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domingo, 16 de agosto de 2026

DIABETES: Caneta reutilizável de insulina: erro na troca do refil pode comprometer a dose aplicada

 





A caneta reutilizável de insulina está cada vez mais presentes na rotina de pessoas com diabetes, inclusive entre pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O dispositivo permite substituir apenas o refil, também chamado de cartucho ou carpule, quando a insulina termina. Mas um cuidado é fundamental: não é recomendado colocar qualquer refil em qualquer caneta.

Cada modelo é desenvolvido para funcionar com determinados cartuchos de insulina. Usar um refil diferente daquele indicado para o dispositivo pode comprometer o encaixe e impedir que seja garantida a administração correta da dose.


O alerta foi feito pela enfermeira educadora em diabetes Gabriela Cavicchioli, durante participação no DiabetesCast ao lado da também enfermeira educadora Gisele Filgueiras.

“Um ponto muito, muito importante é a gente usar sempre a insulina da mesma marca da caneta.”

Gabriela explicou que a compatibilidade não é apenas uma questão de o cartucho aparentemente caber dentro do dispositivo.

“A gente não usa diferente porque o fabricante não consegue garantir que o encaixe é adequado. Consequentemente, a gente não consegue garantir que a dose está certa.”

A orientação ganha importância em um momento em que o SUS amplia a utilização de canetas reutilizáveis. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 2,1 milhões desses dispositivos foram distribuídos em 2025 para aplicação das insulinas NPH e regular.

Como cuidar do diabetes em casa? Tudo o que você precisa saber | DiabetesCast #64

Qual a diferença entre caneta descartável e reutilizável?

As duas têm o mesmo objetivo: permitir a administração da dose de insulina prescrita. A principal diferença está no que acontece quando o medicamento termina.

Na caneta descartável, a insulina já vem dentro do dispositivo. Depois que o conteúdo acaba, a caneta inteira é descartada.

“Terminou, eu descarto ela inteira”, explicou Gabriela durante a entrevista.

Já a caneta reutilizável permanece com o paciente. O que é substituído é o cartucho que contém a insulina.

“Nós temos as canetas reutilizáveis. […] Eu tenho um carpule, que é onde vem a insulina.”

Depois que o refil termina, ele é retirado e um novo é colocado no dispositivo.

American Diabetes Association (ADA) também diferencia os dispositivos dessa forma. Nas canetas reutilizáveis, os cartuchos são substituídos, enquanto o corpo da caneta continua sendo utilizado. A entidade ressalta ainda que cada caneta funciona apenas com determinados tipos de insulina.

Posso colocar qualquer refil de insulina na caneta reutilizável?

Não é essa a orientação.

Mesmo que dois cartuchos tenham dimensões aparentemente semelhantes, isso não significa que sejam intercambiáveis.

O dispositivo e o cartucho formam um sistema desenvolvido para administrar determinada quantidade de insulina quando o paciente seleciona a dose. Por isso, a compatibilidade indicada pelo fabricante precisa ser respeitada.

A precisão da dose é um dos requisitos fundamentais desses dispositivos. Estudos que avaliam canetas de insulina utilizam justamente critérios de precisão e exatidão para verificar se a quantidade selecionada corresponde à quantidade efetivamente administrada.

Por isso, diante de uma troca de marca, tipo de insulina ou dispositivo, o paciente não deve simplesmente testar se determinado refil “encaixa”.

A equipe de saúde ou o farmacêutico pode orientar qual cartucho deve ser utilizado com aquela caneta.

Canetas reutilizáveis estão sendo distribuídas pelo SUS

O uso desses dispositivos também passou a fazer parte da rotina de pacientes que recebem insulina pelo sistema público.

Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde informou que o SUS disponibilizava caneta reutilizável para aplicação das insulinas humanas NPH e regular nas Unidades Básicas de Saúde. Segundo a pasta, o dispositivo tem validade de três anos após o primeiro uso.

Durante o DiabetesCast, as especialistas apresentaram alguns dos modelos encontrados no sistema público.

Gabriela explicou que uma nova caneta passou a substituir gradualmente um modelo anterior utilizado para NPH e regular.

“Algumas pessoas ainda têm ela. […] Mas conforme essa caneta quebre, e todas as pessoas novas, a substituição vai ser por essa.”

Segundo a educadora, o modelo mais recente pode ser utilizado com os cartuchos específicos de NPH e regular destinados ao dispositivo.

Isso reforça a necessidade de receber orientação sempre que houver mudança de caneta. O fato de a pessoa já utilizar insulina há muitos anos não significa necessariamente que todos os dispositivos funcionem da mesma maneira.

Colocou o refil novo? Ainda existe um cuidado antes da aplicação

A troca do cartucho é apenas uma das etapas.

Depois de colocar um novo refil na caneta reutilizável, é necessário preparar o dispositivo de acordo com as instruções específicas daquele modelo antes de administrar a dose.

Durante o DiabetesCast, Gabriela introduziu justamente essa etapa ao demonstrar a utilização de uma caneta:

“Vamos supor que eu acabei de colocar um carpule aqui novinho. Como que eu faço a técnica de preparo da caneta?”

A preparação normalmente inclui colocar uma agulha nova e realizar o teste de segurança ou fluxo indicado pelo fabricante. Esse procedimento ajuda a verificar se a insulina está saindo pela ponta da agulha antes da seleção da dose prescrita.

A ADA explica que as canetas são hoje uma das principais formas de administração de insulina e destaca que esses dispositivos podem facilitar a aplicação e a precisão da dose, inclusive para pessoas com dificuldades de destreza ou visão.

A caneta quebrou ou não está funcionando: o que fazer?

Outro ponto importante é observar o funcionamento do dispositivo.

Uma caneta reutilizável pode permanecer com o paciente por um período prolongado, mas isso não significa que sinais de defeito devam ser ignorados.

Dificuldade para selecionar a dose, botão travando, vazamento ou qualquer comportamento diferente do habitual precisam ser avaliados antes de continuar utilizando o dispositivo.

No caso das canetas fornecidas pelo SUS, a orientação é procurar a unidade de saúde responsável pelo acompanhamento e pela dispensação dos insumos.

Durante a entrevista, Gabriela explicou que pacientes que ainda utilizam um modelo anterior distribuído para NPH e regular não precisam necessariamente substituí-lo se ele estiver funcionando normalmente. Caso apresente problema, a substituição ocorre pelo dispositivo atualmente disponibilizado.

“Quem ainda não recebeu, saiba que em determinado momento, se a sua não estiver funcionando de maneira adequada, é essa que você vai receber.”

A dose de insulina depende também da técnica correta

Quando a glicose fica acima do esperado, é comum pensar primeiro na alimentação ou na quantidade de insulina utilizada. Mas a técnica de aplicação também precisa entrar nessa avaliação.

Além de utilizar o cartucho compatível, é importante colocar corretamente a agulha, realizar o teste de fluxo conforme a orientação do dispositivo, selecionar a dose prescrita e executar adequadamente a aplicação.

A caneta de insulina é um dispositivo desenvolvido justamente para administrar doses com precisão. Por isso, improvisar combinações entre canetas e refis que não foram desenvolvidos para funcionar juntos não é recomendado.

Para quem recebe uma nova caneta reutilizável no SUS ou passa a utilizar um modelo diferente, uma orientação prática pode evitar erros: antes da primeira aplicação, peça à equipe de saúde para mostrar como colocar o refil, preparar o dispositivo e selecionar a dose.

Como resumiu Gabriela durante o DiabetesCast, o princípio das canetas reutilizáveis pode ser semelhante, mas existe um cuidado que não deve ser ignorado:

“Sempre [usar] a insulina da mesma marca da caneta.”





Fundador & CEO | Jornalista e Criador de Conteúdo - Tom é jornalista experiente, com mais de 17 anos de carreira em televisão, tendo atuado como repórter e apresentador nas principais emissoras do país. Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 22 anos, transformou sua trajetória pessoal em uma missão profissional. Além de liderar o Um Diabético, também realiza documentários e curtas com foco em saúde e impacto social. É reconhecido como um dos principais porta-vozes do diabetes no Brasil, dando voz e visibilidade a milhares de pessoas que convivem com a condição.












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Carla



  • ⚕️ Aviso médico: As informações deste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta com médico e/ou nutricionista. Cada pessoa tem necessidades individuais busque sempre orientação profissional antes de Tratamento

DIABETES>Quer comer uma sobremesa depois do almoço? Saiba as melhores opções para quem tem diabetes

 Frutas com iogurte, chocolate amargo e até bolo podem entrar no cardápio; especialistas explicam como fazer escolhas mais equilibradas







A vontade de comer algo doce depois do almoço é comum e não significa que pessoas com diabetes precisam eliminar a sobremesa da rotina. O cuidado está em entender como cada alimento se encaixa na alimentação, considerando sua composição, quantidade e frequência de consumo.

Não existe uma única dieta indicada para todas as pessoas com diabetes. A alimentação deve ser equilibrada e adaptada às necessidades individuais, sem a necessidade de excluir completamente alimentos específicos.


Durante um episódio do DiabetesCast, do portal Um Diabético, a nutricionista Juliana Batista e a endocrinologista Denise Franco explicaram como diferentes alimentos podem ser incluídos na rotina e quais cuidados devem ser considerados, principalmente para quem utiliza a contagem de carboidratos.

Frutas com iogurte natural

Uma combinação simples para a sobremesa é utilizar uma fruta inteira acompanhada de iogurte natural sem açúcar adicionado. Morango, maçã, pera e outras frutas podem ser utilizadas de acordo com a preferência e o planejamento alimentar.

Além de fornecer fibras, vitaminas e minerais, a fruta também contém carboidratos. Por isso, quem faz a contagem precisa considerar a quantidade consumida.

No podcast, Juliana explicou que a estimativa da quantidade de fruta também pode ser feita visualmente quando a pessoa está fora de casa e não tem uma balança ou tabela nutricional à disposição.


“A fruta, a gente vai treinar também o paciente conforme o tamanho da mão.”

A nutricionista também diferenciou a fruta inteira do suco ao explicar o que acontece com as fibras durante o preparo.

“O suco da fruta vai muito mais fruto em um copo, a fibra fica na casca, vai para o lixo e ali só está a parte doce.”

Por isso, entre as duas opções, a fruta inteira tende a ser uma escolha mais interessante.

Chocolate amargo em pequena quantidade

O chocolate não precisa ser completamente excluído da alimentação de quem tem diabetes. A escolha do produto e a quantidade consumida, porém, precisam ser consideradas.

A Diabetes UK afirma que pessoas com diabetes podem consumir chocolate, mas recomenda pequenas quantidades e menor frequência. A organização cita o chocolate amargo com maior concentração de cacau como uma possibilidade.

Mesmo os chocolates com maior percentual de cacau continuam fornecendo calorias e gordura e podem conter açúcar. Por isso, antes de considerar na sobremesa é importante consultar a tabela nutricional ajuda a identificar a quantidade de carboidratos e o valor energético do produto.

Esse é um dos motivos pelos quais Juliana alerta para o risco de observar somente o carboidrato ao fazer escolhas alimentares.

“Muitas vezes quando a gente fala em diabetes, a pessoa vem muito logo assim, carboidrato é que impacta na glicose, então eu fico controlando o carboidrato e esqueço de controlar calorias.”

A contagem de carboidratos, portanto, é uma estratégia específica e não substitui a avaliação da alimentação como um todo.

Uma pequena fatia de bolo

O bolo também pode aparecer no cardápio de sobremesa para uma pessoa com diabetes. Nesse caso, a receita e o tamanho da fatia fazem diferença.

A Diabetes UK considera que pessoas com diabetes podem consumir bolo, desde que tenham atenção à quantidade e à frequência.

No DiabetesCast, o alimento foi usado pelos especialistas para demonstrar como uma preparação pode ter diferentes quantidades de carboidratos dependendo de sua composição.

Juliana contou que utiliza medidas caseiras para ajudar os pacientes a desenvolver uma percepção visual das quantidades.

“O que eu faço muito com vocês é falar assim, chuta, depois você vê a tabela nutricional.”

A estratégia funciona como um exercício para que a pessoa consiga fazer estimativas quando não tem uma balança ou aplicativo disponível.

A especialista também mostrou durante o episódio que a quantidade de carboidratos pode variar conforme a receita e os ingredientes utilizados. Por isso, não existe uma quantidade fixa que possa ser aplicada a qualquer pedaço de bolo.

Goiabada com queijo

A tradicional combinação de goiabada com queijo também pode aparecer como sobremesa, mas a quantidade de goiabada merece atenção por sua concentração de açúcar.

O alimento foi citado por Juliana durante a explicação sobre doces em calda e outras preparações açucaradas.

“Tipo goiabada, essas coisas, ele tem mais, porque é uma quantidade de açúcar quase igual a um tanto de fruta.”

O queijo acrescenta proteína e gordura à combinação, mas não elimina os carboidratos presentes na goiabada.

A composição da refeição pode influenciar a velocidade com que a glicose aumenta, mas a quantidade total de carboidratos continua sendo relevante para quem faz esse acompanhamento.

Iogurte natural com cacau

Para quem gosta de chocolate, o iogurte natural com cacau em pó sem açúcar é outra possibilidade de sobremesa.

O cuidado está em diferenciar o cacau puro dos achocolatados, que podem conter açúcar adicionado. Também vale observar o rótulo do iogurte, principalmente nas versões saborizadas ou adoçadas.

A preparação da sobremesa pode ser complementada com uma pequena quantidade de castanhas ou sementes, de acordo com o planejamento alimentar individual.

A proposta é utilizar o cacau para acrescentar sabor à sobremesa sem depender necessariamente de produtos prontos com maior quantidade de açúcar.

Fruta com chocolate amargo

Outra forma de variar a sobremesa é combinar uma fruta inteira com uma pequena quantidade de chocolate amargo. Morango com alguns pedaços de chocolate é um exemplo simples.

A fruta acrescenta fibras e outros nutrientes à sobremesa, enquanto o chocolate pode trazer maior concentração de cacau, dependendo do produto escolhido.

A combinação, no entanto, não transforma o chocolate em um alimento de consumo livre. A quantidade continua sendo importante, especialmente porque o chocolate é mais concentrado em calorias e gordura.

E os doces diet? Também precisam de atenção

A palavra “diet” na embalagem pode levar à impressão de que o produto é automaticamente mais adequado para quem tem diabetes. Mas a classificação não significa, necessariamente, que o alimento tenha poucas calorias ou carboidratos.

Dependendo do produto, determinado ingrediente pode ter sido retirado ou substituído, enquanto outros componentes continuam presentes. Por isso, um doce diet ainda pode fornecer gordura, calorias e carboidratos.

A recomendação é consultar a tabela nutricional e verificar a composição e a quantidade por porção, em vez de escolher o produto apenas pela indicação “diet”.

A questão se relaciona diretamente à explicação de Juliana sobre a necessidade de olhar para a alimentação de maneira mais ampla:

“Muitas vezes quando a gente fala em diabetes, a pessoa vem muito logo assim, carboidrato é que impacta na glicose, então eu fico controlando o carboidrato e esqueço de controlar calorias.”

Assim, uma sobremesa diet pode fazer parte da alimentação, mas não deve ser entendida automaticamente como uma opção melhor ou consumida sem considerar a quantidade.

Contar carboidratos não significa comer sem limite

A contagem de carboidratos pode ajudar principalmente quem utiliza insulina a ajustar o tratamento de acordo com a quantidade de carboidratos ingerida. A estratégia também pode contribuir para uma alimentação mais flexível.

Juliana explicou que o método permite adaptar diferentes alimentos à rotina, em vez de trabalhar apenas com refeições fixas.

“A contagem de carboidrato vai deixar a alimentação mais flexível, você podendo comer diferentes coisas no dia a dia e ajustando a insulina conforme o seu organismo necessita.”

Mas essa flexibilidade não significa ignorar os demais aspectos da alimentação.

Para Denise Franco, o cuidado com o diabetes precisa considerar diferentes aspectos da saúde, e não apenas o valor da glicemia.

“Hoje, se pensar numa pessoa que tem diabetes, eu tenho que pensar ele como um todo, não é só um controle glicêmico.”

A endocrinologista também destaca a importância do acompanhamento nutricional para adaptar as escolhas à realidade de cada pessoa.

Afinal, qual sobremesa escolher depois do almoço?

Não existe uma sobremesa única indicada para todas as pessoas com diabetes. Frutas com iogurte natural, chocolate amargo, uma pequena fatia de bolo, goiabada com queijo, iogurte com cacau e fruta acompanhada de chocolate são algumas possibilidades para variar a refeição.

A escolha deve levar em consideração a quantidade, a frequência de consumo e a composição da sobremesa, além dos demais alimentos presentes na rotina.

Para quem utiliza contagem de carboidratos, o acompanhamento com nutricionista e equipe de saúde ajuda a entender como cada alimento pode ser incluído no planejamento alimentar.

E, para Denise Franco, a alimentação de quem tem diabetes não precisa ser completamente diferente daquela recomendada para a população em geral:

“A alimentação de quem tem diabetes é uma alimentação saudável. É uma alimentação como qualquer outra pessoa deveria ter.”

Assim, a sobremesa não precisa ser encarada como proibida, mas também não deve ser consumida sem atenção apenas porque é feita com ingredientes considerados mais adequados ou porque leva a indicação “diet”. O equilíbrio da alimentação e a individualização do tratamento continuam sendo fundamentais.









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