domingo, 2 de agosto de 2015

Hemodiálise, o que comer?

No momento em que lhe é diagnosticada a falência renal e contacta com a sua nova condição de vida associada a um estado de saúde que obriga a um tratamento regular substituto da função renal, são imensas as questões que se colocam, as dúvidas, os receios e as incertezas.
 
 
Algumas delas dizem respeito ao próprio procedimento do tratamento de hemodiálise, outras aos cuidados com a medicação, mas, muitas dessas incertezas e expectativas estão relacionadas com a sua alimentação e um novo padrão de vida a que terá de aderir.
 
 
No decurso do seu tratamento de hemodiálise será acompanhado por uma equipa multidisciplinar, da qual, habitualmente, fazem parte médicos nefrologistas e de outras especialidades, enfermeiros, nutricionistas ou dietistas, assistentes sociais, farmacêuticos, assistentes operacionais, entre outros profissionais. Quando se dá início à terapêutica de substituição, seja em meio hospitalar, seja em alguma clínica de hemodiálise, será apresentado à equipa que o acompanhará. O nutricionista ou dietista, em consulta de nutrição, fará uma avaliação nutricional completa que incluirá a análise da sua história clínica e alimentar, avaliação da evolução do peso e da composição corporal, recolha de hábitos e preferências alimentares e aprofundará outras características relacionadas com o seu estilo de vida, tais como o padrão alimentar e, sempre que enquadrado, os hábitos de actividade física.
 
 
No momento dessa consulta ser-lhe-ão explicados quais os principais objectivos do acompanhamento nutricional e da sua alimentação, como poderá consultar em artigo. "A Nutrição na Hemodiálise e a Importância de Adequar a Sua Alimentação para uma Melhor Qualidade de Vida”
 
 
Muitas das vezes, ou pela necessidade de um esclarecimento rápido, ou pela preocupação em consolidar toda a informação que se recebe ou por mera curiosidade, as pessoas são levadas a recorrer a diversas fontes de informação, generalistas e ligadas às redes sociais. Este é um procedimento viável e, na maior parte das vezes, leva-nos a fontes com adequados conteúdos técnicos, contudo, o facto de nesses locais, como neste e noutros sites, a mensagem ter de ser transmitida de um modo a abranger a maior parte das pessoas, circunstâncias e situações mais comuns, a recepção da informação terá de ter em conta essa condição. Assim, remetemos sempre para a necessidade de procurar um aconselhamento individualizado e personalizado, realizado em Consulta de Nutrição e Dietética, pois o conteúdo deste artigo pretende responder de forma geral, à questão muitas das vezes colocada pelas pessoas que estão a fazer hemodiálise: “Afinal, o que eu posso comer?”.
 
 
Remetendo para o artigo onde se aborda a relação da alimentação com a qualidade de vida do doente em hemodiálise, vamos tentar transpor para informação alimentar, alguns dos conceitos que fazem parte do padrão de uma alimentação que consiga suprir as necessidades nutricionais e atingir os objectivos terapêuticos.
 
 

Uma pessoa em tratamento de hemodiálise, apresenta necessidades energéticas aumentadas, relativamente à população geral ou até à sua condição de saúde num estádio mais baixo da doença, que são conseguidas com o cumprimento de um plano alimentar individualizado, que deverá incluir diariamente a variedade de alimentos que compõem a maior parte dos grupos da roda dos alimentos, à excepção das leguminosas, como explicar-se-á mais à frente.

 
 
Para atingir a quantidade de energia que o seu nutricionista ou dietista definirá na consulta, poderá ser incentivado a fazer entre 4 a 6 refeições ao longo do dia. Para cada refeição tem um conjunto de alimentos sugeridos que lhe permitem variar e alternar as suas escolhas alimentares. São exemplo de alimentos frequentemente recomendados para hemodiálise o arroz, a massa, a açorda, o pão de trigo, as bolachas simples tipo Maria ou Torrada, tipo água e sal ou cream-cracker, as tostas de trigo, os cereais simples de milho ou trigo, assim como, os preparados à base de amido de milho (maizena), tapioca, etc.
 
 
As refeições mais completas, como o almoço e jantar, são fundamentais para completar a energia e a proteína necessária ao seu dia alimentar. Esta última, está igualmente aumentada, em relação aos estádios anteriores da doença renal. Diz-se que a sua alimentação deverá ser hiperproteica, ou seja, correspondendo às necessidades aumentadas de proteína.
 
 
Assim, ao almoço e ao jantar, a porção desse grupo de alimentos que lhe for prescrita é aquela que será responsável pela maior parte das proteínas que receberá da alimentação. Outros alimentos, tais como, o leite e seus derivados, o fiambre, os ovos e os cereais, também fornecerão proteínas e que combinados no seu plano alimentar irão garantir que atinge a totalidade da quantidade recomendada. Estes assumem, por isso, uma relevante importância na sua alimentação, pelo que regularmente lhe será questionado acerca do padrão de refeições que compõem o seu dia alimentar, das porções que ingere e lhe é incentivado o seu consumo, naqueles casos em que seja necessário. Também neste grupo de alimentos tem uma enorme diversidade na oferta alimentar disponível, de vários escalões de preços e adequados a todas as condições económicas. A alternância entre carne e peixe é favorável, pelas características próprias de cada grupo, contudo, existem além desses, outros alimentos que são excelentes fontes proteicas e de baixo valor económico, muitas das vezes até os podemos ter disponíveis resultado da criação animal doméstica, como é o caso dos ovos.
 
 
A clara de ovo é uma excelente fonte de proteína e cada porção de 3-4 claras de ovo corresponderá, em média, à porção de carne ou peixe que está recomendada à média da população em hemodiálise. O atum é outro produto que ganha interesse na sua alimentação, igualmente, pela sua riqueza em proteínas de alto valor biológico. Junto do seu nutricionista e dietista procure informar-se que outras alternativas encontra disponíveis na sua oferta alimentar.
 
 
Outra questão que muitas das vezes é colocada, prende-se com o método de confecção dos alimentos. Encontramos regularmente padrões alimentares que estão limitados a alimentos preparados cozidos ou grelhados. Estes são uma opção, mas não são únicos. Também os restantes tipos de confecção, tais como, refugados, guisados, assados, caldeiradas, ou até mesmo os fritos, poderão assumir um papel importante na alimentação, tornando-a variada e mais saborosa. Sendo que as confecções em que a quantidade de gordura é naturalmente superior, tal como acontece nos fritos e assados com gordura, deverão ser utilizadas de modo regrado e com menos frequência.
 
 
Nas restantes técnicas culinárias, motiva-se a que se reduza a utilização de sal, mas, por outro lado, incentiva-se a que sejam explorados outros truques culinários, tais como, a utilização de ervas e especiarias aromáticas, a preparação de marinadas, a preparação e confecção dos alimentos de modo a reterem mais do seu sabor natural e características nutricionais, entre outras. As gorduras vegetais, tais como azeite, margarinas e outros compostos, são um auxílio para aumentar o valor de energia das suas refeições e dar mais sabor às preparações alimentares. Em consulta de nutrição e dietética procure explorar o modo de combinar as ervas aromáticas com cada tipo de alimento.
 
 
Também no que diz respeito aos alimentos que, habitualmente, aparecem conotados de uma forma mais negativa, pela sua quantidade de potássio, não têm que ser obrigatoriamente eliminados da sua alimentação, contudo, o facto de serem alimentos que mais facilmente aumentam os níveis de potássio no sangue, devem ser evitados na alimentação diária e ingeridos de um modo muito regrado, como lhe será aconselhamento pelo seu nutricionista ou dietista. São exemplo de alimentos que deve procurar saber as porções que lhe estão recomendadas e ingerir de modo variado, mas regrado, as frutas, os legumes e hortícolas, os tubérculos, etc. A variedade de fruta e legumes que temos disponível na oferta alimentar poderá tornar a sua alimentação mais rica do ponto de vista das vitaminas e sais minerais essenciais, apenas terá de adequar o consumo de acordo com as respectivas concentrações de potássio.
 
 

No que diz respeito às bebidas, a sua ingestão deverá ser adaptada e individualizada a cada situação clínica. As recomendações definem que o aporte de líquidos recomendado, incluindo todos os alimentos que são líquidos à temperatura ambiente e ao longo do dia, não deve exceder o somatório de 500-750ml à quantidade equivalente do volume de urina que ainda produz em 24h. Ou seja, os alimentos líquidos que ingere, tais como a água, café/cevada, leite, sopa, gelatina, vinho, etc, devem ser tomados em quantidades regradas e adequadas, de modo a perfazer a quantidade total que o seu nutricionista ou dietista lhe recomenda. Para auxiliar essa quantificação, as suas bebidas são recomendadas em volumes específicos, tais como 120ml, 150ml, etc, ou representadas em medidas caseiras, como por exemplo, “meia chávena almoçadeira”, “um copo pequeno”, “uma chávena de chá”, etc. Ao longo do tempo, esta recomendação poderá ter de ser ajustada, à medida que a sua função renal sofra alterações.

 
 
É normal que ocorram períodos em que sinta alguma sede, maior dificuldade em controlar a ingestão de líquidos e que tenha que proceder a uma adequação do seu comportamento alimentar para melhorar a acumulação de líquidos que ocorre entre os tratamentos, nessa altura é fundamental saber que conta com o apoio do seu especialista da nutrição e dietética para estar a par das recomendações.
 
 
Muitos outros alimentos constituem opções viáveis para a sua alimentação. No fundo, ao longo do seu tratamento aperceber-se-á que consegue manter uma alimentação muito variada e completa, composta pela grande parte dos alimentos que ingeria anteriormente e que fazem parte dos seus gostos e preferências alimentares, recorrendo ao acompanhamento técnico e regular do seu nutricionista ou dietista.
 
 
Neste artigo, tentámos dar resposta à questão, “Hemodiálise, o que comer?”, no sentido de sublinhar a necessidade de a sua alimentação ser um processo de adequação, de aprendizagem, sempre dinâmica e possível de ser ajustada, de acordo com as necessidades clínicas e preferências individuais, composta por refeições adequadas e saborosas.
 
 
Na consulta de nutrição e dietética irá adquirindo, progressivamente, mais competências relacionadas com a sua escolha alimentar e que lhe permitirão manter um adequado estado de saúde. Desfrute de um acompanhamento regular e frequente do seu nutricionista ou dietista e encontrará rapidamente resposta a esta questão.
 
 obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs,
Carla
extraído:http://www.portaldadialise.com/articles/hemodialise-o-que-comer

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