) e da Universidade de Aveiro, os resultados deste trabalho indicam que os perpetradores indicados pelas vítimas de violência mais frequente são principalmente os cônjuges ou companheiros (54%). No entanto, 32% dos agressores esporádicos ou menos frequentes (uma a dez vezes nos últimos 12 meses) são filhos ou netos.
Com o título “Violence against older adults: multidimensional perspective”, a tese de Ana João Santos é realizada a partir dos dados recolhidos pelo projeto “Envelhecimento e violência”, coordenado pelo Instituto Ricardo Jorge, entre 2011 e 2014, tendo em conta duas medidas: qualquer ato de violência psicológica praticado uma única vez contra uma pessoa idosa nos 12 meses anteriores à entrevista e qualquer ato de violência praticado mais de 10 vezes contra uma pessoa idosa nos 12 meses anteriores à entrevista. Este estudo tem como coautores Baltazar Nunes e Irina Kislaya, do Instituto Ricardo Jorge, e Ana Paula Gil (Universidade Nova de Lisboa).
Além de determinarem a prevalência de violência psicológica sobre os mais velhos, o estudo pretendeu também saber o perfil dos perpetradores e o perfil das próprias vítimas. Neste âmbito, conclui-se que as mulheres entre os 60 e os 69 anos de idade, com pouco suporte social e a residir nas próprias casas com o cônjuge ou companheiro e com os filhos são as que reportam violência psicológica de forma mais frequente (mais de dez vezes no último ano).
O trabalho analisou a violência psicológica contra as pessoas idosas num total de 1.123 adultos com mais de 60 anos de idade, residentes em Portugal, sendo que mais de metade (66,8%) eram mulheres, 48% tinham entre 60 e 69 anos e 60% tinham menos de cinco anos de escolaridade. A violência psicológica, que inclui insultos, ameaças, intimidação, humilhação, entre outros comportamentos abusivos, é considerada de mais difícil deteção porque pode não ser tangível, mas também devido a especificidades culturais, variações das próprias dinâmicas familiares e a diferentes formas de medir a violência.
Redação Portal do Envelhecimento