Por redação*
O infarto deixou de ser um evento associado apenas ao envelhecimento e passou a preocupar também adultos jovens. Dados do Ministério da Saúde e análises recentes com base em registros do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam aumento das internações por infarto em pessoas com menos de 40 anos nas últimas décadas, refletindo uma mudança no padrão da doença cardiovascular no país.
O alerta ganha força em abril, mês marcado por duas datas centrais para a saúde: o Dia Mundial da Saúde, em 7 de abril, e o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, em 26 de abril, condição que segue entre os principais fatores de risco para infarto, muitas vezes sem diagnóstico.
“Hoje vemos pacientes mais jovens chegando com fatores de risco acumulados. O infarto deixou de ser algo distante dessa faixa etária. Ele está acontecendo antes e, muitas vezes, de forma silenciosa até se tornar um quadro grave”, afirma a Dra. Bianca Prezepiorski, médica cardiologista do Hospital Cardiológico Costantini.
Segundo a especialista, a mudança está diretamente ligada ao estilo de vida. Alimentação baseada em ultraprocessados, sedentarismo, ganho de peso, consumo de álcool, uso de cigarro, incluindo dispositivos eletrônicos, além de estresse crônico e privação de sono, vêm antecipando o desgaste do sistema cardiovascular.
“A soma desses fatores acelera processos inflamatórios, altera a pressão arterial e sobrecarrega o coração. O organismo compensa por um tempo, mas essa conta chega e, muitas vezes, chega cedo”, explica.
Diabetes aumenta o risco de infarto precoce
Além dos fatores comportamentais, o diabetes tem papel central e preocupante nesse cenário, especialmente entre os mais jovens. “Pacientes diabéticos apresentam risco significativamente aumentado de infarto agudo do miocárdio (IAM) antes dos 40 anos. O diabetes de início precoce (diagnosticado antes dos 40 anos) está associado a um risco 14 vezes maior de IAM comparado a indivíduos sem diabetes da mesma idade, enquanto o diabetes de início tardio confere um risco apenas 2-4 vezes maior”, afirma a cardiologista.
“A evidência confirma que há, de fato, um aumento na incidência de IAM em adultos jovens nas últimas décadas, e o diabetes é um dos principais fatores de risco modificáveis nesta população”, explica a profissional. A associação entre diabetes e hipertensão torna o quadro ainda mais preocupante.
“A combinação de hipertensão e diabetes em pacientes jovens (antes dos 40 anos) confere um risco cardiovascular sinérgico e substancialmente elevado para IAM. Estudos recentes demonstram que a hipertensão de início precoce em pacientes diabéticos está associada a um risco maior de doença cardiovascular, comparado a pacientes com hipertensão de início tardio”.
Segundo a médica, dados reforçam esse cenário. “A prevalência de hipertensão e diabetes em adultos jovens que sofrem IAM é extremamente alta e está aumentando. Entre pacientes de 18-44 anos com primeiro IAM, 49,8% apresentavam hipertensão e 22,6% tinham diabetes – taxas substancialmente superiores às da população geral da mesma idade”.
Além dos fatores comportamentais, o diabetes tem papel central e preocupante no índice de infarto, especialmente entre os mais jovens. Foto: Freepik
Doença silenciosa e sintomas ignorados
A hipertensão arterial, frequentemente chamada de “doença silenciosa”, tem papel central nesse cenário. Por não apresentar sintomas evidentes na maioria dos casos, pode evoluir sem diagnóstico por anos, comprometendo vasos sanguíneos e aumentando significativamente o risco de infarto e AVC.
“O jovem dificilmente mede a pressão com regularidade. Quando descobre que há um problema, muitas vezes já existe algum grau de comprometimento. Isso reforça a importância do acompanhamento preventivo, mesmo sem sintomas”, alerta a Dra. Bianca.
Outro desafio é o reconhecimento dos sinais de alerta. Diferentemente do imaginário popular, o infarto nem sempre começa com dor intensa no peito.
“Em muitos casos, especialmente entre jovens, os sintomas são mais sutis e acabam sendo ignorados ou atribuídos ao estresse, ansiedade ou cansaço”, diz a cardiologista. Entre os sinais de alerta estão:
- Cansaço fora do habitual;
- Falta de ar em atividades simples;
- Palpitações;
- Desconforto torácico leve ou intermitente;
- Tontura e mal-estar persistente.
Nas mulheres, os sintomas podem ser ainda menos típicos, incluindo fadiga intensa, náusea e dores nas costas, pescoço ou mandíbula.
Estilo de vida sob pressão: do burnout ao cigarro eletrônico
Especialistas também chamam atenção para o impacto do estilo de vida contemporâneo. O estresse contínuo, associado a jornadas intensas, sono irregular e alta demanda emocional, tem efeitos diretos no organismo.
“O estresse crônico não é apenas uma questão emocional. Ele desencadeia respostas hormonais e inflamatórias que impactam diretamente o sistema cardiovascular”, explica a médica.
Outro ponto de preocupação é o uso de cigarros eletrônicos e narguilé, frequentemente associados a uma falsa percepção de menor risco. “Esses dispositivos não são inofensivos. Eles também provocam alterações no sistema cardiovascular e contribuem para o aumento do risco ao longo do tempo”, reforça.
Prevenção deve começar cedo
Diante do avanço dos casos em jovens, especialistas reforçam que a prevenção precisa começar antes mesmo dos sintomas.
Monitorar a pressão arterial, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, evitar o tabagismo em todas as formas, reduzir o consumo de álcool, cuidar do sono e do estresse e realizar check-ups periódicos são medidas fundamentais.
“O maior erro é esperar um sintoma mais evidente para agir. A doença cardiovascular costuma evoluir de forma silenciosa. Quando o corpo dá sinais, mesmo que discretos, é preciso investigar”, orienta a profissional.
Sinais de alerta: saiba quando procurar ajuda
Procure atendimento imediato se houver:
- Dor, pressão ou desconforto no peito (mesmo leve ou intermitente);
- Falta de ar sem causa aparente;
- Palpitações frequentes ou sensação de coração acelerado;
- Suor frio, tontura ou desmaio;
- Náusea ou mal-estar persistente;
- Dor que irradia para braço, costas, pescoço ou mandíbula;
- Cansaço extremo e repentino, fora do habitual.
Para reduzir o risco:
- Meça a pressão arterial regularmente;
- Evite cigarro, vape e narguilé;
- Reduza o consumo de álcool;
- Diminua alimentos ultraprocessados, sal e açúcar;
- Pratique atividade física com regularidade;
- Durma melhor e controle o estresse;
- Faça check-ups periódicos, mesmo sem sintomas;
- Atenção ao histórico familiar de doenças cardíacas.
Atenção final
Doença do coração pode evoluir em silêncio. Sintomas fora do padrão clássico, especialmente em jovens, mulheres e pessoas com diabetes, não devem ser ignorados. Na dúvida, procurar atendimento pode fazer a diferença entre um susto e uma emergência.
* Com informações da assessoria de imprensa da Hospital Cardiológico Costantini.
FONTE: https://www.momentodiabetes.com.br/infarto-antes-40-risco-maior-diabetes/?fbclid=IwY2xjawRJBzVleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFsSDg5R012eTE1Z1BsU1lXc3J0YwZhcHBfaWQQMjIyMDM5MTc4ODIwMDg5MgABHhwqBmh3yMwcZArHJ50rTAnjj1mBFBD_qFAgikQTjmjO6JtO7bxFKHYHhdCc_aem_Mdkx0jOS6VsroZpgR1cWtg
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