
Um em cada dez brasileiros tem a doença; nas capitais, prevalência saltou de 5,5% para 12,9% desde 2006
O Brasil ocupa a sexta posição no ranking mundial de países com mais pessoas diagnosticadas com diabetes. Segundo o Atlas Mundial de Diabetes 2025, divulgado durante o Congresso Mundial de Diabetes, em Bangkok, Tailândia, entre 16,6 e 20 milhões de adultos brasileiros vivem com a doença. Assim, o país fica atrás apenas de China, Índia, Estados Unidos, Paquistão e Indonésia.
Além disso, dados recentes do Ministério da Saúde, por meio do inquérito Vigitel 2024, mostram um cenário ainda mais preocupante. A prevalência de diabetes autorreferida entre adultos das capitais brasileiras chegou a 12,9%. Portanto, houve um aumento de 135% nos últimos 18 anos. Em 2006, quando o levantamento começou, apenas 5,5% da população adulta das capitais tinha a doença.
Consequentemente, o crescimento acelerado coloca o diabetes entre os
principais desafios de saúde pública no Brasil. A doença é a sexta causa
de morte no país e figura entre os principais motivos de internações
hospitalares. Além disso, os custos anuais com tratamento e manejo das
complicações chegam a cerca de 45 bilhões de dólares.
Distribuição geográfica da diabetes no Brasil
A análise da distribuição geográfica revela grandes disparidades regionais. Estudos baseados na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e em inquéritos epidemiológicos indicam que a prevalência da diabetes tipo 2 varia de 6,3% na região Norte a 12,8% no Sudeste.
Entre os estados, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul apresentam os índices mais altos. A concentração reflete fatores socioeconômicos, demográficos e de estilo de vida. Porto Alegre merece atenção especial. A capital gaúcha registra índices superiores à média nacional, com 12% da população adulta diagnosticada. Isso coloca a cidade entre as mais afetadas do país.
Por que algumas regiões concentram mais casos?
O aumento de casos no Sudeste e Sul está relacionado a múltiplos fatores. Primeiro, o envelhecimento populacional. O diabetes é mais comum em pessoas com idade avançada, e essas regiões têm maior proporção de idosos.
Além disso, o alto grau de urbanização influencia diretamente. A vida urbana moderna combina hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e estresse elevado, criando condições favoráveis para o desenvolvimento do diabetes tipo 2, que representa mais de 90% de todos os casos.
Outro fator determinante é a epidemia de obesidade. O Vigitel aponta que a obesidade mais que dobrou entre 2006 e 2024. Esse aumento acompanha o crescimento dos casos de diabetes. O consumo de alimentos ultraprocessados e a redução da atividade física alimentam esse ciclo.
Perfil dos afetados e desigualdades sociais
O Vigitel revela que o diabetes afeta mais mulheres (5,7%) do que homens (3,5%), embora números variem conforme a metodologia. Além disso, a escolaridade influencia a prevalência. Pessoas com menor nível educacional apresentam taxas mais altas da doença. Esse dado evidencia como o diabetes está ligado às desigualdades sociais e ao acesso desigual à informação sobre saúde, alimentação e cuidados preventivos.
Milhões de brasileiros não sabem que têm diabetes
O dado mais alarmante é que cerca de 5,3 milhões de brasileiros não sabem que têm diabetes. Isso representa 32% dos casos no país, ou seja, um em cada três diabéticos desconhece sua condição.
Enquanto não descobrem a doença, essas pessoas continuam suas rotinas, mas o diabetes age silenciosamente. Sem tratamento, a doença pode causar cegueira, problemas nos rins, amputações e doenças cardiovasculares. Muitos desses danos poderiam ser evitados ou controlados se a condição fosse detectada a tempo.
O Atlas Mundial de Diabetes 2025 confirma essa realidade: 31,9% dos brasileiros com diabetes não sabem que são diabéticos. Sem diagnóstico, a glicose elevada prejudica o organismo dia após dia, sem orientação médica ou tratamento adequado.
Jornalista com quase 30 anos de experiência em televisão no interior de São Paulo, atuando como coordenadora de conteúdo e responsável por produção de pautas. Atualmente é produtora executiva na TB Content.
FONTE/
https://umdiabetico.com.br/

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abs.
Carla












