
Posts citam patch de pele para medir glicose sem picada, mas apuração do Um Diabético mostra que não há confirmação nem evidência científica publicada.
Para quem convive com diabetes, a ideia de medir a glicose sem furar o dedo chama atenção imediata. Nos últimos dias, dezenas de posts nas redes sociais brasileiras passaram a divulgar um adesivo que mede a glicose pelo suor, atribuindo a tecnologia à Samsung e sugerindo que o dispositivo estaria próximo de chegar ao mercado. A informação, no entanto, não foi confirmada pela empresa e não há, até o momento, estudos clínicos públicos que sustentem as promessas divulgadas.
Como a notícia se espalhou nas redes e chegou a sites de notícias
O conteúdo começou a circular em perfis voltados à tecnologia e saúde digital, em formatos variados, como vídeos curtos, cards informativos e textos explicativos. Em pouco tempo, o tema ultrapassou as redes sociais e passou a ser mencionado também em sites de notícias e blogs, quase sempre sem indicação clara de fonte científica, estudo clínico ou comunicado oficial.
Em geral, os posts descrevem um suposto patch flexível, baseado em sensores de grafeno, capaz de analisar o suor em tempo real, enviar dados ao celular e, assim, reduzir ou até eliminar as tradicionais picadas no dedo. Além disso, citam uma precisão de 97,3% e programas de uso em larga escala fora do Brasil.
O que diz a Samsung oficialmente?
Diante da repercussão, o Portal Um Diabético procurou a Samsung para esclarecimentos. Em resposta enviada pela assessoria de imprensa, a empresa foi direta:
“Por ora, a notícia foi identificada como um rumor. A Samsung não comenta sobre rumores e não fala sobre produtos futuros.”
Além disso, a equipe de reportagem verificou comunicados oficiais da empresa no exterior e não encontrou nenhuma nota pública, anúncio institucional ou apresentação técnica que confirme o desenvolvimento, os testes clínicos ou a aplicação do dispositivo citado nos posts.
O que a apuração do Um Diabético não encontrou
Como parte do processo de checagem, a reportagem buscou informações em bases científicas internacionais, como PubMed e Google Scholar, além de registros públicos de patentes e apresentações recentes ligadas à área biomédica da Samsung.
Até o momento:
- Não há estudos clínicos publicados sobre esse patch
- Não há dados apresentados em revistas científicas
- Não há registro em agências regulatórias
- Não há confirmação de distribuição em sistemas públicos de saúde
Portanto, não existem vestígios técnicos ou científicos públicos que sustentem as afirmações feitas nas redes.
A suposta precisão de 97,3% é compatível com o que a ciência conhece?
Um dos pontos mais chamativos dos posts é a alegação de precisão de 97,3% na medição da glicose a partir do suor. No entanto, a literatura científica atual mostra que esse ainda é um dos principais desafios dessa tecnologia.
Revisões publicadas na Nature Biomedical Engineering indicam que a concentração de glicose no suor não se correlaciona de forma direta e estável com a glicemia sanguínea. Fatores como hidratação, temperatura ambiente, atividade física e estresse alteram significativamente a composição do suor, dificultando medições confiáveis.
Já artigos da revista Diabetes Technology & Therapeutics reforçam que sensores baseados exclusivamente no suor permanecem, até agora, no campo experimental, sem desempenho suficiente para substituir medições sanguíneas ou sensores de glicose intersticial já aprovados.
O que isso significa para quem vive com diabetes
Na prática, a mensagem mais importante é a cautela. Embora a busca por métodos menos invasivos seja legítima e necessária, não existe hoje um patch de suor aprovado para uso clínico no tratamento do diabetes.
Sensores contínuos de glicose disponíveis atualmente passaram por anos de estudos, validação clínica e aprovação regulatória. Já tecnologias atribuídas apenas a rumores, mesmo quando associadas a grandes empresas, não devem orientar decisões de tratamento.
Por que rumores desse tipo ganham tanta força
Tecnologias em saúde despertam forte interesse emocional, especialmente quando prometem aliviar dores reais do dia a dia. Termos como “grafeno”, “inteligência artificial” e “alta precisão” criam uma narrativa de avanço iminente, mesmo sem comprovação.
Nesse contexto, o papel do jornalismo em saúde é justamente separar expectativa de evidência, oferecendo informação clara, responsável e baseada em fatos verificáveis.
Importante dizer
A ideia de medir glicose sem picadas continua sendo um objetivo da ciência moderna. No entanto, no caso do patch de pele atribuído à Samsung, estamos diante de um rumor, não de um produto confirmado ou validado. Para quem convive com diabetes, a melhor estratégia segue sendo informação confiável, acompanhamento médico e uso de tecnologias aprovadas.
Gerente de Conteúdo e Redes Sociais - Jornalista mineira, natural de Uberlândia, Laura é descolada, sensível e criativa. Traz para o projeto uma visão estratégica e conectada com as tendências digitais. É responsável pela distribuição dos conteúdos nas redes sociais, escreve reportagens especiais para o portal e atua na produção audiovisual. Desde que abraçou a causa do diabetes, há três anos, mergulhou no universo do Um Diabético com dedicação e empatia. Está constantemente se atualizando para potencializar o alcance e o impacto do nosso conteúdo.
Fundador & CEO | Jornalista e Criador de Conteúdo - Tom é jornalista experiente, com mais de 17 anos de carreira em televisão, tendo atuado como repórter e apresentador nas principais emissoras do país. Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 22 anos, transformou sua trajetória pessoal em uma missão profissional. Além de liderar o Um Diabético, também realiza documentários e curtas com foco em saúde e impacto social. É reconhecido como um dos principais porta-vozes do diabetes no Brasil, dando voz e visibilidade a milhares de pessoas que convivem com a condição.
FONTE:
https://umdiabetico.com.br/2026/

obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs.
Carla







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