Será Natal???

Ei, você, aonde vai com tanta pressa?
Eu sei que você tem pouco tempo...
Mas, será que poderia me dar uns minutos da sua
atenção?
Percebo que há muita gente nas ruas, correndo como você. Há uma correria generalizada...
Entendo que você tenha pouco tempo.
Percebo, também, luzes enfeitando vitrines, ruas, casas, árvores...
Mas, confesso que vejo pouco brilho nos olhares...
Poucos sorrisos afáveis, pouca paciência para uma conversa fraternal...
É bonito ver luzes, cores, fartura...
Mas seria tão belo ver sorrisos francos...
Apertos de mãos demorados...
Abraços de ternura...
Mais gratidão...
Mais carinho...
Mais compaixão...
Que familiares e pessoas que  se odeiam, sem a mínima disposição para a reconciliação se reconciliem.
Mas, porque você me emprestou uns minutos do seu precioso tempo, gostaria de lhe perguntar novamente: Para que tanta correria?
Em meio à agitação, sentado no meio-fio, um mendigo, ébrio, grita bem alto: Viva Jesus. Feliz Natal!
E os sóbrios comentam: É louco!
E a cidade se prepara... Será Natal.
Mas, para você que ainda tem tempo de meditar sobre o verdadeiro significado do Natal, ouso dizer:
O Natal não é apenas uma data festiva, é um modo de viver.
O Natal é a expressão da caridade...
Natal é fraternidade...
Mas o Natal também é união...
Que este Natal seja, para você, mais que festas e troca de presentes...
Que possa ser um marco definitivo no seu modo de viver, conforme o modelo trazido pelo notável Mestre, cuja passagem na Terra deu origem ao Natal...
E, finalmente, o Natal é pura expressão de amor...
Gratidão!!!
abs.fraternos
Carla




terça-feira, 27 de maio de 2014

Terapia da boneca - Alzheimer

Elizabeh Povezan,
Pedagoga,
Instituto Alzheimer Brasil - IAB. 

Muitas vezes é doloroso para a família assistir a um ente querido ninando uma boneca ou cantando para ela, se este for um adulto. Isto é bastante compreensível. Ninguém gosta de ver alguém que se ama regredindo a um estado “infantil”, como acontece na Doença de Alzheimer (DA).

A Terapia da boneca nos cuidados diários de pessoas com demência vem ganhando reconhecimento por parte de pesquisadores da área de intervenções não-farmacológicas, embora não seja recomendada para todos. Esta estratégia algumas vezes não é aceita na família, especialmente por parte dos filhos e cônjuge, pois muitos a veem como humilhante, degradante e que infantiliza o idoso. Mas a ideia não é esta.

Diversos estudos demonstram reais benefícios desta abordagem para as pessoas com Doença de Alzheimer, que vai lenta e progressivamente afetando a capacidade intelectual do indivíduo e que, com o tempo, pode fazê-lo sofrer de diversas manifestações e consequências da doença como: depressão, ansiedade, agitação, apatia, irritabilidade, incapacidade de se comunicar, perda da autonomia e da independência, isolamento social, entre outras.

Alguns estudos também defendem a idéia de que as pessoas com DA podem regredir através de estágios do desenvolvimento cognitivo (Piaget) e assim, apresentar interesses associados a cada fase. Vão perdendo funções cognitivas na ordem inversa que a criança adquire. Isto talvez possa explicar porque pessoas com Alzheimer vão infantilizando no processo da doença e justificar porque a terapia da boneca parece ser eficiente em fases moderada a grave da doença.

O tratamento (tanto farmacológico quanto não farmacológico) tenta controlar os sintomas e melhorar o bem-estar e a qualidade de vida dessa pessoa e dos que convivem com ela. Porém, nada é fácil na DA e, quando há alguma possibilidade a mais de oferecer alívio e conforto, todo preconceito deve ser extinto e a oportunidade analisada e aproveitada, se for o caso. Não se trata de indicar esta ou aquela terapia, apenas de demonstrar as evidências relacionadas a ela, a experiência de quem a introduziu e tentar estimular uma reflexão sobre a questão.

Segundo evidências científicas, a Terapia da boneca pode trazer os seguintes benefícios para a pessoa com DA:
  • Acalmar;
  • Torná-la mais dócil;
  • Aliviar sua aflição;
  • Reduzir o estado de confusão;
  • Aumentar a incidência de comportamentos positivos e diminuir a incidência de comportamentos negativos e desafiadores;
  • Reduzir a agitação;
  • Permitir que a pessoa se reconecte com memórias e emoções felizes do passado, promovendo maior estabilidade emocional;
  • Oferecer conforto;
  • Ter a sensação de utilidade (por cuidar da boneca);
  • Reduzir a incidência de comportamento agressivo;
  • Trazer memórias felizes de sua maternidade (ou paternidade), de quando seus filhos eram pequenos;
  •  Aliviar a necessidade de amar e ser amada;
  • Estimular a comunicação, a linguagem e a interação com a boneca, família e o cuidador;
  • Estímulo sensorial.

É importante deixar bem claro de que a terapia da boneca não serve para todos. É preciso tomar bastante cuidado ao introduzir (como disse a profissional Judy, na reportagem apresentada neste site) e também no acompanhamento diário junto à pessoa com DA, pois cada uma pode reagir de uma maneira diferente, dependendo de suas preferências ao longo da vida e necessidades atuais. Algumas pessoas ficam estressadas pela responsabilidade que imaginam ter com os cuidados à boneca. Outras, nunca tiveram afinidade com crianças. Tudo isso precisa ser pensado.

No caso de D. Libéria, a senhora da reportagem, tudo aconteceu de maneira bem natural, pois ela foi dando sinais de que necessitava de algo assim e a filha, que era resistente à ideia no início, percebeu e resolveu experimentar para ver se faria bem a ela.

A apresentação da boneca também precisa seguir alguns critérios básicos para causar impacto positivo: deve ser feita de maneira discreta, devagar; não se deve forçar a pessoa a pegar; jamais entregar em caixa, como presente e a boneca deve ser bem parecido a um bebê de verdade.

Para cuidar de uma pessoa com DA é importante entrar em seu mundo para compreender seus sentimentos e interagir melhor com ela. Não se trata de estimular atitudes infantis, apenas de tentar transformar seu mundo no mais feliz possível.

Os cuidados à pessoa com DA devem concentrar-se em oferecer conforto e alívio. Se o cuidador e a família não entenderem a natureza da DA e os valores terapêuticos dessa ou de qualquer outra intervenção (desde que seja baseada em evidências científicas), poderá estar perdendo a oportunidade de poder ajudar seu ente querido a viver melhor, apesar da demência.

                                                          “Humilhante e indigno é não poder ser feliz”.


Bibliografia
Jenny Ellingford, Licenciatura; Ian James, PhD, MSc, BSc, C.Psychol; Lorna Mackenzie, RMN; Lisa Marsland, BSc, MScJenny Ellingford; Lorna Mackenzie, RMN; Lisa Marsland. Using dolls to alter behaviour in patients with dementia. Enfermagem Times, VOL: 103, Issue: 5, nenhuma página: 36-37Nursing Times, VOL: 103, ISSUE: 5, PAGE NO: 36-37 (2007)
Julia McGregor Thornbury, Age-or stage-appropriate? Recreation and the relevance of Piaget's theory in dementia care.  AM J ALZHEIMERS DIS OTHER DEMEN, January 1, 18: 24-30,  (2003).
Mackenzie, L. et al(2006a). A pilot study on the use of dolls for people with dementia. Age and Aging; 35: 4, 441-444.
James, I. A., Mackenzie, L., & Mukaetova‐Ladinska, E. Doll use in care homes for people with dementia. International journal of geriatric psychiatry, 21(11), 1093-1098, (2006).

Mackenzie, L; Woo-Mitchell, A; James, I. Guidelines on using dolls. Journal of Dementia Care, 15(1), January/February 2007, pp.26-27.


obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs,
Carla
extraído:http://www.institutoalzheimerbrasil.org.br/demencias-detalhes-Instituto_Alzheimer_Brasil/67/terapia_da_boneca.

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