segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

PORQUE OS DOENTES NÃO ADEREM AO TRATAMENTO?

remedio-adesao-tratamentoAtualmente, uma percentagem significativa da população mundial depara-se com a necessidade de ter de aderir a um tratamento proposto por uma equipa clínica e ter de adotar medidas para controlar e tratar a sua condição crônica de saúde, como acontece no caso de diabetes e de algumas doenças mentais. No curso de qualquer tipo de tratamento, a não-adesão desenvolve-se gradualmente e poder estar relacionada ao agravamento da doença.
De uma maneira geral, a complexidade, a duração e a realização de alterações frequentes na medicação, a ausência imediata de melhoria dos sintomas e os efeitos secundários que podem causar, representam um entrave nessa adesão ao tratamento.
Porém, quando falamos de adesão ao tratamento referimo-nos a um fenômeno amplo, que não se limita ao cumprimento exclusivo da medicação que é prescrita, mas que engloba também a adesão ao tratamento não farmacológico (e.g. ida às consultas, cumprimento das indicações dadas pelo clínico associadas ao tratamento, por exemplo, cumprir uma dieta, fazer exercício físico, evitar o consumo de álcool e drogas, etc..
Relativamente aos fatores associados ao próprio tratamento, os mais relevantes prendem-se com a duração e a complexidade do regime terapêutico. Com efeito, os doentes apresentam níveis de adesão superiores quando os tratamentos são simples de aplicar e as indicações fáceis de entender, quando não estão sujeitos a mudanças frequentes do regime terapêutico, quando estes são de curta duração e quando não obrigam a alterações significativas nas rotinas quotidianas. Considera-se que os efeitos secundários podem também contribuir igualmente para limitar o grau de adesão. Os principais efeitos secundários mais comumente relatados pelos doentes, estão associados ao ganho de peso, disfunção sexual e alterações no sono.
A prescrição em simultâneo de múltiplos medicamentos, assim como muitas doses diárias ou dosagens elevadas, podem igualmente contribuir para um menor comprometimento com o tratamento, bem como o tipo de fármaco e a forma como este deve ser administrado e manuseado, o desconforto que provoca (o tamanho do comprimido e o cheiro ou o sabor de um xarope, por exemplo) ou ainda devido a experiências negativas no passado com os mesmos fármacos ou similares.
Apesar de a literatura relatar sobretudo o descumprimento relacionado com a não aplicação das regras do regime terapêutico, também a excessiva utilização de medicação constitui um comportamento de má adesão, podendo resultar em maior toxicidade e provocar uma multiplicação de efeitos secundários; do mesmo modo, a auto-medicação, isto é, o consumo de medicamentos por iniciativa do doente sem lhe terem sido prescritos por um médico, constitui também um comportamento não aderente.
Sabe-se atualmente que os doentes portadores de doenças crónicas, como diabetes, hipertensão, tuberculose, HIV e perturbações mentais (nomeadamente psicoses), têm um risco maior em não aderirem ao tratamento.
Os resultados da não-adesão são, por isso, considerados a primeira causa na redução dos benefícios do tratamento provocando complicações médicas e psicossociais, que acabam por afetar a qualidade de vida dos doentes.
E devido à conjuntura atual pela qual o país atravessa, um dos fatores que tem interferido com a adesão ao tratamento das doenças crônicas, incluindo as doenças de foro psiquiátrico, relaciona-se com o fator econômico associado ao custo dos medicamentos.
Por exemplo, devido às dificuldades econômicas, muitas vezes os doentes são levados, no caso de tomarem medicação para várias doenças crônicas, a selecionarem o fármaco que consideram ser “prioritário”. Perante este cenário, a medicação que é considerada “prioritária” atua sobretudo nas doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão. Ora, existindo concomitantemente prescrição medicação psicofarmacológica, esta terapêutica corre o risco de ser suspensa, sendo vista, em alguns casos, como “não-prioritária” pelo doente.

Por Ana Cardoso (Psicopedagoga) 
 obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico
abs
Carla

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