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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

MELHOR IDADE: ORIENTAÇÃO AO CUIDADOR QUANDO A PESSOA COM DEMÊNCIA PASSA O DIA E A NOITE GRITANDO

 

Berna Almeida II



Há situações em que a pessoa com demência começa a gritar repetidamente, chama alguém, repete uma palavra, geme, reclama, pede socorro ou simplesmente grita sem conseguir explicar o que está acontecendo, e isso pode continuar durante horas, às vezes, atravessa o dia e entra pela madrugada.
Para quem cuida, chega um momento em que parece impossível suportar, mas antes de considerar o grito apenas uma manifestação da demência, precisamos fazer uma pergunta:
O que essa pessoa pode estar tentando comunicar?
O grito pode ser uma forma de comunicação
À medida que a demência avança, a capacidade de identificar e explicar o próprio desconforto pode diminuir, ela pode sentir alguma coisa e já não conseguir dizer:
“Estou com dor.”
“Quero ir ao banheiro.”
“Estou com medo.”
“Não consigo dormir.”
O grito pode ocupar o lugar dessas palavras.
Primeiro, procure causas físicas
Quando os gritos aparecem ou aumentam de repente, é importante investigar se existe alguma causa clínica.
Observe principalmente:
  • dor;
  • infecção urinária ou outra infecção;
  • constipação;
  • retenção urinária;
  • fome ou sede;
  • calor ou frio;
  • fralda molhada ou roupa desconfortável;
  • posição dolorosa na cama ou cadeira;
  • falta de ar;
  • alterações recentes nos medicamentos.
Uma mudança súbita de comportamento merece atenção, principalmente quando acompanhada de febre, sonolência diferente do habitual, confusão muito maior, dificuldade respiratória, recusa alimentar ou outra alteração clínica.
Pode não existir uma causa física evidente
Em algumas pessoas, os gritos estão relacionados às alterações provocadas pela própria demência.
Podem ocorrer:
  • ansiedade intensa;
  • medo;
  • desorientação;
  • alucinações;
  • delírios;
  • necessidade constante de chamar alguém;
  • agitação;
  • inversão do sono;
  • dificuldade de compreender onde estão e o que está acontecendo ao redor.
A pessoa pode gritar “quero ir embora” estando dentro da própria casa ou chamar repetidamente por alguém que morreu há muitos anos, mas para ela, naquele momento, aquilo pode ser absolutamente real.
Não adianta simplesmente mandar parar
“Pare de gritar.”
“Já falei que está tudo bem.”
“Você vai acordar todo mundo.”
A pessoa pode já não possuir capacidade cognitiva suficiente para compreender o pedido, controlar o impulso e modificar o comportamento e em alguns casos, confrontar, discutir ou elevar a voz aumenta ainda mais a agitação.
Experimente reduzir estímulos, falar devagar, aproximar-se de maneira tranquila, verificar necessidades básicas e observar se determinada música, ambiente, horário, pessoa ou atividade consegue diminuir a agitação.
Observe quando os gritos acontecem, faça uma pequena investigação dentro de casa:
Eles começam sempre no mesmo horário?
Pioram no final da tarde?
Acontecem quando a pessoa fica sozinha?
Começam depois do banho?
Durante a troca da fralda?
Quando é colocada na cama?
Depois de algum medicamento?
Existe algum período em que ela fica tranquila?
Essas informações podem ajudar o médico a entender o comportamento e decidir se existe algo que precisa ser investigado ou tratado.
E quando nada funciona?
Se os gritos são persistentes, interferem no sono, impedem os cuidados ou representam uma mudança importante do comportamento, converse com o médico que acompanha a pessoa, pode ser necessária uma avaliação clínica e também uma revisão dos medicamentos.
Não dê calmantes ou aumente medicamentos por conta própria apenas para fazê-la dormir ou parar de gritar, em idosos com demência, determinados medicamentos podem provocar sedação excessiva, quedas, piora da confusão e outros efeitos adversos.
E existe alguém que também precisa ser cuidado: o Cuidador
Passar um dia ouvindo gritos é difícil.
Passar semanas ou meses convivendo com gritos durante o dia e também durante a madrugada pode levar uma pessoa à exaustão.
O Cuidador começa a dormir mal, fica irritado, perde a concentração, chora, sente culpa por estar irritado, às vezes percebe que já não consegue responder com a mesma paciência.
Isso é um sinal de que a organização do cuidado precisa ser revista, se houver outras pessoas na família, é hora de dividir períodos de cuidado e quando possível, procure construir uma rede de apoio que permita ao Cuidador dormir, sair de casa e ter algumas horas de descanso, ninguém consegue permanecer em estado de alerta 24 horas por dia indefinidamente.
Uma última orientação
Quando uma pessoa com demência grita incessantemente, não pergunte apenas:
“Como faço para ela parar de gritar?”
Pergunte também:
“O que pode estar provocando esse grito?”
E, depois, faça mais uma pergunta:
“Como está a pessoa que está ouvindo esses gritos todos os dias?”
As duas precisam de atenção.
Nota ao Cuidador
O grito pode ser sintoma, comunicação, medo, desconforto ou consequência das alterações cerebrais da demência. Investigar sua causa é tão importante quanto tentar controlá-lo e se você chegou ao seu limite, não espere desabar para pedir ajuda. Cuidar de quem cuida também faz parte do tratamento.
Instituto Berna Almeida (@institutobernalmeida).
Página e Grupo de Apoio Online: 1 Sujeito Chamado Alzheimer.








FONTE: https://www.facebook.com/groups/mentesedemencias





 
 
 




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abs

Carla



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