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sábado, 28 de março de 2026

CÂNCER:: Março Verde e câncer de fígado: por que prevenção e diagnóstico precoce precisam virar pauta permanente

 

O “Março Verde” aparece, em algumas agendas brasileiras de campanhas de saúde, como um período de conscientização sobre neoplasias e fatores de risco, e isso abre uma boa janela para falar de um tumor frequentemente silencioso: o câncer de fígado, em especial o carcinoma hepatocelular (CHC/HCC), que costuma surgir em fígados já doentes (cirrose e hepatites crônicas, por exemplo).

No Brasil, o câncer de fígado não está entre os mais incidentes, mas seu impacto é relevante porque muitos casos são diagnosticados tardiamente. Na estimativa do INCA para 2023, houve 6.390 casos novos em homens (2,7% dos cânceres, excluindo pele não melanoma). Na mortalidade, dados de 2021 mostram 6.061 óbitos em homens e 4.535 em mulheres por “fígado e vias biliares intra-hepáticas”.

No mundo, o cenário é ainda mais contundente: em estatísticas globais recentes, o câncer de fígado figura entre os principais responsáveis por mortes por câncer.

Por que o câncer de fígado é tão desafiador?

  1. Ele costuma ser silencioso por anos.
  2. A maioria dos casos acontece em pessoas com doença hepática crônica (cirrose, hepatite B ou C, doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (MASLD/MASH) e uso nocivo de álcool)).
  3. Quando os sintomas aparecem (dor, emagrecimento, icterícia, aumento do abdome), muitas vezes já há doença mais avançada.

Esse “atraso diagnóstico” é a parte cruel e, paradoxalmente, a parte mais prevenível do problema.

O que mais aumenta o risco? (o núcleo “prevenível”)

A boa notícia (que vem com responsabilidade): uma parcela importante do risco é modificável e há consenso internacional sobre os principais alvos.

1) Hepatite B (HBV)

A hepatite B é causa importante de cirrose e câncer de fígado. A OMS destaca que, em 2022, a hepatite B esteve associada a cerca de 1,1 milhão de mortes, sobretudo por cirrose e carcinoma hepatocelular, e reforça que a vacina é segura e eficaz.

Além disso, há evidência de impacto populacional da vacinação na redução de câncer hepático relacionado ao HBV.

2) Hepatite C (HCV)

A hepatite C é tratável (com antivirais de ação direta) e a cura reduz progressão de doença hepática e, portanto, risco futuro.

3) Álcool

O consumo nocivo aumenta risco de cirrose e câncer de fígado de forma dose-dependente.

4) MASLD/MASH (esteatose hepática associada à disfunção metabólica)

Obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica se tornaram motores crescentes do risco hepático em vários países. Em 2025, uma Comissão do The Lancet chamou atenção para a trajetória de crescimento global e para a grande fatia potencialmente prevenível, com foco em metabolismo, álcool e hepatites virais.

“Rastreamento”: para quem faz sentido e como é feito

Aqui é onde a prevenção vira prática clínica.

Para pessoas de alto risco (especialmente cirrose, e alguns subgrupos com hepatite B crônica), grandes sociedades recomendam vigilância periódica para detectar CHC mais cedo. A orientação convergente é ultrassom abdominal a cada ~6 meses, com ou sem AFP (alfa-fetoproteína), dependendo do contexto e diretriz.

Importante: isso não é “check-up” para população geral. A estratégia é voltada a grupos com risco suficientemente alto para que os benefícios superem falsos positivos, ansiedade e custos.

Sinais de alerta (especialmente em quem já tem doença do fígado)

Procure avaliação médica se houver:

  • Perda de peso inexplicada, fadiga persistente
  • Dor/desconforto no quadrante superior direito do abdome
  • Icterícia (pele/olhos amarelados), urina escura
  • Ascite (barriga d’água), inchaço de pernas
  • Piora súbita de um quadro de cirrose “estável”

Esses sinais não são específicos, mas em contexto de risco não devem ser normalizados.

O “checklist” do Março Verde que realmente muda desfecho

  • Vacinação contra hepatite B (e checar status vacinal).
  • Testagem para HBV e HCV em grupos indicados e tratamento quando positivo.
  • Redução de álcool (ou abstinência, quando indicada).
  • Controle de peso e diabetes (MASLD/MASH entra aqui).
  • Se você tem cirrose (por qualquer causa): conversar sobre vigilância a cada 6 meses.

Conclusão

O câncer de fígado é um exemplo clássico de oncologia em que saúde pública, hepatologia e prevenção precisam andar juntas. “Março Verde” funciona como gatilho de comunicação, mas o impacto real vem de rotinas simples e consistentes: vacinar, testar, tratar, reduzir exposições e vigiar quem é alto risco.

Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estatísticas de câncer: números de incidência estimada (2023) e mortalidade (2021) por localização primária do tumor e sexo. Brasília: INCA; [acesso em 26 fev 2026].
  2. World Health Organization. Hepatitis B – Fact sheet. Updated 23 Jul 2025.
  3. Bray F, et al. Global cancer statistics 2022: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin. 2024.
  4. Singal AG, et al. AASLD Practice Guidance on prevention, diagnosis, and treatment of hepatocellular carcinoma. Hepatology. 2023.
  5. Sangro B, et al. EASL Clinical Practice Guidelines on the management of hepatocellular carcinoma. J Hepatol. 2025.
  6. The Lancet. Reversing the rise of liver cancer. 28 Jul 2025.

 

 

 

 

 
FONTE: https://web.facebook.com/OncologiaBrasilpage?__cft__[0]=AZZUwFCZgWkj2jQpUaHvDUoLESf5ZOzGbDCe8yYkCVQNS_hsOXrMTv8riRj1ZvH2-Aye3JiTEBlh5kpIsTKIECCgYbHlARmMYqzg_79wep6FJk4YQjd_sP1cHFp10wdTDlXIgQq5mPZlhLv5BAkym7i24HPd6cAkEgcdDnZbxLPPb6u9PsV59U3xpCohdvcqaG4OclsdRak4m5yhDaPOLqRSoynFnS2cHWnT9RkPta-PtQ&__tn__=-UC%2CP-y-R


 

 

 


 

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Carla