ABRALE – Associação Brasileira de Câncer do Sangue
16 de julho de 2025
Última atualização em 1 de outubro de 2025
A
meningite é uma doença que pode ser evitada por meio da vacinação,
porém a meningite leucêmica ou a linfomatosa escapam da prevenção
Escrito por: Juliana Matias
Atualmente, a meningite é uma doença que pode ser prevenida por meio
de cuidados higiênicos e, principalmente, pela vacinação. Porém, um dos
subtipos de meningite que pode atingir pessoas com cânceres do sangue
não pode ser prevenida pela vacinação: a meningite leucêmica ou
linfomatosa. Entenda o que é a doença e o que ela causa.
O que é a meningite leucêmica ou linfomatosa?
A meningite leucêmica ou linfomatosa acontece quando as células
cancerígenas passam a circular no sistema nervoso central. Guilherme
Perini, hematologista do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que
essa meningite pode ser identificada por meio de um exame de líquor,
que analisa o líquido que envolve o sistema nervoso central e a medula
espinhal.
Quais pessoas são mais suscetíveis a uma meningite leucêmica ou linfomatosa?
Segundo o hematologista, alguns subtipos de leucemia e de linfoma são
mais suscetíveis à infiltração do câncer no sistema nervoso central.
No linfoma, “os locais em que o tumor aparece estão relacionados com
um maior risco de infiltração do sistema nervoso central. Por exemplo,
um linfoma difuso que acomete o testículo, rim ou adrenal, tem um maior
risco de infiltração do sistema nervoso central”, conta o médico.
Já na leucemia, Perini informa que a meningite leucêmica é mais comum na leucemia linfoblástica aguda (LLA).
É possível prevenir a meningite leucêmica ou linfomatosa?
O especialista conta que não existe um consenso sobre a prevenção da
infiltração do câncer no sistema nervoso central. “Os dados ainda não
são cristalinos para sabermos se realmente conseguimos evitar a
infiltração”, ressalta.
Segundo Perini, existem apenas recomendações sobre o tratamento
dessas doenças. Porém, controlar bem o linfoma ou a leucemia diminui as
chances do câncer infiltrar o sistema nervoso central. “Fazer
tratamentos eficazes para a doença sistêmica estão relativamente
relacionados com menor risco de infiltrar”, conta.
Qual é o tratamento para essa meningite?
Para tratar a meningite leucêmica, a recomendação é a quimioterapia
intratecal ou as radioterapias, segundo o hematologista. Já para a
meningite linfomatosa, é necessário “fazer terapias direcionadas ao
sistema nervosa central, com metotrexato em altas doses, por exemplo, e
depois, muito provavelmente, consolidar com um transplante autólogo,
utilizando terapias baseadas em tiotepa”, relata Perini.
Qual é a chance de cura de uma pessoa que tem essa meningite?
Segundo o hematologista, a chance de cura de uma pessoa com meningite
leucêmica ou linfomatosa existe, porém, ela pode exigir mais tempo e
tratamentos específicos. “A infiltração do sistema nervoso central não
exclui a cura de um paciente, mas ela faz esse caminho um pouco mais
longo e um pouco mais conturbado”, explica.
Isso porque pode ser necessário mais medicamentos quimioterápicos e
até mesmo um transplante, nos casos em que a pessoa tenha boas condições
para a realização.
FONTE: https://revista.abrale.org.br/




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Carla