sábado, 11 de junho de 2016

Os Pacientes de Alzheimer sentem até ao fim...





A presidente da Fundação Catalunya Alzheimer, a geriatra Eulàlia Cucurella, aconselha a família a nunca deixar de comunicar com o paciente, e a envolvê-lo nas conversas de família mesmo que não possa falar ou reconhecer os seus familiares.

• Uma vez diagnosticada a doença, os pacientes devem ser informados?

Tem havido muita discussão sobre este tema e eu acho que sim. Quando o paciente está numa fase inicial da doença, informá-lo pode ser uma forma de ajudá-lo a planificar a sua vida para os próximos anos.
Lembro-me de um paciente que foi diagnosticado com 59 anos e que me disse "eu tenho sorte, porque o médico disse-me que eu tinha 5 anos para planificar o que devo fazer." 

• Como é que uma pessoa recebe esse diagnóstico?

Depende de cada caso. É importante saber como se transmite o diagnóstico, se explica a doença e se dão recursos: a ajuda de um psicólogo, ajuda em estimulação cognitiva, etc. 
Muitas vezes, o paciente sofre mais pelo trabalho que vai dar à sua família do que pelo significado da doença.

• Como se deve comunicar com os pacientes de Alzheimer?

Depende da fase da doença, mas em geral deve-se trabalhar a comunicação não-verbal como o tom de voz, a maneira de olhar, os gestos, e o toque. Não infantilizar nem usar diminutivos.

• Existe a tendência de tratá-los como crianças?

Cada vez menos, mas há uns anos atrás existia. 
Eles nunca devem ser tratados como crianças, porque são adultos, geralmente mais velhos que o cuidador. 

• Mas se temos de simplificar as mensagens...

É claro que não se devem dar indicações complexas ou muitas indicações na mesma frase. Deve-se ir por etapas. 
Por exemplo, não devemos dizer ao paciente que vai sair e que deve colocar um casaco porque está frio. A informação deve ser dada passo a passo: vamos sair, de seguida, veste o casaco, etc. 
E acima de tudo, deve acompanhar a comunicação com gestos. Se dissermos "vamos comer" fazemos o gesto típico para o ajudar a compreender.

• Quando a doença está numa fase mais avançada, como deve agir o cuidador?

Deve conversar, procurar o seu olhar e fazer sentir o paciente importante, mesmo que ele não possa responder ou não reconheça as pessoas. 
Não devemos deixá-lo esquecido, se estamos a falar de um assunto, devemos inclui-lo.
Sabe-se que embora não tenham capacidade de expressar como se sentem, essas pessoas têm sentimentos até o fim.

• Que erros cometem os cuidadores familiares?

É comum tratá-los como se fossem crianças ou peças de mobiliário. Devemos envolvê-los sempre nas conversas, e nunca deixá-los de lado.

• Os familiares precisam de ser treinados para lidar com esta situação?

Os cuidadores familiares e profissionais precisam de treino. 
O objectivo é dar algumas orientações gerais à família, de modo a favorecer o cuidar e o bem-estar.
As famílias ficam mais tranquilas, porque ao terem conhecimento das orientações que devem ser seguidas, deixam de ter o sentimento de culpa que às vezes têm.

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