Powered By Blogger

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Hemoglobinúria Paroxística Noturna : 8.4 - Vivendo com a

Enfrentando as perdas e o luto durante o tratamento
A vida é uma constante de perdas e ganhos! Desde nosso NASCIMENTO precisamos aprender esta LIÇÃO. A cada conquista que fazemos precisamos DEIXAR ALGO PARA TRÁS. A cada passo que damos em direção ao FUTURO nos deparamos com a única certeza que podemos ter em relação a VIDA: estamos todos caminhando em direção a FINITUDE.
Quando adoecemos ou quando acompanhamos uma pessoa em seu processo de adoecimento, as perdas são partes marcantes do enfrentamento da situação. São perdas muito comuns nesses momentos: a perda da saúde, a perda da independência ou da autonomia, algumas vezes da vida produtiva, dos vínculos, da imagem corporal, das certezas e planos em relação ao futuro e até mesmo a perda pela morte.
Cada perda sofrida traz consequências e geram processos de luto para pacientes, familiares, cuidadores, profissionais da saúde, funcionários de uma instituição e para a comunidade.
homem triste2
O luto diante de qualquer uma destas perdas é uma reação normal e esperada em consequência à uma perda significativa. É parte natural da existência humana, acompanha todo o ciclo vital e precisa ser vivido para ser superado.

Nenhuma perda é igual a outra, mas sim uma experiência única e puramente individual. A forma como cada um lidará com uma perda e viverá seu luto dependerá de sua história de vida, bem como dos recursos de enfrentamento e do apoio que encontrará no caminho de superação.
Também precisamos pensar que nem todas as perdas que vivemos são apenas negativas. Existem perdas que fazem parte do desenvolvimento humano (perda da infância, saída da fralda, saída da adolescência, etc.) e outras que, apesar de todo sofrimento envolvido, nos fazem crescer e amadurecer.
Apesar da singularidade de cada processo de luto, existem algumas etapas que são muito comuns entre os enlutados. Elas foram delineadas primeiramente pela Dra. Elizabeth Kluber-Ross e depois aperfeiçoadas por mais dois especialistas em perdas e luto: o Dr. Colin Parkers e o Dr. Willian Worden. 
Para facilitar o entendimento deste processo pelo nosso público, decidimos usar as dicas elaboradas e adaptadas pela Psicóloga Marcela Alice Bianco, do nosso Comitê Científico de Psicologia, que ilustram essas fases de maneira bastante próxima da realidade de quem está vivenciando uma perda, seja ela qual for.
Se você acabou de receber uma má notícia, se está lidando com as perdas inerentes a um processo de adoecimento ou é um familiar que perdeu uma pessoa querida, essas dicas serão preciosas para que você enfrente está situação.

1- Respeite o momento do choque.
Todos nós, quando sofremos uma perda temos um momento de “choque” inicial. Essa reação acontece pela dificuldade de absorver a realidade da notícia e há uma paralisia das emoções e da capacidade de perceber o entorno. Em geral, essa reação pode durar minutos, horas ou dias e a pessoa tem a tendência a manter a vida interior rica de ilusões em relação a sua vida anterior ou ao ser que partiu. O choque pode desencadear um verdadeiro “apagão” de consciência ou reações corporais como tremores, desmaios, vômitos e diarreias. A pessoa também pode estar em choque quando apresenta reações aparentemente frias e indiferentes ao que está acontecendo. Respeite esse momento e se você estiver ao lado de alguém em choque acolha a pessoa enlutada, que aos poucos irá conseguir ir compreendendo a realidade.

2- Cada um tem seu tempo para encarar a realidade da perda.
É comum que pessoas que estão vivenciando uma perda passem por uma fase de negação, demonstrando uma resistência à perda para evitar o desequilíbrio psicológico. Nestes casos, a expressão emocional pode ficar bloqueada, ou tenta-se negar a perda procurando esquecer o ocorrido ou evitando pensar no assunto. Também pode haver uma reação hiperativa, onde a pessoa age como se nada tivesse acontecido e busca se entreter no máximo de atividades possíveis para evitar entrar em contato com sua dor. Este tende a ser um período passageiro, mas preocupante quando se estende demais, sem o espaço para as demais reações naturais.  O uso de substância psicoativas (calmantes, drogas e álcool) nesse momento pode ser outra tentativa de fuga encontrada. Assim, é preciso ficar atento a presença de tais reações, e buscar ajuda especializada quando sentir necessidade.

3- O luto traz uma avalanche de emoções.
Os mais diversos sentimentos podem advir de um luto! Tristeza, raiva, revolta, alívio, culpa, medo, impotência, ansiedade... enfim, as mais profundas emoções podem ser despertadas. O luto é um processo doloroso e é preciso fazer um verdadeiro trabalho de superação. A expressividade emocional é fundamental para que a pessoa possa digerir a realidade da perda. Não evite o contato com seu sofrimento e procure as pessoas realmente disponíveis emocionalmente para contar sobre o que está sentindo. Seus sentimentos são legítimos e merecem ser respeitados e acolhidos.

4- É preciso chorar a sua dor.
Você não pode escolher não sofrer! O luto é uma experiência altamente dolorosa e que realmente abala qualquer estrutura. Bloquear, inibir ou adiar o seu luto não irá ajudar. Chorar, falar somente sobre o luto, limitar a sua vida a esse acontecimento por um tempo é natural e faz parte do processo de assimilação da realidade. Lembre-se que o que está acontecendo é algo maior que o Ego consegue abarcar de uma vez e, por isso, precisa ser digerido lentamente.

5- Nunca estimule alguém a “sair” logo do seu luto.
Pedir ou estimular que uma pessoa enlutada se recupere rápido ou não expresse suas emoções é totalmente desaconselhável. Esta atitude, ao invés de ajudar, pode bloquear uma reação normal de luto e desencadear outros problemas, como a hiperatividade ou até mesmo processos depressivos e de adoecimento.  Cada um tem seu tempo para superar o luto e tocar a vida em frente. Procure ser sensível a esse momento e acolher o enlutado encorajando-o a expressar seus sentimentos e a encontrar seus recursos emocionais para lidar com a perda.

6- Nos sentimos impotentes diante da dor de alguém.
Realmente quando o outro sofre uma perda somos relativamente impotentes frente ao que ele está sentindo. Não podemos apagar o que aconteceu e nem evitar a avalanche de reações e sentimentos que eclodem a partir do luto. Mas, estar ao lado da pessoa, manter-se presente, escutá-la e acolhê-la emocionalmente (respeitando as dicas anteriores) é algo que você pode fazer e que é de extrema importância neste momento.

7- Cada membro da família está vivendo um luto diferente.
Dentro das famílias cada um irá reagir de maneira individual a perda sofrida e pode acontecer de um familiar achar que o outro está indo muito rápido ou muito devagar com seu luto. Haverá aqueles que precisarão falar, contar histórias, assistir vídeos antigos, ver e rever fotos, passar dias em prantos. Mas, haverá também, aqueles que irão querer ficar calados, silenciosos em sua dor. Nenhuma reação é melhor que a outra.  As cobranças, exigências e julgamentos dentro das famílias acontecem porque cada um de nós tem seus conceitos e crenças sobre como devemos nos comportar diante de uma situação. Porém, é preciso esclarecer que, a forma como cada um vive seu luto varia conforme suas características de personalidade, seus recursos de enfrentamento e suas defesas, sua história de vida, e dos relacionamentos e dos vínculos que possui. No caso de falecimento, por exemplo, quando o vínculo era muito forte ou quando existia uma história de relacionamento conturbada e conflituosa que não se resolveu, pode ser mais difícil para o enlutado lidar com toda a situação. Por outro lado, quando não existia uma ligação afetiva entre a pessoa e o ser perdido pode ser que ela lide mais facilmente com a perda. São variações que precisamos estar atentos para perceber e assim, compreender para não julgar. Exercitar a empatia dentro da família é essencial para a resolução do luto de cada membro, bem como para a saúde do relacionamento familiar.

8- É preciso consolar a sua dor.
Superar uma perda pode levar tempo e cada um tem o seu período para digerir a situação. É natural que você sofra por um tempo, que tenha dificuldade para encarar a realidade, que sinta vontade de ficar isolado, que a vida perca o gosto por um tempo. Isso faz parte do processo. Mas, você não precisa passar por isso sozinho. Consolar sua dor com pessoas que você confia e se sente à vontade para partilhar este momento é um importante caminho para a superação. As pessoas que gostam de você estarão prontas para te amparar e ajudar nesse momento. Estarão ao seu lado para chorar e rir com você, para te ouvir e te falar palavras de conforto, para estar simplesmente ao seu lado quando você precisar se apoiar ou quando sentir que vai cair. Conte com elas!

9- Procure uma maneira para expressar o que você está sentindo.
Redigir cartas para o ente querido ou para si mesmo, escrever poesias, textos, compor músicas, expressar-se através da pintura, das artes plásticas, da dança ou qualquer outro recurso que lhe parecer viável é uma excelente via para expressar suas emoções sobre o luto. Recurso ricamente conhecido pelos artistas, a arte e a escrita nos ajudam a nomear, discriminar e expressar o que estamos sentindo, oferecendo um significado a nossa experiência, servindo de um verdadeiro bálsamo ao nosso sofrimento e impedindo que a dor fique registrada de maneira não compreensível em nossa mente.

10- Você não precisar ficar triste o tempo todo. 
Uma das coisas que sempre fica no imaginário social, por exemplo, é que uma pessoa enlutada deve estar triste e sofrendo. Isso funciona como prova de amor e de que ela é uma boa pessoa. Porém, essa crença é totalmente inadequada. O luto é um processo muito complexo e é natural que, enquanto a pessoa elabora a sua perda sinta momentos de forte tristeza, mas também passe por momentos de alegria e distração.  A pessoa pode se alegrar e rir ao lembrar dos bons momentos com o ser perdido, pode ficar feliz por estar com pessoas que ama e que continuam fazendo parte da sua vida. O momento da perda também pode ser o do reencontro de familiares e amigos que há muito não se viam e que, nesse espaço, resgatam as histórias familiares, permeadas de boas lembranças. Além disso, a pessoa enlutada também precisará se distrair vez ou outra para “dar um tempo” para si mesma, descansar da sua dor e recuperar as forças. Permita-se sentir todos os sentimentos, mas não só os negativos. Deixar-se levar por bons sentimentos também te ajudarão a seguir em frente.

11- É preciso perdoar.
Quando ficamos doentes ou quando alguém nos deixa, uma imensidão de sentimentos pode nos invadir. Entre eles a raiva, a revolta e a culpa podem dificultar a elaboração de um luto. Você pode ficar com raiva porque sua vida mudou, porque as coisas nunca mais serão as mesmas, porque você acha que alguém cometeu algum erro. Ou no caso de um falecimento, porque a pessoa te deixou, porque acha que, nem ela e nem você, mereciam isso, porque você ficou, ou porque acha que houve algum erro, que se evitado nada disso estaria acontecendo.  Você pode culpar alguém, o mundo, Deus, o ente querido ou a si mesmo. Todo sentimento é legitimo e precisa ser vivenciado, mas agarrar-se a ele não aliviará a sua dor. Então é preciso buscar o perdão, compreender que muitas coisas fogem ao seu controle e ao do outro também. Precisamos aceitar que somos vulneráveis e factíveis ao erro. Que a vida tem um curso que extrapola nosso desejo, nosso controle e nossa onipotência. Por isso, necessitamos buscar a compreensão e a compaixão para alcançar o perdão!

12- Vai chegar a hora de dar destino aos objetos do ente querido.
Faz parte do processo de luto decidir o que será feito com os pertences do ente querido. Roupas, objetos, lembranças, tudo aquilo que era da pessoa precisa ganhar um destino. Você pode escolher doar, vender ou até distribuir alguns objetos mais significativos entre as pessoas que ele queria bem. Também pode escolher algum objeto para guardar consigo como uma herança que ele te deixou. Porém precisa tomar cuidado para não se manter apegado às coisas materiais que pertenciam ao ente perdido. Manter quartos intactos, resistir em mexer ou não se desfazer dos objetos pode ser um sinal de dificuldade em processar a perda sofrida.

13- Receba sua herança.
O fato é que nunca mais seremos os mesmos depois de passamos por uma perda e por um processo de luto, mas isso não quer dizer que isso nos leve a sermos mais fracos ou infelizes. É muito comum que pessoas que tenham superado momentos difíceis de perdas e lutos relatem que saíram delas mais fortes, com uma nova visão sobre a vida e sobre a espiritualidade e que criaram novos laços de amor e amizade. Está é a herança da perda, que precisa ser aceita e incorporada a nova personalidade.
No caso dos enlutados por uma morte, mais que os bens materiais, seu ente querido com certeza te deixou de herança uma enormidade de vivências, memórias e lições das quais você nunca irá se esquecer. Receba esse tesouro e o guarde em seu coração para todos os momentos. Quando precisar de um conselho que somente esta pessoa te daria, converse com seu coração e lá encontra a resposta que Ele te daria. Busque em suas memórias seu abraço, seu afago, seu riso, sua história. Assim você irá perceber que dentro de ti Ele ainda vive e será guardado para sempre.

14- É possível encontrar um sentido para a perda.
Muitas pessoas acham que encontrar um sentido para a perda é simplesmente buscar uma justificativa para o ocorrido, mas na verdade é muito mais que isso. Percebemos que muitas pessoas que sofrem uma perda desenvolvem novos valores, se tornam mais espiritualizadas ou se engajam em novos papéis na sociedade. É comum vermos pessoas que passaram por um processo de superação de uma doença se engajando em ONGs ou grupos atuantes, por exemplo. Esses novos caminhos não irão fazer com que a pessoa enlutada encontre um significado para a sua perda, mas poderão ajudá-las a dar um novo sentindo para a sua existência.

15- É preciso continuar vivendo.
Por mais dura que seja a realidade da perda, em algum momento você estará pronto para seguir em frente. Isso significa que estará na hora de reunir todos os seus recursos e forças para cuidar de si e manter sua qualidade de vida. Nossa atitude e reação emocional frente aos acontecimentos pode fazer toda diferença no nosso processo de enfrentamento. Por isso, não deixe de cuidar das suas emoções e dos seus sentimentos.
No caso do enlutado por morte, você irá entender que não é possível voltar atrás e que existem outras coisas que você precisa viver, outras pessoas que precisam de você, outros vínculos para cuidar. Isso não significa que você irá esquecer a pessoa que perdeu. Tudo o que você viveu ao lado dela estará na sua memória para sempre e estará sempre vivo dentro de você.  Você sentirá saudades, terá episódios de choro em menor intensidade e se sentirá mais leve. Isso é um bom sinal, não se culpe. Pense que a pessoa que se foi iria gostar que você continuasse vivendo e sonhando!
Esperamos que essas dicas possam ajudá-los no enfrentamento das mais diversas situações pelas quais vocês estão passando neste momento. Acreditamos que, dentro de nós sempre podemos encontrar a força que nos sustenta a continuar e seguir à diante. Nós da ABRALE temos o compromisso de ajuda-los neste caminho de superação. Contem conosco!

* Material produzido por Marcela Alice Bianco – Membro do Comitê Científico de Psicologia da ABRALE.
obs.conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs
Carla
http://www.abrale.org.br/problemas-luto-tratamento

Hemoglobinúria Paroxística Noturna : 8.3 - Vivendo com a

Cuidando de quem cuida
Muitos estudos têm mostrado que a recuperação, o enfrentamento de uma doença e a qualidade de vida do paciente dependerão, além dos recursos técnicos, dos medicamentos, etc., dos recursos de ajuda e do suporte social que ele receberá no caminho do tratamento. Por isso, tão importante quanto cuidar do paciente é a atenção oferecida àqueles que estão envolvidos no seu cuidado, sejam eles familiares ou profissionais de ajuda.
Cuidando dos familiares
Corbis 42 26731164 Cópia
Durante o nosso curso de vida é muito provável que tenhamos que enfrentar o processo de adoecimento de um ente querido. Este momento exigirá de nós esforços e habilidades que nem sempre acreditamos possuir e dependerão de como o tratamento e cuidado vai evoluir com o tempo.

De qualquer forma, esse período geralmente é visto como um momento de crise, podendo provocar diversas reações e exigindo inúmeras adaptações temporárias ou permanentes na realidade de vida.
O cuidado de uma pessoa em tratamento pode gerar estresse, dúvida, sofrimento, medo, ansiedade e as mais diversas dificuldades. O cuidador pode passar por um verdadeiro processo de luto desde o momento do diagnóstico (leia também: Enfrentando as perdas e o luto durante o tratamento) e precisará de espaço e tempo para expressar seus sentimentos e se adaptar à situação.
As dificuldades encontradas podem ser de diferentes ordens, como: dificuldades financeiras, isolamento social, adaptações no ambiente doméstico, perda da liberdade e privacidade, mudança na qualidade das relações com o paciente, familiares ou amigos, mudanças no trabalho e carreira, diminuição do tempo para o lazer, insegurança em relação ao cuidado que precisa ser oferecido, mudanças nos papéis familiares, falta de informações suficientes ou adequadas, etc.
Portanto, elaboramos algumas dicas que podem te ajudar neste momento de exigências e adaptações:
  • Busque informações e ajuda profissional sobre tudo o que achar necessário. Não tenha medo de perguntar e tirar suas dúvidas. Quanto mais entendimento sobre a realidade você tiver, mais fácil será para encontrar os melhores recursos para lidar com a situação.
  • Identifique, legitime e expresse seus sentimentos. É natural que está situação evoque em você os mais diversos emoções e pensamentos. Negá-los, afastá-los ou achar que é forte não irá ajudar a enfrentar o problema. Ao contrário, se conseguirmos encontrar um espaço para sua expressão e elaboração, esses sentimentos nos ajudam a enfrentar a realidade de maneira mais empática e acolhedora, seja com o outro ou com a gente mesmo. Neste caso, conseguimos encontrar o apoio que tanto precisamos e inclusive pedir ajuda.
  • Se conscientize da situação. Quanto mais realista você for, mais apto estará para avaliar a situação atual e se preparar para as necessidades futuras.
  • Divida tarefas e responsabilidades. Se você tem outros familiares ou pessoas que podem ajudar no cuidado, não centralize as demandas apenas em você. Uma das causas do estresse do cuidador é exatamente a sobrecarga. Peça ajuda, delegue funções, respeite seus limites e encoraje outras pessoas a se envolverem no problema.
  • Favoreça autonomia e independência do paciente. Muitas vezes, sem querer acabamos infantilizando o nosso ente querido em relação às suas necessidades de ajuda. Isto pode estimular a sua dependência, diminuir sua autoestima e gerar uma sobrecarga desnecessária para o cuidador. Portanto, incentive que seu familiar continue fazendo as atividades que ele consegue fazer sem ajuda e o estimule a escolher e decidir sobre si mesmo.
  • Tente manejar os conflitos familiares. Toda a família pode estar abalada pela situação de adoecimento. E muitas vezes, dependendo de sua história e dinâmica de relações, alguns conflitos podem surgir nesse processo, gerando ainda mais desgaste para o paciente e sobrecarga para o cuidador. O enfrentamento de uma doença também pode ser um momento de reconstrução para uma família, se ela souber ultrapassar os obstáculos.
  • Encontre espaço para as suas relações sociais, para o lazer e para o autocuidado. Mesmo que sejam doses homeopáticas dentro da rotina de cuidados, é importante que você invista tempo em si mesmo enquanto está cuidando de alguém. Afinal, quem não cuida de si acaba por não conseguir cuidar do outro por muito tempo.
  • Cuide da sua saúde física e emocional. Muitos cuidadores acabam se engajando tanto nos cuidados do familiar, que acabam esquecendo de cuidar de si mesmo. A médio e longo prazo este comportamento pode acabar por adoecer o próprio cuidador. Portanto, estar em dia com seus exames e consultas médicas, procurar ajuda psicológica, praticar atividades físicas, etc. são fundamentais para que você também mantenha sua qualidade de vida e a qualidade dos cuidados que precisa oferecer agora.
Em todos esses passos, a equipe da ABRALE está ao seu lado para ajudá-lo a encontrar esses recursos. Conte conosco!
Cuidando do profissional de ajuda
Qualquer profissional de ajuda está o tempo todo acompanhando pessoas em processos de adoecimento, perdas e luto e que, por meio das relações que desenvolvem, também estão vivenciando suas próprias perdas e consequentes lutos. Por isso, também precisam buscar vias de expressão emocional e suporte para lidar com a enorme gama de situação vividas.
A vulnerabilidade do profissional da saúde é parte constitutiva e que não pode ser ignorada, podendo incorrer em processos de adoecimento e Burnout.
Precisamos lembrar que o lugar do cuidado é também o lugar da crise! Espaço de polaridades, onde são experienciadas a doença, a dor, a dúvida, o sofrimento, a perda, o estresse, a morte, o luto. Mas também o recinto da saúde, da esperança, da informação, da comunicação, do conforto, do alívio, do cuidado e da cura. Cenário de nascimentos, morte e renascimentos. Onde ocorrem mudanças, divisões de fases e a emergência de inúmeros processos individuais, familiares e coletivos.
Dentro de tamanha complexidade, por mais que o profissional quisesse, ele não conseguiria ficar imune as emoções e aos sentimentos despertados pelas inúmeras situações com a qual se envolve.
A própria relação construída entre paciente e cuidador tem impacto sobre o curso do tratamento oferecido, e precisa ser compreendida pelo profissional para que ele possa estar consciente das influências das suas ações sobre quem cuida e sobre si mesmo.
Assim, é preciso que o profissional da saúde também encontre espaço para elaborar seus sentimentos, de acordo com os vínculos que constrói com seus pacientes e respectivos familiares e cuidadores. Trabalhar suas próprias crenças sobre todos os aspectos subjetivos que envolvem o processo de adoecimento é parte importante da formação de quem trabalha cuidando de pessoas.
Algumas perguntas devem estar sempre à mente do profissional, como por exemplo:
  • Como estou vivenciando os acontecimentos diários que ocorrem no ambiente de trabalho?
  • Como estou me relacionando com pacientes em seus processos de adoecimento e com suas famílias?
  • Como está acontecendo o fechamento dos vínculos com o paciente e a família?
  • Como estou lidando meus sentimentos e os expressando?
  • Como está a comunicação entre a minha equipe?
Essas perguntas servirão como um norte para o autocuidado, para a conscientização dos sentimentos e para as melhorias que precisam ser feitas no ambiente de trabalho.
Além disso, você pode realizar algumas ações que lhe ajudarão no seu autocuidado, como:
· Invista na sua formação e ensino. Buscar conhecimento sobre os fatores subjetivos do adoecimento e incrementar sua formação profissional será fundamental para que você tenha cada vez mais recursos para lidar com desafios ligados ao cuidado de pessoas.
· Mantenha uma vida social e de lazer. Muitos profissionais acabam se envolvendo tanto com o trabalho que acabam esquecendo-se de suas próprias vidas. Evite sair com os amigos ou familiares e apenas falar sobre as situações de trabalho. Procure ter um hobby, uma atividade que lhe traga prazer e qualidade de vida. Leia livros que não sejam técnicos. Envolva-se em relações sociais prazerosas e que acrescentam na sua vida.
· Busque suporte emocional. Seja através de grupos de amigos, de familiares, de grupos de profissionais ou de uma psicoterapia, é importante que você tenha um espaço em que possa se apoiar, expressar seus sentimentos, trocar experiências e aprender coisas novas.
· Invista na sua saúde emocional. Fazer psicoterapia, praticar o autoconhecimento e aprofundar-se nas questões existenciais que fazem parte da sua profissão e da sua vida podem ser fundamentais para que você mantenha a qualidade no seu trabalho.
· Cuide da saúde física. Não esqueça de cuidar de si mesmo em todas as suas dimensões, inclusive da sua saúde física. Você está em dia com os seus exames, valoriza seus sintomas e busca os profissionais corretos quando necessário? Lembre-se que que para cuidarmos do outro também precisamos cuidar de nós mesmos.
Síndrome de Burnout
Trabalhar diretamente com pessoas exige uma série de habilidades e capacidades, seja qual for a profissão em que estamos envolvidos.
Muitas vezes, a carga emocional presente nos relacionamentos no ambiente trabalho são tantas que, em algum momento, o profissional se vê diante de uma sobrecarga que não mais suporta. Em decorrência, acaba exausto emocionalmente, distanciado afetivamente das pessoas com quem trabalha e perde a satisfação que antes encontrava na atividade laboral.
Essas alterações fazem parte de um quadro específico que tem sido alvo de muitos estudos recentes: A Síndrome de Burnout.
Definição
Síndrome de Burnout é definida como uma síndrome psicossocial surgida como uma resposta crônica aos estressores interpessoais ocorridos na situação de trabalho.
É um problema complexo, afetando a saúde física e psíquica de muitos profissionais que lidam diretamente com pessoas, como por exemplo: profissionais da saúde, professores, policiais, atendentes de telemarketing, profissionais do judiciário, executivos, entre outros.
Tem desenvolvimento lento e gradual e quando os profissionais procuram ajuda o desgaste é muito intenso e a saúde física e mental já se encontra comprometida.
Desenvolvimento
O quadro desenvolve-se a partir de três dimensões características: a exaustão emocional, a despersonalização e a baixa realização pessoal.
A exaustão emocional é o traço inicial da síndrome e está relacionada ao esgotamento dos recursos emocionais do indivíduo; a falta ou carência de energia e entusiasmo; aos sentimentos de frustração e tensão, sendo que o profissional não se sente mais capaz de dispensar a mesma energia de antes.
A exaustão é consequência da sobrecarga emocional e do conflito pessoal nas relações no trabalho.
A despersonalização, aparece como consequência da exaustão emocional. Por não mais conseguir lidar com os sentimentos vividos nas relações interpessoais no trabalho, o profissional, desenvolve uma insensibilidade emocional, sendo que o profissional passa a tratar seus clientes e colegas de trabalho como objetos e de forma fria, impessoal e massificada.
Surge uma dificuldade para lidar com os sentimentos e emoções e uma diminuição dos contatos pessoais para evitar a angústia.
O desenrolar desta difícil situação faz com que o profissional diminua seu desempenho e eficácia no trabalho. Com isso, há o desenvolvimento da terceira dimensão da síndrome: a baixa realização pessoal.
Passa a existir um declínio dos sentimentos de competência e êxito e da capacidade de interagir satisfatoriamente com as pessoas, que cede lugar a sentimentos de incompetência e frustração. O profissional passa a ter uma auto avaliação negativa associada à insatisfação e infelicidade com o trabalho.
Sintomas
Os sintomas da síndrome são os mais variados, compondo sintomatologia física, psíquica e comportamental.
Entre eles podemos destacar: fadiga, cefaleias, distúrbios gastrointestinais e cardiovasculares, humor deprimido, irritabilidade, isolamento, ansiedade, baixa autoestima, impaciência, negativismo, rigidez e consumo de álcool e substancias psicoativas em geral.
Está relacionada a diferentes fatores desencadeantes, sejam eles internos ou pessoais (como personalidade, crenças, aspectos sócio demográficos, história de vida, presença de recursos de enfrentamento, etc.) ou externos ou organizacionais (como condições de trabalho, características da organização, etc).
Influência na qualidade de vida do profissional que a desenvolve, aumentando o risco de episódios depressivos, abuso de substâncias e tentativas de suicídio. Interfere negativamente na qualidade dos relacionamentos com pacientes e equipe e afeta a qualidade dos serviços prestados. Aumentam as taxas de absenteísmo e de abandono do trabalho.
Superando a Síndrome de Burnout
Se você se identificou com a descrição feita até aqui, o primeiro passo para a superação do problema é buscar ajuda profissional!
Neste caso, a procura com profissionais especializados (médico e psicólogo) é o mais indicado.
A Psicoterapia poderá ajudar a identificar as raízes do problema e a encontrar os recursos necessários para lidar de maneira mais saudável e equilibrada com as demandas laborais e relacionais.
Outra dica importante é a melhora dos hábitos de saúde e qualidade de vida!
Busque atividades prazerosas e de relaxamento para diminuir a tensão.
Procure ter uma vida social e afetiva mais rica e evite centrar sua vida somente no trabalho.
Buscar supervisão com profissionais mais experientes, grupos de apoio e suporte emocional também podem ajudar. Eles te tiram da solidão e isolamento, despotencializam a ansiedade e podem ampliar sua visão do problema.
A capacitação profissional também é importante neste caso. Voltar a estudar amplia os conhecimentos técnicos e pode ajudar a estabelecer novos recursos para lidar com as problemáticas existentes no trabalho.
Quanto mais preparado você for, mais hábil para lidar com os desafios laborais e relacionais você estará!
*Material produzido pela Psicóloga Marcela Alice Bianco – Membro do Comitê Científico de Psicologia da ABRALE.

obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs
Carla
http://www.abrale.org.br/cuidando-de-quem-cuida