sexta-feira, 1 de julho de 2016

Hemoglobinúria Paroxística Noturna : 8.4 - Vivendo com a

Enfrentando as perdas e o luto durante o tratamento
A vida é uma constante de perdas e ganhos! Desde nosso NASCIMENTO precisamos aprender esta LIÇÃO. A cada conquista que fazemos precisamos DEIXAR ALGO PARA TRÁS. A cada passo que damos em direção ao FUTURO nos deparamos com a única certeza que podemos ter em relação a VIDA: estamos todos caminhando em direção a FINITUDE.
Quando adoecemos ou quando acompanhamos uma pessoa em seu processo de adoecimento, as perdas são partes marcantes do enfrentamento da situação. São perdas muito comuns nesses momentos: a perda da saúde, a perda da independência ou da autonomia, algumas vezes da vida produtiva, dos vínculos, da imagem corporal, das certezas e planos em relação ao futuro e até mesmo a perda pela morte.
Cada perda sofrida traz consequências e geram processos de luto para pacientes, familiares, cuidadores, profissionais da saúde, funcionários de uma instituição e para a comunidade.
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O luto diante de qualquer uma destas perdas é uma reação normal e esperada em consequência à uma perda significativa. É parte natural da existência humana, acompanha todo o ciclo vital e precisa ser vivido para ser superado.

Nenhuma perda é igual a outra, mas sim uma experiência única e puramente individual. A forma como cada um lidará com uma perda e viverá seu luto dependerá de sua história de vida, bem como dos recursos de enfrentamento e do apoio que encontrará no caminho de superação.
Também precisamos pensar que nem todas as perdas que vivemos são apenas negativas. Existem perdas que fazem parte do desenvolvimento humano (perda da infância, saída da fralda, saída da adolescência, etc.) e outras que, apesar de todo sofrimento envolvido, nos fazem crescer e amadurecer.
Apesar da singularidade de cada processo de luto, existem algumas etapas que são muito comuns entre os enlutados. Elas foram delineadas primeiramente pela Dra. Elizabeth Kluber-Ross e depois aperfeiçoadas por mais dois especialistas em perdas e luto: o Dr. Colin Parkers e o Dr. Willian Worden. 
Para facilitar o entendimento deste processo pelo nosso público, decidimos usar as dicas elaboradas e adaptadas pela Psicóloga Marcela Alice Bianco, do nosso Comitê Científico de Psicologia, que ilustram essas fases de maneira bastante próxima da realidade de quem está vivenciando uma perda, seja ela qual for.
Se você acabou de receber uma má notícia, se está lidando com as perdas inerentes a um processo de adoecimento ou é um familiar que perdeu uma pessoa querida, essas dicas serão preciosas para que você enfrente está situação.

1- Respeite o momento do choque.
Todos nós, quando sofremos uma perda temos um momento de “choque” inicial. Essa reação acontece pela dificuldade de absorver a realidade da notícia e há uma paralisia das emoções e da capacidade de perceber o entorno. Em geral, essa reação pode durar minutos, horas ou dias e a pessoa tem a tendência a manter a vida interior rica de ilusões em relação a sua vida anterior ou ao ser que partiu. O choque pode desencadear um verdadeiro “apagão” de consciência ou reações corporais como tremores, desmaios, vômitos e diarreias. A pessoa também pode estar em choque quando apresenta reações aparentemente frias e indiferentes ao que está acontecendo. Respeite esse momento e se você estiver ao lado de alguém em choque acolha a pessoa enlutada, que aos poucos irá conseguir ir compreendendo a realidade.

2- Cada um tem seu tempo para encarar a realidade da perda.
É comum que pessoas que estão vivenciando uma perda passem por uma fase de negação, demonstrando uma resistência à perda para evitar o desequilíbrio psicológico. Nestes casos, a expressão emocional pode ficar bloqueada, ou tenta-se negar a perda procurando esquecer o ocorrido ou evitando pensar no assunto. Também pode haver uma reação hiperativa, onde a pessoa age como se nada tivesse acontecido e busca se entreter no máximo de atividades possíveis para evitar entrar em contato com sua dor. Este tende a ser um período passageiro, mas preocupante quando se estende demais, sem o espaço para as demais reações naturais.  O uso de substância psicoativas (calmantes, drogas e álcool) nesse momento pode ser outra tentativa de fuga encontrada. Assim, é preciso ficar atento a presença de tais reações, e buscar ajuda especializada quando sentir necessidade.

3- O luto traz uma avalanche de emoções.
Os mais diversos sentimentos podem advir de um luto! Tristeza, raiva, revolta, alívio, culpa, medo, impotência, ansiedade... enfim, as mais profundas emoções podem ser despertadas. O luto é um processo doloroso e é preciso fazer um verdadeiro trabalho de superação. A expressividade emocional é fundamental para que a pessoa possa digerir a realidade da perda. Não evite o contato com seu sofrimento e procure as pessoas realmente disponíveis emocionalmente para contar sobre o que está sentindo. Seus sentimentos são legítimos e merecem ser respeitados e acolhidos.

4- É preciso chorar a sua dor.
Você não pode escolher não sofrer! O luto é uma experiência altamente dolorosa e que realmente abala qualquer estrutura. Bloquear, inibir ou adiar o seu luto não irá ajudar. Chorar, falar somente sobre o luto, limitar a sua vida a esse acontecimento por um tempo é natural e faz parte do processo de assimilação da realidade. Lembre-se que o que está acontecendo é algo maior que o Ego consegue abarcar de uma vez e, por isso, precisa ser digerido lentamente.

5- Nunca estimule alguém a “sair” logo do seu luto.
Pedir ou estimular que uma pessoa enlutada se recupere rápido ou não expresse suas emoções é totalmente desaconselhável. Esta atitude, ao invés de ajudar, pode bloquear uma reação normal de luto e desencadear outros problemas, como a hiperatividade ou até mesmo processos depressivos e de adoecimento.  Cada um tem seu tempo para superar o luto e tocar a vida em frente. Procure ser sensível a esse momento e acolher o enlutado encorajando-o a expressar seus sentimentos e a encontrar seus recursos emocionais para lidar com a perda.

6- Nos sentimos impotentes diante da dor de alguém.
Realmente quando o outro sofre uma perda somos relativamente impotentes frente ao que ele está sentindo. Não podemos apagar o que aconteceu e nem evitar a avalanche de reações e sentimentos que eclodem a partir do luto. Mas, estar ao lado da pessoa, manter-se presente, escutá-la e acolhê-la emocionalmente (respeitando as dicas anteriores) é algo que você pode fazer e que é de extrema importância neste momento.

7- Cada membro da família está vivendo um luto diferente.
Dentro das famílias cada um irá reagir de maneira individual a perda sofrida e pode acontecer de um familiar achar que o outro está indo muito rápido ou muito devagar com seu luto. Haverá aqueles que precisarão falar, contar histórias, assistir vídeos antigos, ver e rever fotos, passar dias em prantos. Mas, haverá também, aqueles que irão querer ficar calados, silenciosos em sua dor. Nenhuma reação é melhor que a outra.  As cobranças, exigências e julgamentos dentro das famílias acontecem porque cada um de nós tem seus conceitos e crenças sobre como devemos nos comportar diante de uma situação. Porém, é preciso esclarecer que, a forma como cada um vive seu luto varia conforme suas características de personalidade, seus recursos de enfrentamento e suas defesas, sua história de vida, e dos relacionamentos e dos vínculos que possui. No caso de falecimento, por exemplo, quando o vínculo era muito forte ou quando existia uma história de relacionamento conturbada e conflituosa que não se resolveu, pode ser mais difícil para o enlutado lidar com toda a situação. Por outro lado, quando não existia uma ligação afetiva entre a pessoa e o ser perdido pode ser que ela lide mais facilmente com a perda. São variações que precisamos estar atentos para perceber e assim, compreender para não julgar. Exercitar a empatia dentro da família é essencial para a resolução do luto de cada membro, bem como para a saúde do relacionamento familiar.

8- É preciso consolar a sua dor.
Superar uma perda pode levar tempo e cada um tem o seu período para digerir a situação. É natural que você sofra por um tempo, que tenha dificuldade para encarar a realidade, que sinta vontade de ficar isolado, que a vida perca o gosto por um tempo. Isso faz parte do processo. Mas, você não precisa passar por isso sozinho. Consolar sua dor com pessoas que você confia e se sente à vontade para partilhar este momento é um importante caminho para a superação. As pessoas que gostam de você estarão prontas para te amparar e ajudar nesse momento. Estarão ao seu lado para chorar e rir com você, para te ouvir e te falar palavras de conforto, para estar simplesmente ao seu lado quando você precisar se apoiar ou quando sentir que vai cair. Conte com elas!

9- Procure uma maneira para expressar o que você está sentindo.
Redigir cartas para o ente querido ou para si mesmo, escrever poesias, textos, compor músicas, expressar-se através da pintura, das artes plásticas, da dança ou qualquer outro recurso que lhe parecer viável é uma excelente via para expressar suas emoções sobre o luto. Recurso ricamente conhecido pelos artistas, a arte e a escrita nos ajudam a nomear, discriminar e expressar o que estamos sentindo, oferecendo um significado a nossa experiência, servindo de um verdadeiro bálsamo ao nosso sofrimento e impedindo que a dor fique registrada de maneira não compreensível em nossa mente.

10- Você não precisar ficar triste o tempo todo. 
Uma das coisas que sempre fica no imaginário social, por exemplo, é que uma pessoa enlutada deve estar triste e sofrendo. Isso funciona como prova de amor e de que ela é uma boa pessoa. Porém, essa crença é totalmente inadequada. O luto é um processo muito complexo e é natural que, enquanto a pessoa elabora a sua perda sinta momentos de forte tristeza, mas também passe por momentos de alegria e distração.  A pessoa pode se alegrar e rir ao lembrar dos bons momentos com o ser perdido, pode ficar feliz por estar com pessoas que ama e que continuam fazendo parte da sua vida. O momento da perda também pode ser o do reencontro de familiares e amigos que há muito não se viam e que, nesse espaço, resgatam as histórias familiares, permeadas de boas lembranças. Além disso, a pessoa enlutada também precisará se distrair vez ou outra para “dar um tempo” para si mesma, descansar da sua dor e recuperar as forças. Permita-se sentir todos os sentimentos, mas não só os negativos. Deixar-se levar por bons sentimentos também te ajudarão a seguir em frente.

11- É preciso perdoar.
Quando ficamos doentes ou quando alguém nos deixa, uma imensidão de sentimentos pode nos invadir. Entre eles a raiva, a revolta e a culpa podem dificultar a elaboração de um luto. Você pode ficar com raiva porque sua vida mudou, porque as coisas nunca mais serão as mesmas, porque você acha que alguém cometeu algum erro. Ou no caso de um falecimento, porque a pessoa te deixou, porque acha que, nem ela e nem você, mereciam isso, porque você ficou, ou porque acha que houve algum erro, que se evitado nada disso estaria acontecendo.  Você pode culpar alguém, o mundo, Deus, o ente querido ou a si mesmo. Todo sentimento é legitimo e precisa ser vivenciado, mas agarrar-se a ele não aliviará a sua dor. Então é preciso buscar o perdão, compreender que muitas coisas fogem ao seu controle e ao do outro também. Precisamos aceitar que somos vulneráveis e factíveis ao erro. Que a vida tem um curso que extrapola nosso desejo, nosso controle e nossa onipotência. Por isso, necessitamos buscar a compreensão e a compaixão para alcançar o perdão!

12- Vai chegar a hora de dar destino aos objetos do ente querido.
Faz parte do processo de luto decidir o que será feito com os pertences do ente querido. Roupas, objetos, lembranças, tudo aquilo que era da pessoa precisa ganhar um destino. Você pode escolher doar, vender ou até distribuir alguns objetos mais significativos entre as pessoas que ele queria bem. Também pode escolher algum objeto para guardar consigo como uma herança que ele te deixou. Porém precisa tomar cuidado para não se manter apegado às coisas materiais que pertenciam ao ente perdido. Manter quartos intactos, resistir em mexer ou não se desfazer dos objetos pode ser um sinal de dificuldade em processar a perda sofrida.

13- Receba sua herança.
O fato é que nunca mais seremos os mesmos depois de passamos por uma perda e por um processo de luto, mas isso não quer dizer que isso nos leve a sermos mais fracos ou infelizes. É muito comum que pessoas que tenham superado momentos difíceis de perdas e lutos relatem que saíram delas mais fortes, com uma nova visão sobre a vida e sobre a espiritualidade e que criaram novos laços de amor e amizade. Está é a herança da perda, que precisa ser aceita e incorporada a nova personalidade.
No caso dos enlutados por uma morte, mais que os bens materiais, seu ente querido com certeza te deixou de herança uma enormidade de vivências, memórias e lições das quais você nunca irá se esquecer. Receba esse tesouro e o guarde em seu coração para todos os momentos. Quando precisar de um conselho que somente esta pessoa te daria, converse com seu coração e lá encontra a resposta que Ele te daria. Busque em suas memórias seu abraço, seu afago, seu riso, sua história. Assim você irá perceber que dentro de ti Ele ainda vive e será guardado para sempre.

14- É possível encontrar um sentido para a perda.
Muitas pessoas acham que encontrar um sentido para a perda é simplesmente buscar uma justificativa para o ocorrido, mas na verdade é muito mais que isso. Percebemos que muitas pessoas que sofrem uma perda desenvolvem novos valores, se tornam mais espiritualizadas ou se engajam em novos papéis na sociedade. É comum vermos pessoas que passaram por um processo de superação de uma doença se engajando em ONGs ou grupos atuantes, por exemplo. Esses novos caminhos não irão fazer com que a pessoa enlutada encontre um significado para a sua perda, mas poderão ajudá-las a dar um novo sentindo para a sua existência.

15- É preciso continuar vivendo.
Por mais dura que seja a realidade da perda, em algum momento você estará pronto para seguir em frente. Isso significa que estará na hora de reunir todos os seus recursos e forças para cuidar de si e manter sua qualidade de vida. Nossa atitude e reação emocional frente aos acontecimentos pode fazer toda diferença no nosso processo de enfrentamento. Por isso, não deixe de cuidar das suas emoções e dos seus sentimentos.
No caso do enlutado por morte, você irá entender que não é possível voltar atrás e que existem outras coisas que você precisa viver, outras pessoas que precisam de você, outros vínculos para cuidar. Isso não significa que você irá esquecer a pessoa que perdeu. Tudo o que você viveu ao lado dela estará na sua memória para sempre e estará sempre vivo dentro de você.  Você sentirá saudades, terá episódios de choro em menor intensidade e se sentirá mais leve. Isso é um bom sinal, não se culpe. Pense que a pessoa que se foi iria gostar que você continuasse vivendo e sonhando!
Esperamos que essas dicas possam ajudá-los no enfrentamento das mais diversas situações pelas quais vocês estão passando neste momento. Acreditamos que, dentro de nós sempre podemos encontrar a força que nos sustenta a continuar e seguir à diante. Nós da ABRALE temos o compromisso de ajuda-los neste caminho de superação. Contem conosco!

* Material produzido por Marcela Alice Bianco – Membro do Comitê Científico de Psicologia da ABRALE.
obs.conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs
Carla
http://www.abrale.org.br/problemas-luto-tratamento

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