quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Dores... Gemidos...Demências causam dores????

A Dor
As pessoas com Demência podem experienciar dor física pelas mesmas razões que as outras pessoas. Contudo, o declínio da função cerebral e das suas capacidades podem torná-las menos capazes de comunicar aos seus prestadores de cuidados que estão a sentir dor. 
 
As pessoas com Demência podem ser incapazes de comunicar a sua dor de forma clara ou de interpretar corretamente os sinais de dor e transmitir o seu desconforto através de outro comportamento. Nem sempre é fácil determinar se a pessoa está em sofrimento, pelo que a dor frequentemente passa despercebida e fica sem tratamento.
 
Esta situação pode resultar no sub-tratamento da dor e na diminuição da sua qualidade de vida. No entanto, esta situação é evitável através da observação dos sinais não-verbais de dor e da prestação de um tratamento adequado.
 
Tanto quanto se sabe, a Demência não causa dor. No entanto, as pessoas com Demência podem ser afetadas pelas mesmas doenças do que as pessoas sem Demência e algumas destas doenças podem ser dolorosas.
 
A investigação sugere que quando uma pessoa com Demência tem dor, corre o risco de não ser tratada por duas crenças erradas – primeira, a pessoa com Demência não experiencia dor - e segunda, nada pode ser feito pelas pessoas com Demência.
 
 
Dor aguda ou crónica
A forma como experienciamos a dor física é muito individual. Uma dor resultante da mesma causa pode ser sentida, por cada pessoa, de forma diferente. Podemos utilizar várias palavras para descrever a nossa dor , desconforto, moinha, pontada, cortante, sensação de queimadura, latejante, etc. Podemos, também, inconscientemente mostrar sinais de dor, tais como fazer certas expressões faciais ou afastar do toque a parte do corpo dolorida.
 
Sentimos dor porque da parte do corpo afetada são enviados sinais para áreas específicas do cérebro. Esta é uma função vital, uma vez que a dor nos leva a retirar de situações potencialmente perigosas, a proteger a parte do corpo lesionada enquanto se cura e a evitar a mesma situação no futuro.
 
A dor pode ser aguda ou crónica. A dor aguda surge de repente e pode ser provocada por um ferimento ou infeção. Este tipo de dor geralmente alivia à medida que a parte do corpo afetada se cura. A dor crónica é persistente no tempo e pode ser provocada por uma doença de longa duração subjacente, tal como a artrite. Este tipo de dor pode ser contínuo ou intermitente. 
 
 
A dor na Demência
Tanto quanto se sabe, as alterações cerebrais que ocorrem na Doença de Alzheimer e noutras formas de Demência não provocam dor. No entanto, as pessoas com Demência apresentam um risco maior de sentir dor por serem mais propensas a situações que podem causar dor, tais como quedas, acidentes e lesões. Acresce que as pessoas idosas em geral, incluindo as que têm Demência, têm maior probabilidade de sofrer de uma série de condições médicas que podem provocar dor.
 
Outrora pensava-se que as pessoas com Demência não sentiam dor, porque os danos que ocorriam no seu cérebro impossibilitava-as de a sentirem. No entanto, a investigação demonstrou que esta ideia estava errada. Um estudo realizado em Melbourne (Austrália), que utilizou a ressonância magnética funcional (RM), revelou que as pessoas com Doença de Alzheimer mostraram atividade cerebral relacionada com a dor nas mesmas regiões do cérebro que as pessoas sem Doença de Alzheimer(1). Os investigadores concluíram que as pessoas com Demência sentem dor exatamente do mesmo modo que outras pessoas sem Demência, a diferença é que revelam dificuldade em explicá-la aos outros.
 
A Demência tipicamente envolve uma deterioração progressiva das capacidades da pessoa para entender e comunicar com aqueles que estão ao seu redor. Nas fases iniciais da doença, a capacidade da pessoa para reconhecer e comunicar a dor pode estar intacta. Em fases posteriores esta capacidade provavelmente estará reduzida. Isto leva potencialmente a uma situação inaceitável de a pessoa com Demência sofrer com dores, sem obter o alívio adequado para estas.
 
A investigação descobriu que as pessoas com Demência, especialmente as que vivem em unidades residenciais, relatam menos dor e recebem menos medicamentos para aliviar a dor. Atualmente sabe-se que isto não é por sentirem menos dor, mas porque são menos capazes de comunicar o seu nível de dor e a sua necessidade de alívio desta. Desta forma, cabe aos que cuidam de uma pessoa com Demência tomarem medidas adicionais para avaliar se a pessoa está a sentir dor e utilizarem tratamentos para gerir eficazmente a dor.
 
 
Reconhecer a dor
Reconhecer que alguém com Demência está com dores nem sempre é fácil. A dor é uma experiência muito pessoal e a avaliação é usualmente baseada na nossa perceção da dor e na comunicação do seu tipo, gravidade e localização.
 
Mas, para alguém com Demência que tem dificuldade em comunicar, será necessário reconhecer a dor de outra forma. Alguns comportamentos e sintomas podem indicar que a pessoa tem desconforto, dor ou que não está bem.
 
Estes comportamentos e sintomas podem incluir:
  • Alterações do comportamento. A pessoa pode parecer apática, letárgica, frustrada ou mesmo zangada;
  • Dormir mais do que o habitual;
  • Chorar;
  • As expressões faciais ou verbais podem indicar dor numa parte específica do corpo;
  • Relutância em mover-se;
 
Perguntar sobre a dor
Quando perguntar à pessoa com Demência sobre a sua saúde, tente utilizar uma variedade de palavras que possam ajudar a pessoa a descrever aquilo que sente. Pode ser útil utilizar palavras como desconforto, incómodo, magoado, doloroso e ferida. Em intervalos regulares, pergunte à pessoa se tem dores, em vez de fazê-lo uma única vez.
 
 
A queixa verbal de dor
Nas fases iniciais da Demência, as pessoas são capazes comunicar a alguém que estão a sentir dor. No entanto, o declínio das capacidades de pensamento pode torná-las menos capazes de entender por que motivo estão a sentir dor e de saberem o que fazer em relação a esta. 
 
O declínio da função cerebral e das competências de comunicação pode prejudicar a capacidade da pessoa para relatar com precisão a localização, o nível e o tipo de dor que está a sentir ou para lembrar-se de tomar a medicação regularmente para aliviar a dor, o que significa que a pessoa poderá permanecer em sofrimento.
 
Para além da Demência, existem outros motivos que podem tornar as pessoas idosas menos propensas a comunicar que estão a sentir dor. As situações que podem levar uma pessoa a não comunicar a sua dor são: a depressão; o medo de necessitarem de uma cirurgia, hospitalização ou de transitarem para uma unidade residencial; a perceção errónea de que todos os analgésicos criam dependência; não quererem parecer fracas ou queixosas. As diferenças culturais, religiosas e de género podem afetar o relato de dor. Algumas pessoas não querem perder o respeito da sociedade ao admitirem que estão com dor e que precisam de ajuda, ou acreditam que a dor deve ser sentida em silêncio. Outras pessoas consideram que devem relatar de imediato a dor e obter um alívio instantâneo da mesma. Como resultado das expectativas sociais e culturais, alguns homens podem acreditar que precisam de ser fortes e que devem aguentar a dor.
 
Devem considerar-se as origens e circunstâncias de uma pessoa, assim como a fase de Demência em que se encontra, para determinar se corre o risco de não comunicar que está a sentir dor. Mesmo que a pessoa pareça capaz de comunicar normalmente, as estratégias para a avaliação da dor podem ter que ir além de simplesmente perguntar à pessoa com Demência se está a sentir dor.
 
 
Os sinais não-verbais de dor
Nas fases mais avançadas de Demência, muitas pessoas perdem a capacidade de comunicar verbalmente aos outros que estão com dores. Contudo, é possível avaliar se alguém está a sentir dor através da observação dos sinais não-verbais. De facto, os sinais não-verbais podem ser úteis na avaliação da dor em todas as fases de Demência. Estes sinais podem estar obviamente relacionados com a dor, mas por vezes podem apenas representar uma alteração do comportamento normal. 
 
Os sinais não-verbais podem incluir:
  • Expressões faciais;
  • Gestos que indicam sofrimento;
  • Resguardar uma parte do corpo ou ter relutância em movimentar-se;
  • Gemidos de dor ao movimentar-se;
  • Movimentos limitados ou lentos;
  • Aumento da frequência cardíaca, pressão arterial ou sudorese;
  • Inquietação;
  • Choro ou sofrimento;
  • Aumento ou diminuição das vocalizações;
  • Comportamento social retraído;
  • Letargia ou aumento do sono;
  • Sono perturbado ou agitado;
  • Diminuição do apetite (e diminuição da ingestão nutricional);
  • Aumento da confusão;
  • Raiva, agressividade, irritabilidade ou agitação.
Alguns destes sintomas ou alterações podem ser resultado de outros problemas. Contudo, a dor deve ser sempre considerada como uma causa potencial e tratável. É, também, importante lembrar que algumas pessoas apresentam poucos ou nenhuns comportamentos específicos associados à dor.
 
 
As consequências da dor não tratada
Se a dor de uma pessoa com Demência não for reconhecida e tratada, existe o perigo de a pessoa sofrer desnecessariamente e também de lhe serem prescritos tratamentos inadequados para a alteração do seu comportamento. 
 
Se uma pessoa se torna retraída ou angustiada por causa da dor, pode assumir-se que está deprimida e serem-lhe prescritos antidepressivos. De facto, a dor crónica pode tornar a pessoa deprimida, mas tratar eficazmente a dor subjacente vai aliviar a dor e a depressão. Se uma pessoa se torna agressiva ou agitada por causa de uma dor, pode ser-lhe prescrito um antipsicótico, que potencialmente tem sérios efeitos secundários. Mais uma vez, tratar a dor subjacente deverá aliviar os problemas de comportamento resultantes desta.
 
A dor persistente pode levar à redução da mobilidade. Esta situação pode interferir nas atividades diárias e também aumentar o risco de quedas e de futuros ferimentos. A dor persistente pode afetar o funcionamento do cérebro e do pensamento, piorando os sintomas de Demência e acelerando a deterioração. Não reconhecer e não tratar a dor em pessoas com Demência tem profundas implicações para a sua qualidade de vida e pode levar a maus resultados médicos.
 
 
As causas de dor
As potenciais causas de dor são iguais para as pessoas com Demência e para as outras. As causas mais comuns de dor nos idosos incluem:
  • Obstipação e infeções do trato urinário;
  • Ficar sentado ou deitado na mesma posição durante muito tempo;
  • Úlceras de pressão;
  • Artrite;
  • Osteoporose;
  • Osteoartrite;
  • Lesões antigas, como fratura da anca;
  • Lesões não detetadas ou não tratadas;
  • Dor de cabeça ou enxaqueca;
  • Problemas nas costas;
  • Problemas nos pés;
  • Problemas dentários;
  • Diabetes;
  • Infeções;
  • Cancro.
Pode ser necessário fazer uma avaliação cuidadosa para determinar a causa da dor, especialmente na pessoa com Demência cuja capacidade de comunicação esteja comprometida.
 
 
A avaliação da dor
Não existe uma forma simples de medir a dor de uma pessoa, tal como existe, por exemplo, para medir a tensão arterial ou a acuidade visual. Desta forma, o auto relato da pessoa é a medida mais confiável de dor. Os pacientes podem ser solicitados a classificar a sua dor numa escala de zero a dez, sendo zero nenhuma dor e dez a pior dor que já sentiram. Os pacientes também podem ser solicitados a descrever a natureza da sua dor, por exemplo se é aguda ou crónica. 
 
Mas, como é conhecido, as pessoas com Demência podem ter dificuldades em compreenderem estas questões e/ou fornecerem uma resposta que reflita com precisão a sua dor.
 
Os profissionais de saúde podem usar escalas de avaliação da dor para investigar a dor em pessoas com Demência. Para a medir a intensidade da dor existem escalas validadas a nível internacional, recomendadas pelo Ministério da Saúde, nomeadamente Escala Visual Analógica (convertida em escala numérica para efeitos de registo), a Escala Numérica, a Escala Qualitativa ou a Escala de Faces.*
 
A intensidade da dor é relatada pelo doente, pelo que este tem de estar consciente e colaborar com o médico que está a fazer a avaliação. Quando a pessoa não está consciente ou não consegue comunicar, existem outros métodos de avaliação específicos.A escala utilizada para medir a intensidade da dor pela primeira deverá ser utilizada nas avaliações posteriores.
 
 A Sociedade Australiana da Dor recomenda a utilização do Brief Pain Inventory como um instrumento comprovadamente útil para avaliar a dor em pessoas idosas, que conseguem comunicar verbalmente(2). Existem versões para as pessoas que vivem na comunidade e para as que vivem em unidades residenciais.
 
Os instrumentos para a avaliação observacional estão disponíveis para registar e pontuar os sinais de dor de uma pessoa com Demência que não consegue comunicar verbalmente. A Sociedade Australiana da Dor recomenda a Abbey Pain Scale para essas pessoas(2). Esta escala requer que o observador pontue a severidade das expressões da pessoa, das alterações do comportamento e dos sinais físicos, sendo que a pontuação total obtida indica a gravidade da dor.
 
Os profissionais de saúde, por vezes, não têm o tempo necessário para reconhecer, avaliar e controlar a dor em pessoas com Demência. Os familiares e amigos podem dar uma contribuição valiosa ao aprenderem a reconhecer os sinais de dor do seu ente querido e a comunicarem as suas preocupações aos profissionais de saúde e prestadores de cuidados. 
 
A avaliação adequada da causa, gravidade e impacto da dor de uma pessoa é essencial para delinear o tratamento mais adequado.
 
 
Controlar a dor
Após identificar-se que a pessoa com Demência está a experienciar dor, deverá ser observada por um médico, que irá determinar qual o melhor tratamento. Em algumas situações, tal como uma dor de cabeça, o paracetamol pode ser utilizado, geralmente, com segurança e sem necessidade de consultar um médico. Para situações de dor mais significativas ou contínuas, pode ser necessário a administração de medicamentos mais fortes.
 
Um medicamento que alivia a dor é denominado analgésico. Vários fármacos podem ser utilizados para tratar a dor. Estes incluem: paracetamol, aspirina, anti-inflamatórios não-esteróides (ex.: ibuprofeno) e opiáceos (ex.: codeína e morfina). O tipo de fármaco escolhido depende de vários fatores, tais como o tipo e a gravidade da dor, durante quanto tempo a pessoa vai necessitar do medicamento e de outras condições médicas e medicamentos que o paciente esteja a tomar. 
 
Deve existir um cuidado especial com as pessoas idosas. Estas podem ser mais sensíveis a alguns medicamentos e requererem uma dose mais baixa. Podem, também, ser mais propensas aos efeitos secundários e a interações com outros medicamentos que estão a tomar. Converse com o médico e/ou farmacêutico para garantir que estas situações foram consideradas e que a resposta à medicação é cuidadosamente monitorizada.
 
 
Tratamentos Não Farmacológicos
Os tratamentos não farmacológicos podem ser utilizados, isoladamente ou em combinação com um medicamento, para ajudar a aliviar a dor. Estes podem incluir:
  • Massagem;
  • Aplicação de compressas frias ou quentes;
  • Exercícios suaves e alongamentos;
  • Fisioterapia;
  • Acupunctura;
  • Relaxamento.
Para a dor crónica, em particular, é muito importante que o controlo permanente da dor faça parte do plano de cuidados à pessoa com Demência. A dor deve ser avaliada regularmente, o tratamento deve ser adaptado para o que funciona melhor na pessoa e as terapêuticas devem ser ajustadas sempre que for necessário. A maneira mais eficaz de controlar a dor crónica é tomar os analgésicos em intervalos regulares, em vez de tomá-los apenas quando são necessários. A junção de terapias não farmacológicas, como a massagem, pode ser muito útil.
 
 
Controlar a dor no fim da vida
Muitas pessoas têm medo de passar os seus últimos dias a sentir dor, mas com a prestação de bons cuidados paliativos esta situação raramente acontece. Os cuidados paliativos são cuidados especializados para alguém que tem uma doença terminal. A gestão da dor é uma parte importante destes cuidados. A Demência é uma doença terminal que pode estar associada a outras condições médicas que provocam dor, pelo que este tipo de cuidados está disponível para as pessoas com Demência.
 
Existem muitos profissionais de saúde sem formação específica em gestão da dor, mas uma equipa de cuidados paliativos garante a implementação de estratégias eficazes de controlo da dor, caso sejam necessárias (3). 
 
Esta ajuda especializada pode ser fornecida em qualquer fase da doença e não apenas nos últimos dias de vida. Todavia, nem todas as pessoas com Demência vão necessitar de um tratamento paliativo da dor.
 
 
Prevenir a dor
Quando cuidar de alguém com Demência deve tomar precauções para evitar situações que podem causam dor, tais como infeções, fraturas e úlceras de pressão. O uso regular de medicação pode ser necessário para controlar a dor persistente em alguém com doença crónica.
 
 
Se a pessoa estiver num lar residencial
No contexto de um lar residencial, é possível que a dor não seja, por vezes, reconhecida e tratada. Se estiver preocupado com a possibilidade da pessoa com Demência estar com dores, fale com o médico ou enfermeiro. O conhecimento dos sinais comportamentais de dor é importante para ajudar os funcionários do lar residencial a identificarem que a pessoa está com dores. Certifique-se que os funcionários avaliam regularmente a existência de dor e que esta está a ser controlada eficazmente. As boas práticas de cuidados residenciais têm como objetivo melhorar o controlo da dor em pessoas com demência
 
obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs,
Carla
extraído:https://www.facebook.com/notes/cantinho-da-paz-cuidadores-de-portadores-de-alzheimer/dores-gemidosdem%C3%AAncias-causam-dores/705273066244075

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