domingo, 5 de outubro de 2014

Mitos e Verdades sobre Câncer de Colo de Útero e HPV

O uso do preservativo impede totalmente o contágio pelo HPV.
Mito – Calcula-se que o uso da camisinha consiga barrar em até 70% a transmissão do HPV. O HPV é transmitido através das relações sexuais e contato pele-a-pele com uma pessoa infectada. Quando o preservativo é usado, apenas o pênis está protegido, enquanto outras áreas da genitália ficam expostas e podem entrar em contato com a vagina durante a relação sexual. O uso do preservativo é sempre recomendável, pois é um método eficaz na prevenção de inúmeras doenças sexualmente transmissíveis e AIDS.
O HPV pode demorar até 20 anos para causar uma doença relacionada.
Verdade – Geralmente, o HPV leva de 2 a 8 meses após o contágio para se manifestar, podendo levar muitos anos até o diagnóstico de uma lesão pré-maligna ou maligna. Devido a isso, torna-se impossível determinar com exatidão em que época e de que maneira o indivíduo foi infectado.
O HPV pode ser curado.
Mito – Não existe tratamento específico para eliminar a infeção viral e a pessoa infectada será sempre um vetor de contágio. Em geral, a maioria das infecções por HPV são controladas pelo sistema imunológico e eliminadas naturalmente pelo organismo, mas algumas persistem e podem tornar-se tumores malignos. As melhores formas de controlar essas infecções são a vacinação preventiva e evitar contatos sexuais com pessoas infectadas. As lesões causadas pela infecção, como verrugas genitais e lesões precursoras do câncer, possuem tratamento.
Todas as mulheres que tem o HPV desenvolvem câncer de colo de útero.
Mito – Geralmente, as defesas imunológicas do corpo são suficientes para eliminar o vírus por conta própria, sem necessitar de qualquer intervenção médica. Entretanto, em algumas pessoas, certos tipos de HPV podem desenvolver verrugas genitais ou alterações benignas no colo do útero. Essas alterações são provocadas pela persistência do vírus de alto risco e ocorrem em 10 a 20% das mulheres infectadas. As células anormais, se não forem detectadas e tratadas, podem levar ao pré-câncer ou a um câncer. Na maioria das vezes, o desenvolvimento do câncer de colo do útero demora vários anos, muito embora, em casos raros, ele possa se desenvolver em apenas 1 ano. Essa é a razão pela qual a detecção precoce é tão importante. O exame do colo do útero pode detectar alterações muito antes da lesão evoluir para câncer.
A infecção pelo HPV geralmente não apresenta sintomas.
Verdade – Como o HPV comumente não apresenta nenhum sintoma, as pessoas não têm como saber se são portadoras do vírus. A maioria das mulheres descobre que tem HPV pelo resultado anormal do Papanicolaou, exame que ajuda a detectar células anormais no revestimento do colo do útero, que podem ser tratadas antes de se tornarem cancerígenas. O câncer de colo do útero é um dos mais fáceis de serem prevenidos, por isso é tão importante fazer o exame de Papanicolaou regularmente.
Os homens não desenvolvem doenças relacionadas ao HPV.
Mito – Nos homens, assim como nas mulheres, as manifestações clínicas mais comuns são as verrugas genitais, causadas pelo HPV tipos 6 e 11. Mas alguns tipos de HPV de alto risco, como os tipos 16 e o 18, também causam câncer de pênis e de ânus.
As verrugas genitais são muito comuns.
Verdade – Estima-se que aproximadamente 10% das pessoas (homens e mulheres) terão verrugas genitais ao longo de suas vidas. As verrugas genitais podem aparecer semanas ou meses após o contato sexual com uma pessoa infectada pelo HPV.
As verrugas genitais podem desaparecer naturalmente, sem nenhum tipo de tratamento.
Verdade – Não há como saber se as verrugas genitais desaparecerão ou crescerão. Dependendo de seu tamanho e localização, existem várias opções de tratamento. O médico pode indicar a aplicação de um creme ou solução especial nas verrugas ou ainda remover algumas delas por congelamento, cauterização ou a laser. Se as verrugas genitais não responderem a esses tratamentos, o médico pode tratá-las cirurgicamente para removê-las. Em 25% dos casos, as verrugas recidivam, reaparecendo mesmo após o tratamento.
O vírus do papiloma humano (HPV) é raro.
Mito - O HPV é muito comum. Segundo estimativas do INCA (Instituto Nacional do Câncer) para o Brasil, no ano de 2013, esperam-se 17.540 casos novos de câncer do colo do útero, com um risco estimado de 17 casos a cada 100 mil mulheres. Na realidade, é a infecção sexualmente transmissível mais comum.
O câncer de colo do útero só ocorre em países em desenvolvimento?
Mito - O câncer do colo do útero é uma doença que atinge as mulheres em todos os países, desenvolvidos ou não. Entretanto, tem uma predominância maior em países menos desenvolvidos, devido à ausência de programas adequados de rastreamento.
A maioria das mulheres promíscuas terá câncer de colo do útero.

Mito - Ter muitos parceiros sexuais ao longo da vida é um fator de risco para o câncer de colo do útero. No entanto, as mulheres que tiveram apenas um parceiro também podem desenvolver câncer de colo do útero. Ninguém pode identificar exatamente a razão pela qual uma mulher pode desenvolver (ou não) câncer de colo do útero, existem muitos fatores que levam ao desenvolvimento da doença.


O câncer de colo do útero não pode ser prevenido.

Mito - O câncer de colo do útero é um dos tipos mais evitáveis ​​de câncer. Um meio muito eficaz de prevenção é a realização do Papanicolaou regularmente. O Papanicolaou é um exame de rastreamento. Não é um exame de diagnóstico, portanto, é essencial que seja realizado regularmente. O Papanicolaou identifica mulheres que podem estar em alto risco para alterações pré-cancerosas ou cancerosas.
A vacina contra o HPV, Gardasil, também é altamente eficaz na prevenção do câncer de colo do útero. A vacina protege contra cepas (tipos) de alto risco de HPV que podem causar câncer de colo do útero. A vacina atualmente está aprovada para mulheres com idades entre 9 e 26 anos, com foco nas meninas entre 11 e 13 anos.
Todas as mulheres devem fazer o exame de Papanicolaou anualmente para detectar o câncer de colo do útero.
Mito - As diretrizes atuais de rastreamento para câncer de colo do útero não exigem que todas as mulheres façam exame de Papanicolaou anualmente. A frequência dos exames depende da idade, resultados anteriores e se a mulher é sexualmente ativa.
Eu fiz histerectomia, portanto não preciso fazer exames de Papanicolaou.
Mito - Se a histerectomia não foi devida ao câncer de colo do útero, você não tem um histórico de células altamente anormais, e seu médico está confiante de que o colo do útero foi totalmente removido, não há problema em suspender o rastreamento para o câncer de colo de útero anual.
Se você fez uma histerectomia e ainda tem o colo do útero, é importante continuar a realizar os exames Papanicolaou regularmente.
Se você já fez a histerectomia por causa de câncer de colo de útero ou teve um diagnóstico de células altamente anormais, seu médico provavelmente vai querer continuar fazendo exames para confirmar que não restaram células anormais remanescentes.
Não tenho histórico familiar de câncer de colo do útero. Preciso me preocupar com isso?
Verdade - Você ainda pode estar em risco para o câncer de colo do útero, mesmo que ninguém em sua família tenha sido diagnosticado com a doença. O câncer de colo do útero é causado por certos tipos de HPV, que são transmitidos por contato sexual íntimo. Se você é sexualmente ativa, faça exames de Papanicolaou regularmente. Se você já fez uma histerectomia total ou tem mais de 69 anos, converse com seu médico sobre a necessidade de fazer (ou não) exames de rastreamento regulares.
Eu não tenho sintomas, então não preciso me preocupar em fazer o exame Papanicolaou.
Mito - O câncer de colo do útero pode estar presente sem evidência de quaisquer sintomas. Na verdade, a maioria das pessoas infectadas com o HPV, a principal causa do câncer de colo de útero, nunca apresentaram sintomas. O exame de Papanicolaou verifica alterações nas células cervicais causadas pelo HPV e pode detectar células anormais antes que os sintomas apareçam, por isso o rastreamento é tão importante. Se você tiver sintomas entre os exames de Papanicolaou, como sangramento, entre as menstruações, após a relação sexual ou após a menopausa, procure imediatamente seu médico.
As mulheres vacinadas contra o HPV não precisam fazer o exame Papanicolaou.
Mito - A vacina contra o HPV não protege contra todos os tipos de HPV que causam o câncer de colo do útero. As mulheres ainda precisam fazer os exames de Papanicolaou regularmente, mesmo que estejam vacinadas contra o HPV.
Ter um resultado do exame de Papanicolaou anormal significa ter câncer de colo do útero?
Mito - Um resultado do exame de Papanicolaou anormal, muito raramente significa que você tenha câncer de colo do útero. Um resultado anormal significa que as células retiradas do colo do útero são diferentes das células normais, quando visualizadas sob um microscópio. Estas alterações celulares podem evoluir para o câncer de colo do útero após alguns anos se não for tratada. Todas as mulheres com um resultado anormal devem ter acompanhamento médico regular.
Qualquer mulher que tenha relações sexuais pode ter HPV.
Verdade - Muitas pessoas acreditam que só as mulheres promíscuas tem HPV. Mas na verdade, qualquer mulher que tenha tido relações sexuais, mesmo com apenas um parceiro, pode ser sido exposta ao HPV. O HPV é um vírus muito comum. Na verdade, cerca de 8 em cada 10 mulheres tiveram HPV em algum momento da vida antes dos 50 anos.
Um resultado do exame Papanicolaou normal é suficiente para proteger as mulheres contra o câncer de colo do útero.
Mito - Um exame de Papanicolaou não é suficiente para proteger as mulheres contra o câncer de colo do útero. Enquanto o exame de Papanicolaou ajuda a diminuir significativamente o número de casos de câncer, nenhum exame é perfeito. Para as mulheres com 30 anos ou mais, o exame de HPV juntamente com o Papanicolaou aumenta a capacidade de identificar as mulheres em risco em quase 100%. Mulheres com menos de 30 anos devem fazer o exame do HPV, se os seus resultados de Papanicolaou forem inconclusivos.
Um diagnóstico positivo de HPV significa que houve uma traição.
Mito - Este mito tem sido responsável por muita raiva, confusão e dor de cabeça, levando muitas pessoas a conclusões erradas, por não levar em conta um dos aspectos mais misteriosos do HPV genital, de não ser percebido durante semanas, meses, anos ou até mesmo uma vida sem dar sinais de sua presença.
Mas, embora exames cuidadosos possam identificar uma infecção genital por HPV e exames laboratoriais permitam identificar o tipo específico, simplesmente não existem maneiras de saber quanto tempo aquela infecção existe ou como relacioná-las com determinado parceiro.
Em um relacionamento monogâmico, assim como em um romance passageiro ou até mesmo em um intervalo de tempo sem relações sexuais, o diagnóstico de HPV significa apenas que a pessoa contraiu a infecção por HPV em algum momento de sua vida.

As verrugas genitais levam ao câncer de colo do útero.
Mito - As verrugas genitais são quase sempre benignas. Na grande maioria dos casos, elas não levam ao câncer, não se transformam em câncer e nem predispõem uma pessoa ao desenvolvimento da doença.
Existem mais de 70 tipos de vírus do papiloma humano, e a maioria são bastante específicos aos locais que podem invadir e a patologia que podem causar. Os mais fortemente associados ao câncer são os HPV tipos 16, 18, 31, 45, que são conhecidos como os tipos de alto risco. Mesmo assim, vale a pena lembrar que a maioria das mulheres com HPV de alto risco não irá desenvolver câncer de colo de útero.
Na prática, uma pessoa com verrugas genitais não tem mais probabilidade que outra pessoa sexualmente ativa para transmitir qualquer tipo de HPV causador de câncer para um parceiro. Recomenda-se que uma mulher exposta a verrugas genitais ou qualquer outra doença sexualmente transmissível realize exames de Papanicolaou regularmente, porque ela pode ter sido exposta a certos tipos de HPV de alto risco durante relações sexuais desprotegidas. Os exames de Papanicolaou regulares também são recomendados para qualquer mulher sexualmente ativa, uma vez que a infecção pelo HPV é muito comum. É importante ter em mente que tanto o homem quanto a mulher podem ser infectados por HPV de alto risco, independentemente de haver (ou não) verrugas genitais.

Mulheres idosas não precisam fazer o exame de Papanicolaou.
Verdade - Todas as mulheres precisam realizar o exame Papanicolaou regularmente até que o médico decida que não seja mais necessário. Isso geralmente acontece quando uma mulher completa 70 anos e não teve um resultado anormal do exame Papanicolaou nos últimos 10 anos.
Tratar as verrugas genitais significa que elas deixam de ser contagiosas.
Mito – A transmissão do HPV representa um grande desafio para os pesquisadores, não só porque se trata de um comportamento sexual, que as pessoas podem (ou não) se sentirem livres para falar, mas também porque o período de latência é longo e variável, o que torna virtualmente impossível o rastreamento a um parceiro específico. Alguns pesquisadores consideram que a eliminação das verrugas genitais pode diminuir o risco de transmissão. Mas, se considerar que a área ao redor de qualquer verruga visível também é susceptível de conter partículas infecciosas por HPV, eliminar as verrugas não necessariamente elimina o risco.
Uma pessoa pode ter vários motivos para querer que suas verrugas genitais sejam removidas, como desconforto físico ou psicológico. Mas retirar as verrugas não garante que o risco de transmissão seja eliminado.

É muito provável que uma mulher grávida com verrugas genitais tenha um filho com papilomatose respiratória.
Verdade - No parto, o bebê pode contrair o vírus do papiloma humano durante a passagem pelo canal de nascimento da mãe infectada com HPV. O risco é real, mas muito pequeno, e tem sido associado apenas aos tipos de HPV 6 e 11.
Se um bebê tiver contato com o HPV durante o parto e se a infecção persistir, pode levar ao desenvolvimento de lesões nas cordas vocais que podem interferir com a respiração. Entretanto, esta condição, conhecida como papilomatose respiratória, pode ser tratada.
O parto por cesariana oferece ao bebê alguma proteção contra a infecção pelo HPV, mas não é uma garantia. De forma geral, o risco de papilomatose respiratória para o bebê é muito menor do que o risco de complicações decorrentes de uma cesariana. As mulheres grávidas com verrugas genitais devem discutir os riscos e opções com seu médico antes da data provável do parto e decidir a melhor opção para o nascimento.
Mulheres homossexuais não precisam realizar exames de Papanicolaou regularmente.
Mito - Este mito é baseado em uma visão excessivamente simples de como o HPV pode ser transmitido. Certamente, o sexo convencional pênis-vagina pode transmitir o vírus, mas o HPV pode ser transmitido também através de outras formas de contato pele-a-pele.
Um estudo recente evidenciou uma série de infecções genitais por HPV entre mulheres homossexuais. O HPV genital em homossexuais ainda não foi muito estudado, mas os pesquisadores suspeitam que as taxas de prevalência sejam menores do que entre os heterossexuais. Mesmo assim, as taxas não são baixas o suficiente para afastar por completo o risco de câncer de colo do útero. Dessa forma, a realização do exame de Papanicolaou regularmente é uma medida de saúde tanto para homossexuais como para heterossexuais.

A vacina contra o HPV é apenas para adolescentes.
Verdade - A partir de 2013, a vacina contra o HPV será fornecida para meninas e meninos com idade entre 11 - 13 anos, como parte de um Programa Nacional de Imunizações do HPV. Além disso, em 2013 - 2014, os meninos com idades entre 14 - 15 anos também podem receber a vacina gratuitamente.
Homens até 26 anos e mulheres até 45 anos, que estão fora do programa de vacinação podem conversar com seus médicos sobre como receber a vacina.
A vacina só protege contra o câncer do colo do útero, por isso os homens não precisam.
Mito - A vacina protege contra 70% dos casos de câncer de colo do útero, no entanto, também fornece proteção contra a maioria dos cânceres genitais em homens causados por infecção pelo HPV. Além disso, a vacina protege contra 90% das verrugas genitais em homens e mulheres.
Como acontece com qualquer vacina, a vacina contra o HPV não pode proteger totalmente quem é vacinado e não protege contra todos os tipos de HPV.
Eu ainda não sou sexualmente ativa, então eu não preciso da vacina.
Mito - Você pode não estar pensando em ser sexualmente ativo, mas, no entanto, a vacina oferece melhores resultados se for administrada antes da exposição ao HPV, ou seja, antes do início da atividade sexual.
A vacina também fornece melhores resultados quanto mais jovem é a pessoa no momento da vacinação, além disso, as pessoas mais jovens criam mais anticorpos para a vacina do que as pessoas mais velhas. Isso significa que elas estarão mais bem protegidas se forem expostos ao HPV no futuro.
Tomar a vacina em uma idade precoce leva à promiscuidade.
Mito - Não existem evidências de que os meninos e meninas que receberam a vacina tenham relações sexuais mais cedo do que aqueles que não foram vacinados, e nem têm mais parceiros sexuais, quando se tornaram sexualmente ativos. A vacinação é uma parte normal do crescimento, com a grande maioria de crianças vacinadas na escola.
O câncer de colo do útero pode ser tratado de forma eficaz se for diagnosticado precocemente, mas não é evitável.
Mito - O câncer de colo do útero é evitável na maioria dos casos. Atualmente, se sabe que os tipos de HPV de alto risco são a causa de praticamente todos os casos de câncer de colo do útero. Pela primeira vez, existe uma vacina para a prevenção do HPV, que protege contra 2 dos tipos mais perigosos de vírus. Isto é mais eficaz quando administrado a meninas e mulheres jovens que ainda não são sexualmente ativas. Se uma mulher com mais de 30 anos (ou não) for vacinada contra o HPV, ela também se beneficiará dos exames de HPV junto com os exames Papanicolaou regulares. Se as mulheres com infecções persistentes com HPV de alto risco forem identificadas, poderão ser acompanhadas e tratadas precocemente, antes que alterações celulares anormais tornem-se mais graves. A progressão das displasias nas células do colo do útero é um processo lento, levando cerca de 10 - 15 anos. Portanto, a intervenção precoce é muito eficaz.

obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs,
Carla
extraído:http://www.oncoguia.org.br/conteudo/mitos-e-verdades-sobre-cancer-de-colo-de-utero-e-hpv/2622/28/

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