sexta-feira, 17 de junho de 2016

Ternura e morte...

Cultivemos e compartilhemos a ternura que existe em nós, especialmente se ela anda quieta e amuada e pouco tenha se manifestado em nossas vidas até aqui, o tempo passa e as oportunidades ocorrem, pessoas ao lado se surpreenderiam se a demonstrássemos.
Afeição, carinho, expressões de amor e atenção para com o outro e para com nós mesmos são mais que necessárias, são imprescindíveis, mas lá se foi mais um dia, quantos mais teremos?
Quando criamos tantas necessidades desnecessárias em nossas vidas, numa busca incessante para algo inexplicável, incerto, não sabido, sem sentido, especialmente se quase sempre fútil e efêmero, é hora para se repensar.
Felizmente nada em nossas vidas é linear ou preciso, nem as sensações de bem estar ou tampouco os sofrimentos, entendamos que há pessoas que estão em situações de extrema carência e vulnerabilidade e, mesmo assim, encaram suas vidas diariamente com naturalidade, numa espécie de aceitação que não pode ser confundida com passividade ou conformismo.
Entendimento, conhecimento de nós mesmos, razões para a vida, buscarmo-nos incessante e inquietamente são aspectos sutis de alguma saudável sabedoria perante o ontem, o hoje e o amanhã que chegará.
Há uma única certeza nesta vida, a finitude negada diariamente que nos encara, enquanto estamos bem, ela, a vida, segue, mas, se diante da morte anunciada, quando a medicina tenha esgotado seus muitos recursos, ressaltando-se que essa prática é para poucos, há muito por se fazer por quem está desenganado pelos médicos.
Não deixá-las isoladas, minimizar seus sofrimentos, os do físico, da mente, do espírito e os compartilhados com os entes queridos que ali estão sentindo-se também impotentes, em todos seus medos, angústias e algumas questões guardadas da vida, mas mal resolvidas que passam a gritar por pacificação.
Segundo a Dra. Ana Claudia Quintana Arantes, especialista em Cuidados Paliativos e, singularmente em gente, há um razoável arsenal de medicamentos que permitem diminuir as dores físicas das pessoas, propiciando-lhes um mínimo de qualidade de vida que lhes é devida, além de com elas permanecer e nelas acreditar até o fim.
Próximas da morte as pessoas não devem ser enganadas, se é que isso seja possível, cada ser humano é ímpar e, na antessala do ocaso, sentem e sabem o que está em curso, uma das tantas razões para serem respeitadas em toda sua dignidade.
A Dra. Ana Claudia, num vídeo disponível nas mídias, reitera a fala atribuída ao Capitão Barbossa no filme, “Piratas do Caribe”, a morte é um dia que vale a pena viver, em particular para as pessoas que foram protegidas de seus sofrimentos.
Entreolhares e a derradeira lágrima a generosidade é recíproca e inesquecível.
Paulo Afonso de Barros*
Luz, paz, amor e serenidade.

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