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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Sem sintomas, gordura no fígado com inflamação aumenta risco de problemas cardiovasculares e pode evoluir para cirrose

 



A esteato-hepatite associada à disfunção metabólica, ou MASH, é a gordura no fígado com inflamação que, sem tratamento, pode causar complicações graves

A gordura no fígado (também chamada de esteatose hepática) é uma comorbidade comum em pessoas com sobrepeso e obesidade, embora essas não sejam as únicas causas. Como não provoca sintomas, o problema pode evoluir de forma silenciosa e levar à diversas complicações de saúde no longo prazo.

O assunto foi debatido durante o congresso anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD 2026), realizado em Milão, Itália. 

Em entrevista ao Portal Drauzio, Fernanda Canedo, hepatologista, gastroenterologista e gerente médica da Novo Nordisk, explica que a condição é extremamente prevalente: estima-se que 50 milhões de adultos brasileiros tenham gordura no fígado e pelo menos 10 milhões apresentem a esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (ou MASH, na sigla em inglês), uma forma mais grave, quando a doença evolui com inflamação. 

“A gordura no fígado não é ‘só uma gordurinha’. Ela é um marcador de gordura visceral e ectópica. Da mesma forma que se acumula no fígado, está se acumulando nos vasos, coração, rins e pâncreas. O paciente com gordura no fígado já tem aumento de risco cardiovascular, fibrilação atrial, infarto, AVC e morte cardiovascular, independentemente da evolução no fígado”, explica.

Ou seja, mesmo quando a pessoa não desenvolve uma doença grave do próprio fígado, o fato de ter gordura no órgão já sinaliza uma alteração metabólica. “Ter gordura no fígado não é normal, em qualquer grau”, completa a médica.

 

Gordura no fígado é reversível, mesmo avançada

Segundo a hepatologista, cerca de 20% a 25% dos pacientes com esteatose vão evoluir para a MASH. A gordura entra nas células hepáticas e passa a causar uma inflamação crônica. Sem tratamento, ela começa a causar cicatrizes (chamadas de fibrose). A fibrose pode ser leve (F1), moderada (F2), avançada (F3) e, no último estágio, cirrose (F4). 

Conforme o paciente progride dentro dessa linha, ele tem risco aumentado para câncer de fígado e necessidade de transplante hepático. Mas hoje sabe-se que é possível revertê-la.

“[Antes], a gente tinha uma máxima na medicina e na hepatologia de que quando você tinha cicatriz, não tinha mais o que fazer. Hoje a gente sabe que não é assim. Até o processo de fibrose é dinâmico e até determinado momento a gente consegue reverter, desde que você diagnostique — o que é um grande gargalo —, e comece o tratamento adequado precocemente”, esclarece Canedo. 

Fatores de risco

Os principais fatores de risco para o acúmulo de gordura no fígado são o sobrepeso e a obesidade. Porém, a condição também pode surgir em pessoas que não estão acima do peso. Pré-diabetes, diabetes, colesterol e triglicérides elevados, alterações genéticas e histórico de álcool também podem estar associados ao problema. 

Segundo Fernanda Braga Albuquerque, endocrinologista do Serviço de Diabetes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e membro do Departamento de Advocacy da Associação Brasileira para o Estudo da Síndrome Metabólica e Obesidade (Abeso), o excesso de gordura corporal, especialmente na região abdominal, merece atenção. “Isso acontece porque alterações metabólicas, como a resistência à insulina, podem favorecer a chegada e o armazenamento de gordura no fígado”, explica. 

A especialista diz que indivíduos com pré-diabetes ou diabetes tipo 2 devem conversar com seu médico sobre a saúde do fígado. Em muitos casos, é possível fazer uma avaliação inicial simples para estimar o risco de fibrose. “A boa notícia é que cuidar da saúde metabólica — glicose, pressão arterial, colesterol, alimentação, atividade física e peso, quando necessário — também é uma forma de cuidar do fígado.”

Em relação ao álcool, especificamente, Canedo destaca que nem toda cirrose é causada por álcool, mas ainda existe um grande estigma em torno desse assunto. “Sobre a cirrose, o álcool é apenas uma das dezenas de causas. Existem causas autoimunes, genéticas, virais, medicamentosas e metabólicas”, afirma. 

 

Mudanças no estilo de vida e alimentação são fundamentais

“O tratamento deve ser individualizado, mas a mudança do estilo de vida é a base do cuidado. Alimentação rica em alimentos naturais e pouco processados, atividade física regular, redução ou eliminação do consumo de álcool e, para quem tem excesso de peso, uma redução de peso sustentável (cerca de 5% a 10% do peso) podem diminuir a gordura e a inflamação no fígado”, explica Albuquerque. 

Ambas as especialistas reforçam que não há necessidade de mudanças radicais, mas uma reeducação sustentável. Segundo a endocrinologista, pequenas mudanças mantidas ao longo do tempo podem produzir benefícios metabólicos importantes.

Embora a dieta mediterrânea seja a mais estudada, de acordo com Canedo, ela é pouco factível para a maioria dos brasileiros. “Defendemos a ‘dieta ancestral brasileira’ [a famosa combinação de arroz, feijão, salada e proteína]. O feijão é riquíssimo em fibras, que atenuam o pico glicêmico do arroz. Ajustando as quantidades e a qualidade dos ingredientes, é uma alimentação protetora e extremamente viável”, detalha.

Para a especialista, o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, é uma excelente ferramenta nesse contexto. O documenta recomenda uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados; os processados devem ser consumidos em quantidade limitada e os ultraprocessados, evitados. 

Tratamento medicamentoso disponível no Brasil 

Atualmente, a semaglutida 2,4 mg (comercializada como Wegovy) é o único medicamento aprovado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento da MASH em adultos com fibrose moderada a avançada (sem cirrose). 

Durante o congresso EASD, foram apresentados dados que indicam que o efeito benéfico para o fígado acontece independentemente da perda de peso. Inclusive, a indicação em bula não tem o IMC como critério, embora a maioria dos pacientes com gordura no fígado esteja acima do peso. 

“É muito importante a gente tratar o paciente com sobrepeso ou obesidade com a medicação que tenha benefício hepático porque a gente vai prevenir que [o problema] evolua”, destaca Canedo. 

Para Albuquerque, algumas pessoas se beneficiam de medicamentos que atuam sobre o metabolismo e/ou sobre o peso, de acordo com seu quadro clínico. Mas como o remédio é indicado apenas para MASH com fibrose moderada ou avançada, sua indicação não se aplica automaticamente a qualquer pessoa que tenha gordura no fígado. “Quando indicada, a semaglutida deve fazer parte de um plano de cuidado individualizado. Ela não substitui alimentação adequada, atividade física ou acompanhamento médico”, afirma. 

 

A jornalista viajou para o evento a convite da Novo Nordisk. 

Maiara Ribeiro é jornalista e integra a redação do Portal Drauzio Varella desde 2018. Tem interesse principalmente em assuntos relacionados à primeira infância, saúde mental, longevidade e bem-estar.












FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/hepatologia/sem-sintomas-gordura-no-figado-com-inflamacao-aumenta-risco-de-problemas-cardiovasculares-e-pode-evoluir-para-cirrose/?utm_id=97757_v0_s00_e0_tv2_a1demonlevj1mq&fbclid=IwY2xjawVGFV9leHRuA2FlbQIxMQBwZG9mBXNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR6nuTMtI4oWvm8zQdCxfjAIe_-6JBVjknKTK_hGhH7Q2QJLixF8FD7FfVBnZw_aem_2y8c_v5v9GCHXn1xBeHowQ


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  • ⚕️ Aviso médico: As informações deste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta com médico e/ou nutricionista. Cada pessoa tem necessidades individuais , busque sempre orientação profissional antes de Tratamento

CÂNCER: 19 /10 DIA INTERNACIONAL DE COMBATE AO CÂNCER DE MAMA> Outubro Rosa: um convite à atenção com a própria saúde.

 




🎀 Outubro Rosa: um convite à atenção com a

própria saúde.

Conhecer o próprio corpo e estar atento a

mudanças é uma forma de cuidado. Ao perceber

alterações nas mamas, procure um serviço de

saúde para avaliação.

O acesso à informação, à prevenção e ao

atendimento adequado é essencial para que todas

as pessoas possam cuidar da saúde com

dignidade.





FONTE: https://www.instagram.com/mdhcbrasil/


 

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Câncer de Mama > Principais Dúvidas sobre Fibroadenomas

 

O que é o fibroadenoma?

Os fibroadenomas são lesões mamárias benignas que podem formar nódulos sobretudo em mulheres jovens, entre 15-35 anos. Sua etiologia ainda permanece desconhecida, porém tem relação hormonal, podendo apresentar crescimento durante a gravidez, lactação e com o uso de terapia estrogênica e involuir na menopausa. São compostos de tecido mamário (glandular) e fibrose e podem ser únicos ou múltiplos/unilateral ou bilateral correspondendo a principal causa de nódulos na mama. Ocasionalmente, podem ter consistência mucinosa ou gelatinosa. Apresentam-se como nódulos em exames de imagem ou nódulos palpáveis pela mulher durante o autoexame ou durante o exame médico. São nódulos móveis e bem definidos, com forma oval, esférica ou multilobulada, podendo, muitas vezes, serem assintomáticos.

Ele sempre deve ser retirado?

Na maioria dos casos eles podem ser apenas acompanhados com consultas periódicas e exames de imagem, não sendo necessário retirá-los, principalmente fibroadenomas pequenos ( – 2 cm) e em pacientes abaixo dos 30-35 anos. Seu acompanhamento é feito trimestral ou semestralmente por exame físico complementado com exame de imagem. Em caso de crescimento recomenda-se sua exérese.

Preciso me preocupar com ele?

É importante manter o acompanhamento médico com um mastologista para acompanhar a lesão e evidenciar qualquer alteração no seu comportamento que exija alguma intervenção.

Quais são os procedimentos para 

biópsia e saber se se trata de um 

nódulo benigno?

O exame físico e exames de imagem apenas sugerem tratar-se de um fibroadenoma. A mamografia após os 40 anos demonstra uma lesão bem delimitada, mas é necessário complementar com o ultrassom, que é o exame de imagem padrão ouro para este tipo de lesão. Seu diagnóstico deve ser confirmado através de uma biópsia (core biopsy) e os fragmentos retirados analisados por um patologista.

O fibroadenoma pode virar câncer?

Os fibroadenomas não viram câncer de mama. Alguns subtipos mais raros aumentam discretamente o risco de câncer de mama. São eles os fibroadenomas complexos e os que apresentam alguma lesão proliferativa adjacente. Existe um discreto aumento de risco em pacientes com história familiar positiva.

Existe remédio para tratar 

ou sempre 

devo operar?

Não existe remédio para o tratamento, sendo este apenas o acompanhamento clínico ou a cirurgia. Em casos de fibroadenomas pequenos (menores que 2 cm) eles podem ser excisados completamente no momento da mamotomia (biópsia percutânea à vácuo).

Quando devo ser submetida 

à cirurgia?

As pacientes que possuem “cancerofobia”, ou seja, pacientes cuja presença de um nódulo na mama ocasiona um estresse psicológico importante possuem indicação de retirá-lo. Indica-se a cirurgia em caso de crescimento do nódulo, sintomas associados ou em casos de fibroadenoma complexo.


Centro de Oncologia e Hematologia, Einstein Hospital Israelita -


FONTE: https://clinicafema.com.br/

 


 

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