sábado, 11 de junho de 2016

CONSULTA DE ESCLARECIMENTO NA INSUFICIÊNCIA RENAL CRÓNICA TERMINA

Consulta de esclarecimento na Insuficiência renal crónica terminal

magem: options, de Bill Ohl sob licença CC BY-NC-ND 2.0


A insuficiência renal crónica terminal é uma doença crónica com elevada prevalência na população portuguesa. Uma doença que não escolhe género, idade, raça ou condição social. Em relação aos tratamentos de substituição da função renal, os números dizem-nos que aproximadamente 11 mil pessoas fazem hemodiálise, 700 diálise peritoneal e 6 mil são transplantados renais (Macário et al., 2013). Esta caracterização é necessária para refletirmos que se trata de uma doença com um grande peso económico no Sistema de Saúde e uma enorme responsabilidade para quem tem que a vivenciar. Os modelos de gestão integrada da doença crónica do Ministério da Saúde intentam na monitorização e controlo dos custos relacionados com a doença, mas de facto para haver uma efetiva gestão integrada a participação do doente é fundamental, porque a sua tomada de decisão em relação ao seu estado de saúde influencia todo o processo terapêutico. A consulta de esclarecimento foi regularizada através da norma da DGS nº 17/2011, a qual descreve como objectivo principal esclarecer a pessoa com doença renal crónica (DRC) sobre as diferentes modalidades terapêuticas da DRC em estadio 5. Este esclarecimento visa fornecer as informações necessárias para a tomada de decisão na opção terapêutica para o tratamento da doença renal crónica terminal.


O Conselho Internacional de Enfermeiras (2001), define que a tomada de decisão é a “disposição que a pessoa tem para aceitar ou abandonar ações tendo em conta o seu julgamento; capacidade de escolher entre duas ou mais alternativas pela identificação de informação relevante”. Pretende-se que as pessoas tenham o poder de influenciar a sua própria saúde. Nos cuidados de saúde “dar poder” é definido como um processo educacional destinado a ajudar as pessoas a desenvolverem conhecimentoscapacidades,atitudes e auto-consciência da tomada de responsabilidade para com o seu tratamento (Wang et al., 2007).


As pessoas que assumem um papel ativo no seu tratamento verificam melhores índices de adesão terapêutica, menores complicações relacionadas com os tratamentos e maior satisfação da pessoa (Thomas, 2009).


Na doença renal a escolha da terapêutica é atualmente uma decisão consciente entre equipa multidisciplinar e a pessoa. A educação através de programas pré-diálise possibilita que a pessoa tome conhecimento das técnicas disponíveis para o tratamento da sua doença (Rodrigues, 2010).


A consulta de esclarecimento na unidade do CHUC-HG é constituída por uma equipa multidisciplinar (Médico, Enfermeiro, Nutricionista e Assistente Social), as pessoas são referenciadas para a consulta a partir do estadio 4 da doença renal crónica através dos seus nefrologistas assistentes. É utilizada a sessão de grupo como metodologia de formação e fornecida informação através do folheto informativo e do vídeo explicativo dos diferentes tratamentos de substituição da função renal.


Os tratamentos disponíveis para a doença renal cronica terminal são: a hemodiálise, diálise peritoneal, o transplante renal (dador cadáver e dador vivo) e o tratamento médico conservador (TMC). O quadro seguinte indica algumas vantagens e desvantagens de cada tratamento substitutivo:


Tratamento substitutivo da função renal
Vantagens
Desvantagens
Hemodiálise
  • Diálise eficaz
  • Efectuada 3x por semana, durante em media 4horas
  • Acompanhamento médico/enfermagem 3x por semana
  • Realizada em clinicas/hospitais
  • Necessidade de um bom acesso vascular  
  • Necessidade de anticoagulação durante o tratamento
  • Horários dos tratamentos condicionados à disponibilidade do local
  • Nível de responsabilidade elevado no cumprimento da dieta e restrição hídrica
Diálise peritoneal
  • Diálise eficaz e fisiológica
  • Efectuada no domicilio da pessoa
  • Mantém a função renal residual
  • Menor restrição dietética
  • Ausência de dor
  • Sem necessidade de punção Acesso Vascular

  • Necessidade de um cateter peritoneal
  • Grande responsabilidade no cumprimento das regras de higiene, limpeza e a execução correcta da técnica
  • Local de armazenamento no domicilio
  • Efetuada todos os dias: 4 x dia (30minutos)  na técnica manual; 1 vez por dia no caso da diálise peritoneal automática (7 a 8horas).
Transplante Renal
  • Sem necessidade de diálise (peritoneal ou hemodiálise)
  • Maiores níveis de qualidade de vida
  • Liberdade dietética e sem os condicionalismos dos tratamentos de diálise
  • Cumprimento rigoroso da toma dos medicamentos imunossupressores
  • Efeitos secundários associados à toma dos imunossupressores
Tratamento Médico Conservador
  • O tratamento médico conservador não é uma alternativa aos outros tratamentos, encontrando-se apenas reservado para situações graves, de mau prognóstico de vida, em que a diálise não faculta uma esperança e uma qualidade de vida superiores.


Um programa de educação para um doente renal crónico não pode estar apenas circunscrito a um espaço de consulta, no qual o fator tempo é limitado para a necessidade de transmitir toda a informação. Nem se pode ter a pretensão que a pessoa num espaço de consulta se consciencialize de tudo o que envolve o processo de tratamento da doença renal crónica. É neste contexto que o trabalho se deve desenvolver a nível dos cuidados de saúde primários investindo em campanhas de sensibilização para as doenças renais e a informação das diferentes terapias de substituição da função renal. A hemodiálise, a diálise peritoneal e o transplante renal são os tratamentos disponíveis, que possibilitam ao insuficiente renal viver dentro das limitações impostas por cada tratamento, surgindo o transplante renal como o tratamento de eleição com melhores resultados em relação à qualidade de vida. O transplante de dador vivo, surge atualmente como a melhor solução para aqueles que são passíveis de serem transplantados e que tem um dador compatível.


No recente relatório da fundação Calouste Gulbenkian (2014) “Um futuro para a saúde”, refere que “A saúde começa em casa, que as pessoas terão de intervir muito mais activamente na gestão da sua própria saúde e contribuir para moldar todo o sistema”. A educação em saúde é a matriz fundamental no uso equilibrado dos serviços. 



Referências Bibliográficas:
 
[1]. DGS - Tratamento Conservador Médico da Insuficiência Renal Crónica Estádio 5. Norma nº 017/2011 de 28/09/2011, actualizada a 14/06/2012.
 
[2]. CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMEIROS- CIPE Versão 2 –CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL PARA A PRÁTICA DE ENFERMAGEM.Edi. Port. Ordem dos Enfermeiros. Fevereiro de 2011. 205 p. ISBN 978-92-95094-35-2.
 
[3]. MACÁRIO, Fernando [et al.] – Registo Nacional do Tratamento da Insuficiência Renal Crónica Terminal em Portugal – 2013 – Sociedade Portuguesa de Nefrologia
 
[4]. THOMAS, Nichola : A guide to clinicalPractice – EDTNA/ERCA; 2009. ISBN 978-84-613-3515-2.p.55-67
 
[5]. WANG, Lan [et al.] – Empowerment of patients in the process of rehabilitation. Peritoneal Dialysis International. Vol. 27, Supl. 2 (Jun 2007), p.32 – 34.
 
[6]. Kember, D. W. & Mettler, M. - . Information therapy: The strategic role of prescribed information in disease self-management. Medical and Care Compunetics 3. L. Bos et al. (Eds)2006. IOS Press
 
[7]. COELHO, Anabela [et al.] - Gestão integrada da doença renal crónica:análise de uma politica inovadora em Portugal. Rev. Port. Saúde Pública.2014,32(1):69-79.
 
[8]. FGC – Um Futuro para a saúde FCG 2014 (relatório). Disponível em: http://www.gulbenkian.pt/
 
obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs
Carla
http://www.portaldadialise.com/articles/-consulta-de-esclarecimento-na-insuficiencia-renal-cronica-terminal

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