
Guia IBA – Quando a pessoa perde a noção do que está fazendo
“Hoje pela manhã a levei ao banheiro,
a ajudei a escovar os dentes, a lavar o rosto, etc.
Depois do almoço, peguei sua escova de dentes, entreguei em suas mãos e lhe disse para ir escovar os dentes, e saí.
Quando voltei, ela estava sem fraldas, passando a escova nas fezes.”
Situações como essa chocam, assustam e deixam o cuidador profundamente abalado. Ver alguém que amamos usar objetos de forma inadequada, misturar higiene íntima com higiene oral ou não reconhecer o que está fazendo gera nojo, medo, culpa e um cansaço difícil de explicar. Mas é essencial compreender: isso não acontece por pirraça, provocação ou intenção.
Na demência, o cérebro perde progressivamente a capacidade de organizar ações simples. Áreas responsáveis pela sequência lógica, pelo reconhecimento da função dos objetos, pelo senso de limite, de nojo e de autocuidado vão sendo comprometidas. A pessoa até inicia uma tarefa — como escovar os dentes —, mas já não consegue compreender o contexto, o local ou o que está tocando.
Ela sabe que “precisa fazer algo”, mas não consegue sustentar o raciocínio até o fim.
Não é escolha. É desconexão neurológica.
Esses episódios costumam ocorrer quando o cuidador se afasta por alguns minutos. Em fases mais avançadas da demência, a pessoa já não consegue realizar tarefas sozinha, perde a capacidade de se auto organizar e entra em confusão rapidamente quando fica sem supervisão. O que antes era autonomia passa a ser risco.
Diante do choque, muitos cuidadores gritam, choram ou se desesperam. Isso é humano. Porém, é importante saber: gritar não corrige, não ensina e não reorganiza o cérebro adoecido. O grito apenas aumenta a agitação, gera medo, piora a confusão e desgasta ainda mais quem cuida. A pessoa já não possui estrutura cerebral para compreender broncas ou explicações longas.
Quando comportamentos como esse surgem, geralmente indicam avanço da demência e maior grau de dependência. Há perda importante do juízo crítico, da noção de higiene e da capacidade de autocuidado. Isso não apaga a história daquela pessoa, nem define quem ela foi ao longo da vida.
Define apenas a fase da doença.
A partir daqui, o cuidado precisa ser ajustado: não deixar tarefas de higiene sem supervisão, simplificar o ambiente, retirar objetos que geram confusão, antecipar necessidades e reorganizar a rotina. E, sobretudo, pedir ajuda quando o cansaço chegar.
Poupe suas energias. Não se culpe.
Se ela nunca fez isso antes, não é agora que começou por vontade própria.
Há fios se desconectando na mente dela — e isso exige mais presença, não mais cobrança.
Pergunta para você, cuidador(a):
Você ainda está exigindo autonomia de um cérebro que já não consegue se organizar… ou já conseguiu ajustar o cuidado à fase atual da doença?
Instituto Berna Almeida – Apoio a Cuidadores Familiares
@institutobernalmeida
“Hoje pela manhã a levei ao banheiro,
a ajudei a escovar os dentes, a lavar o rosto, etc.
Depois do almoço, peguei sua escova de dentes, entreguei em suas mãos e lhe disse para ir escovar os dentes, e saí.
Quando voltei, ela estava sem fraldas, passando a escova nas fezes.”
Situações como essa chocam, assustam e deixam o cuidador profundamente abalado. Ver alguém que amamos usar objetos de forma inadequada, misturar higiene íntima com higiene oral ou não reconhecer o que está fazendo gera nojo, medo, culpa e um cansaço difícil de explicar. Mas é essencial compreender: isso não acontece por pirraça, provocação ou intenção.
Na demência, o cérebro perde progressivamente a capacidade de organizar ações simples. Áreas responsáveis pela sequência lógica, pelo reconhecimento da função dos objetos, pelo senso de limite, de nojo e de autocuidado vão sendo comprometidas. A pessoa até inicia uma tarefa — como escovar os dentes —, mas já não consegue compreender o contexto, o local ou o que está tocando.
Ela sabe que “precisa fazer algo”, mas não consegue sustentar o raciocínio até o fim.
Não é escolha. É desconexão neurológica.
Esses episódios costumam ocorrer quando o cuidador se afasta por alguns minutos. Em fases mais avançadas da demência, a pessoa já não consegue realizar tarefas sozinha, perde a capacidade de se auto organizar e entra em confusão rapidamente quando fica sem supervisão. O que antes era autonomia passa a ser risco.
Diante do choque, muitos cuidadores gritam, choram ou se desesperam. Isso é humano. Porém, é importante saber: gritar não corrige, não ensina e não reorganiza o cérebro adoecido. O grito apenas aumenta a agitação, gera medo, piora a confusão e desgasta ainda mais quem cuida. A pessoa já não possui estrutura cerebral para compreender broncas ou explicações longas.
Quando comportamentos como esse surgem, geralmente indicam avanço da demência e maior grau de dependência. Há perda importante do juízo crítico, da noção de higiene e da capacidade de autocuidado. Isso não apaga a história daquela pessoa, nem define quem ela foi ao longo da vida.
Define apenas a fase da doença.
A partir daqui, o cuidado precisa ser ajustado: não deixar tarefas de higiene sem supervisão, simplificar o ambiente, retirar objetos que geram confusão, antecipar necessidades e reorganizar a rotina. E, sobretudo, pedir ajuda quando o cansaço chegar.
Poupe suas energias. Não se culpe.
Se ela nunca fez isso antes, não é agora que começou por vontade própria.
Há fios se desconectando na mente dela — e isso exige mais presença, não mais cobrança.
Pergunta para você, cuidador(a):
FONTE
:
https://www.facebook.com/1sujeitochamadoalzheimer?__cft__[0]=AZaWpaCazt4TRChDNG2IU99CFQHUd0dHSxKoYlkCYC9jKqQZ1jiad_XarDfwigMCiwudcLB7gLeezUMKDCG4_ncvp7ZaP_-o7-9MNqa1v22kwK8AV8Pm6OKbBFQaQqgmKXIr4t6mUHlIChtgDmeDfWsPNjjZb8Yp7xE6azZeLzsCViRE8xFmJlSrUogsYxDA4Ik&__tn__=-UC%2CP-y-R



Câncer de Cólo de Útero
obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs
Carla




Nenhum comentário:
Postar um comentário
Vc é muito importante para mim, gostaria muito de saber quem é vc, e sua opinião sobre o meu blog,
bjs, Carla