sexta-feira, 22 de julho de 2016

‘Dory’ chama a atenção para a perda de memória infantil

Falhas nas lembranças operacionais são reversíveis, principalmente em menores de 12 anos






PUBLICADO EM 14/07/16 - 03h00
A simpática e esquecida peixinha tang azul Dory, que roubou a cena em “Procurando Nemo”, em 2003, ganhou um filme só pra ela: “Procurando Dory”, em cartaz em boa parte dos cinemas do país. Na telona, o problema da falta de memória recente, principal característica da personagem, ganhou roupagem mais didática, com lições de convivência e de superação da deficiência.
Após uma sessão no cinema, a professora e pedagoga da rede municipal de Belo Horizonte Mariana Porfilho avaliou como “superimportante” a abordagem do filme. Para ela, a narrativa quebra barreiras e é válida para a socialização infantil, “apesar de as crianças já serem muito abertas a tudo”. “Acho que as crianças não têm preconceito. Meus alunos lidam muito bem no dia a dia com várias crianças com deficiências motoras e mentais, mas é importante também mostrar de forma lúdica. Eles conseguem fazer essa ligação do abstrato com o concreto muito bem”, diz.
No entanto, o filme não deixa claro como Dory perdeu a memória, e esse esquecimento da personagem, de acordo com a pediatra e psiquiatra da infância e adolescência Marília de Freitas Maakaroun, é um problema muito raro de acontecer em crianças. “A perda de memória recente é mais comum, até mesmo em adultos, após algum acidente ou traumatismo que provoque lesões na área da memória (hipocampo)”, explica.


Meningite e encefalite. Segundo a neurologista infantil e professora de pediatria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Cláudia Machado Siqueira, a situação é mesmo mais comum em pacientes adultos com demência, mas a perda de memória também pode aparecer em crianças com quadros graves de meningite e encefalite ou como um sintoma do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), problema que atinge de 3% a 5% das crianças. “Esse déficit acontece na memória operacional, um tipo muito delicado e que se desarmoniza muito fácil”, diz.
Segundo Cláudia, a memória operacional vai aumentando ao longo da infância e atinge seu ápice por volta dos 12 anos. A boa notícia é que em crianças, as chances de perda dessa memória ser irreversível são pequenas. Assim como no filme, com treino e estratégias, é possível minimizar os impactos. “Repetir um nome várias vezes, escrever recados e usar agenda são boas estratégias para não esquecermos de alguma coisa”, afirma.

ENSINAMENTOS

A psicóloga Josie Conti listou quatro lições que o filme “Procurando Dory” pode ensinar:
Falar sobre. Se a limitação é real, é preciso entendê-la e falar sobre ela para que as outras pessoas também entendam e possam ajudar. Para Dory, não conseguir guardar essas informações fazia com que ela se perdesse em caminhos e no fluxo de seus pensamentos o tempo todo.
Aceitar. A aceitação é necessária para que se possa adaptar ao meio e encontrar alternativas. Uma vez que Dory, sua família e amigos sabem disso, é possível elaborar estratégias para que ela possa ser “ajudada” a se lembrar.
Adaptar. Valorizar as habilidades que são mais desenvolvidas em quem sofre de alguma deficiência. A animação mostra que Dory desenvolveu uma capacidade de se adaptar às situações de dificuldade.
Família. Saber que nossa família é quem amamos. “A família está onde nosso coração está, são aqueles que nos ajudam a superar as dificuldades e enfrentar o mundo, e com um olhar diferente”, diz Josie.
obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs.
Carla
extraído:http://www.otempo.com.br/interessa/dory-chama-a-aten%C3%A7%C3%A3o-para-a-perda-de-mem%C3%B3ria-infantil-1.1337674

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